Saúde

9 de agosto de 2019 22:20

Transplantado cardíaco mais longevo do Brasil é homenageado por cirurgiões em Maceió

Ao longo das três décadas, José Wanderley e sua equipe contabilizam mais de 50 transplantes cardíacos em Alagoas

↑ José Wanderley Neto (Foto: Edilson Omena)

Francisco Sebastião de Lima, 47, o transplantado cardíaco mais longevo do Brasil e América do Sul, foi homenageado nesta sexta (9) em Maceió pelos cirurgiões José Wanderley Neto e José Teles de Mendonça, que há 30 anos fizeram seu transplante, e toda a comunidade médica alagoana ligada à área. A solenidade aconteceu durante o simpósio que celebrou três décadas de transplante cardíaco do Instituto de Doenças do Coração (IDC).

Também receberam homenagens 15 outros transplantados, entre eles o mais recente, o atalaiense Leopoldo da Silva Xavier, 21 anos, que foi submetido a uma outra modalidade de transplante, chamado heterotópico, em que ao invés de trocar o órgão comprometido, o cirurgião o repara o máximo possível e acrescenta outro coração. O órgão original passa a funcionar de forma auxiliar ao novo.

Ao longo das três décadas, José Wanderley e sua equipe contabilizam mais de 50 transplantes cardíacos em Alagoas – em várias oportunidades, o cirurgião alagoano participou de outros transplantes e procedimentos análogos em outros Estados, principalmenteAo longo das três décadas, José Wanderley e sua equipe contabilizam mais de 50 transplantes cardíacos em Alagoas no Nordeste.

Os números foram enaltecidos pelos cirurgiões-cardíacos e pesquisadores Enio Buffolo (SP), Fernando Lucchese (RS), José Teles de Mendonça (SE) e Ricardo Lima (PE), que classificaram os cirurgiões alagoanos como “guerreiros”, diante das adversidades e falta de apoio ao trabalho em contraposição à determinação de melhorar o atendimento a cada dia.

– É duro – disse Lucchese – atingir esses números com a estrutura que vocês têm. Ter sucesso aqui (no Nordeste) é de fato ter sucesso, é preciso muita garra. A história passa por vocês!

A coordenadora da Central de Transplantes, Daniela Ramos, destacou o crescimento este ano do numero de transplantes cardíacos. “Quadruplicou”, disse ela, ao comparar com igual período do ano passado. Com esse volume, segundo ela, Alagoas está proporcionalmente entre os cinco Estados com maior realização de transplante de coração.

Hospital Professor Zerbini – No evento, logo após a homenagem a Francisco Sebastião de Lima, o transplantado mais longevo do país, os cirurgiões cardíacos participantes lançaram o projeto de construção do Hospital Professor Zerbini, ligado ao Instituto de Doenças do Coração.

Uma maquete foi apresentada aos participantes e mostrado o plano de serviços técnicos que serão oferecidos. José Wanderley demonstrou que o objetivo é torná-lo um centro de referência no Nordeste para cirurgias complexas e realização de transplantes, não apenas de coração, mas também de rins e até de fígado – no momento, a Secretaria de Estado da Saúde

(Sesau) aguarda credenciamento junto ao Ministério da Saúde para iniciar esse procedimento no Estado.

O secretário-adjunto da Sesau, Paulo Teixeira, mostrou-se entusiasmado com o projeto e declarou “apoio integral da secretaria”, dispondo-se a ajudar onde puder. “É o caminho certo, dr. Wanderley. Pode contar conosco para concretizar esse projeto ambicioso”, disse.

José Wanderley disse que o planejamento estratégico feito para erguer o Hospital Professor Zerbini prevê ampla participação da sociedade civil organizada, poder público e iniciativa privada. Para tanto, disse que pretende conversar com universidades para firmar parceria para formação acadêmica, dialogar com empresas – e aí destacou o apoio do industrial José Carlos Lyra, presidente da Federação das Indústrias de Alagoas (Fiea).

A participação e apoio material do poder público, no entanto, é apontada por ele como fundamental para viabilizar a estrutura e operacionalidade da instituição, que considera fundamental também como agente formador de futuros cirurgiões aptos a promover transplantes de órgãos diversos.

Francisco Sebastião de Lima – Diagnosticado com a doença de Chagas, “Chico”, aos 17 anos de idade tinha um sombrio prognóstico de vida – talvez cinco ou seis meses. Paciente do Instituto de Doenças do Coração (IDC), então funcionando integrado à Santa Casa de Maceió, recebeu indicação de transplante cardíaco como única alternativa de salvamento.

José Wanderley Neto e sua equipe se mobilizaram para encontrar um doador, em Alagoas e outros Estados do Nordeste. E ele apareceu em Aracaju. O também cirurgião cardíaco José Teles de Mendonça, que havia sido colega de faculdade de Wanderley no Rio, comunicou ter encontrado um paciente com morte cerebral e a famílias autorizava a retirada do órgão para trazê-lo a Maceió.

Mas a decisão final, após ponderações sobre o transporte do órgão, foi de levar o paciente a Aracaju e lá realizar o transplante. Foi em março de 1989 e marcou o primeiro procedimento do gênero no Norte/Nordeste, merecendo rasgados elogios do professor Jesus Zerbini, papa da cardiologia brasileira.

Com as três décadas de sobrevida, Francisco Sebastião de Lima é superado, no Brasil, apenas por Waldir de Carvalho, um advogado de Tanabe (SP), que viveu 32 anos e dez meses com um coração transplantado. Ele morreu em no início de junho deste ano, aos 82 anos de idade.

Entre os transplantados vivos, Chico é o mais antigo – portanto, o que detém a maior longevidade hoje. Mas tem segura capacidade, segundo os cirurgiões José Wanderley e José Teles, que fizeram seu transplante há 30 anos, de superar a marca de Waldir de Carvalho e – quem sabe? – até ultrapassar o paciente mais longevo conhecido no mundo, segundo o Incor: um cidadão que recebeu outro coração em 1976, no Hospital da Universidade de Stanford (EUA), e ainda vive.

No momento presente, sua marca é considerada um enorme feito da medicina brasileira, contribuindo para reafirmar a qualidade da cardiologia alagoana agora em nível mundial.

Fonte: Assessoria

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