Saúde

15 de outubro de 2019 09:13

7 milhões de mulheres no Nordeste nunca foram ao ginecologista, diz pesquisa

Especialista comenta sobre possíveis fatores que contribuem para essa realidade na região

↑ Adelina Pimentel destaca importância da participação de familiares para encorajar mulher a ir ao ginecologista (Foto: Arthur Melo)

Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), indica que cerca de 7,2 milhões de mulheres que residem na região Nordeste nunca se consultaram com um médico ginecologista. Dado alarmante que preocupa os profissionais da área.

O levantamento ouviu 1.089 mulheres, a partir dos 16 anos de idade, em 129 municípios de todas as regiões do País.  A pesquisa apurou que 60% das brasileiras chegam pela primeira vez ao consultório do ginecologista com cerca de 20 anos de idade. Dessas, 26% corresponde a mulheres que residem em estados da região Nordeste.

O TH Entrevista desta semana ouviu a ginecologista Adelina Pimentel sobre o assunto. De acordo com a especialista, essa realidade pode ser atribuída ao atendimento médico feito por profissionais não especializados na ginecologia. “Esse número condiz com a nossa realidade, infelizmente nós encontramos isso nas clínicas. Porque muitas vezes, as mulheres são atendidas, principalmente em postos de saúde, por médicos generalistas que não têm a especialidade, que encaminham apenas para o exame citológico. E isso dificulta um diagnóstico mais preciso limitando o melhor atendimentos às mulheres. Pois, para um tratamento adequado, deve ser feito exames mais completos, como a colposcopia, por exemplo, que pode prevenir doenças como o câncer de colo de útero”, informa a médica ginecologista, que ainda exemplifica outros motivos e riscos.

“Outras mulheres não vão por medo do exame, do atendimento, por falta de informação ou até mesmo porque não sentem nada. E essa é a pior realidade, pois o câncer do colo do útero quando vai causar algum sintoma, ele deve estar avançado. Porque inicialmente não existe nenhum sintoma”, diz.

Ainda de acordo com a pesquisa, outras 6,2 milhões de mulheres relataram que não costumam fazer consultas regulares. Dentre as razões alegadas está a crença de que as consultas preventivas não seriam importantes ou necessárias.

A respeito dessa afirmativa Adelina Pimentel explica a importância da ida ao ginecologista, mesmo que não haja motivos aparente. “A medicina precisa ser preventiva, principalmente na ginecologia. Pois câncer do colo do útero, por exemplo, não tem sintomas e só se instala se a mulher não fizer os exames preventivos regulares” explica.

Ainda conforme a doutora, a participação do companheiro e familiares é muito importante para encorajar e conscientizar a mulher da ida regular ao ginecologista. “‘Mãe, amor, já fez o preventivo esse ano?’ Todos precisam ajudar a mulher nessa lembrança. São tantas campanhas que têm visibilidade na mídia, Outubro Rosa é um exemplo. Então, por que não, também uma campanha incisiva falando sobre a prevenção do câncer de ovário, que é um câncer gravíssimo? A rede pública deveria fazer campanhas sobre as demais doenças que atingem a saúde feminina, além do câncer de mama que já ganhou o mês de outubro”, afirma.

Assista à entrevista na íntegra:

 

Fonte: Tribuna Independente / Daniele Soares

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