Saúde

14 de junho de 2019 09:32

Número de casos de dengue aumenta 137% este ano em Alagoas

De janeiro a maio deste ano, ocorreram 2.239 notificações da doença no estado contra 944 no mesmo período de 2018

↑ Maia diz que aumento da doença já era previsto: 'Isso porque houve um aumento da concentração dos mosquitos' (Foto: Sandro Lima/arquivo)

Alagoas teve aumento de 137% no número de casos confirmados de dengue  de janeiro a maio deste ano em comparação ao mesmo período de 2018. Os dados epidemiológicos são do Ministério da Saúde, repassados pela Secretaria de Estado de Saúde de Alagoas (Sesau).

De acordo com os dados, no período de 1º de janeiro a 31 de maio deste ano, Alagoas registrou 2.239 casos de dengue este ano. São 1.295 casos a mais que os registrados no mesmo período de 2018, quando ocorreram 944 notificações.

Segundo a Sesau, estudos apontam que, a cada 4 anos, existe a possibilidade de haver aumento dos casos, devido ao novo ciclo da doença, como aponta o atual panorama da dengue, zika e chikungunya, que apresenta aumento no número de casos confirmados das três doenças.

A Sesau também salienta que, em articulação com o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/AL), tem capacitado e prestado apoio técnico aos 102 municípios alagoanos e alertado as Secretarias Municipais de Saúde para a adoção/intensificação de ações de intervenção capazes de impactar na redução da população do mosquito Aedes aegypti, com destaque para a realização de mutirões de limpeza, orientação à população para a eliminação de criadouros do transmissor da dengue, zika e chikungunya e reforçado o trabalho de parceria entre  agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, visando à realização de busca ativa de criadouros do mosquito transmissor, cuja maior quantidade está dentro das residências.

Sobre os veículos de combate ao mosquito da dengue, os “fumacês”, a Sesau esclarece que ele está restrito a situações específicas, a partir da avaliação da situação epidemiológica do município e indicativo do risco de surto ou epidemia, uma vez que ele elimina tão somente os mosquitos adultos.

CAPITAL

A Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) informou que o aumento de casos registrado na capital este ano está conforme o esperado, já que o número não apresenta riscos de epidemia. Segundo Carmen Samico, gerente de Doenças Transmitidas por Vetores e Animais Peçonhentos (SMS), há equipes que fazem o controle semanal destes números e o município vem trabalhando no combate ao aumento, constantemente.

“Para o controle do Aedes [aegypti], mosquito transmissor das arboviroses, estamos na rotina realizando visita domiciliar em todos os imóveis que o morador permite o acesso, priorizando inicialmente os que tiveram foco do mosquito no 2º levantamento de índice de infestação pelo Aedes aegypti, ocorrido em abril, especialmente nos bairros de Jaraguá, Pajuçara, Ponta da Terra, Centro, Levada, Canaã, Farol, Gruta de Lourdes, Pontal da Barra, Prado, Ouro Preto, Pitanguinha, Graça Torta e Ponta Verde. Bairros esses que apresentaram índice de infestação indicando risco de epidemia, caso ocorra casos de arboviroses na área”, explica Carmem Samico.

Ela também discorre a respeito do número elevado de casos só nestes primeiros 5 meses do ano e informa que aqueles atendidos nas unidades de saúde notificadoras são registrados no Sistema de Agravos de Notificação (Sinan) e posteriormente a vigilância epidemiológica tabula esses casos e envia para a gerência de doenças transmitidas por vetores, para que a equipe de bloqueio realize o trabalho na área de ocorrência.

“Estatisticamente avaliamos os casos através do diagrama de controle que indica o máximo e o mínimo de casos nos últimos 10 anos. Segundo o último gráfico, os casos atuais estão abaixo da linha de risco. Semanalmente fazemos monitoramento das notificações e a partir daí realizamos bloqueio nas localidades de ocorrência. Isto é, a partir da residência onde teve o caso, definimos um raio de 500 metros em torno e fazemos visita domiciliar para controle do Aedes”, conclui.

INFECTOLOGISTA

Em contato com o infectologista Fernando Maia, ele concorda que o aumento dos casos de dengue já era previsto. “Já se esperava que alguma das doenças transmitida pelo Aedes Aegypti teria aumento do número de casos. Isso porque houve um aumento da concentração dos mosquitos. Então qualquer uma das doenças transmitidas pelo Aedes teria crescimento. Isso ocorre por causas ambientais, como o aumento da temperatura e também porque muitas pessoas guardam água parada em casa. Outro fator é o descarte inadequado de copos, garrafas e pneus que servem de criadouros para o mosquito. Minha orientação é que em qualquer quadro de febre, dor no corpo e dor de cabeça a pessoa seja avaliada por um médico e se for se automedicar, que seja apenas com antitérmico (dipirona ou paracetamol), além da hidratação”, explica.

 

Fonte: Tribuna Independente / Daniele Soares

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