Saúde

30 de julho de 2019 09:12

Em 9 anos, mais de 500 leitos pediátricos são reduzidos em Alagoas

Números compõem pesquisa da Sociedade Brasileira de Pediatria e apontam dificuldades na oferta de vagas do SUS

Menos 571 leitos pediátricos em nove anos. Este é o saldo negativo apontado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em relação à oferta de leitos de pediatria clínica e cirúrgica em Alagoas. Segundo o levantamento divulgado ontem (29), em 2010, Alagoas tinha 1300 leitos de pediatria clínica e cirúrgica. Este ano, a oferta caiu para 729 leitos.

A redução, de acordo com a pesquisa, ocorre nos leitos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, os leitos do SUS representavam 92% dos leitos disponíveis. Em 2019, são 86%.

Ainda conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria, em todo o país houve a “desativação” de 15,9 mil leitos pediátricos. A presidente da entidade, a médica Luciana Rodrigues Silva, avalia que os números da pesquisa refletem a realidade vivenciada na assistência pediátrica.

“A queda na qualidade do atendimento tem relação direta com recursos materiais insuficientes. Essa progressiva redução no número de leitos implica obviamente em mais riscos para os pacientes, assim como demonstra o sucateamento que se alastra pela maioria dos serviços de saúde do País”, afirma a presidente.

Para o pediatra e representante da Sociedade Alagoana de Pediatria, José Lourival Jr, diminuição no oferta de leitos reflete diretamente na qualidade do serviço ofertado aos pacientes.

“Se houve diminuição, a gente tem uma diminuição na qualidade da assistência e termina superlotando aqueles que permanecem disponíveis, que são os serviços de ponta. A primeira perda é a superlotação dos serviços que existem, perda da assistência, diminuição da qualidade”, aponta.

Outro problema apontado pela pesquisa é o baixo número de Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s) Neonatais. A Sociedade recomenda a existência de 4 unidades a cada 100 mil habitantes, no entanto, a taxa em Alagoas é de 2,62.

CAPITAIS

Entre as capitais do país, Maceió teve destaque negativo. Foi a terceira capital onde mais houve redução de leitos.

“Entre as capitais, São Paulo lidera o ranking dos que mais perderam leitos na rede pública (-422), seguidos pelos fortalezenses (-401) e maceioenses (-328). Três capitais, apenas, conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha recaído sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados”, afirma a SBP.

A Sesau disse em nota que atua para ampliar número de leitos pediátricos em Alagoas.

“A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que a abertura de leitos pediátricos é de responsabilidade das três esferas governamentais: federal, estaduais e municipais. No caso do Estado, somente na gestão Renan Filho já foram abertos 26 novos leitos pediátricos na Maternidade Escola Santa Mônica (MESM) e estão previstos mais 260 na capital e interior, por meio da inauguração dos Hospitais da Mulher (21) e Metropolitano (50), Regionais do Norte (45), Alto Sertão (45) e da Mata (45), além do Hospital da Criança (54), cujo projeto está pronto e as obras serão iniciadas ainda este ano.”, diz o posicionamento da secretaria.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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