Saúde

27 de novembro de 2018 17:10

Taxa de detecção de casos da Aids em Alagoas atingiu 18% no ano de 2017

Quanto aos casos de HIV, estado registrou 776 ocorrências durante o ano passado

↑ Coletiva sobre HIV e Aids do Ministério da Saúde ocorreu nesta terça (Foto: Erasmo Salomão / Ministério da Saúde)

O Brasil chegou aos 30 anos de luta contra o HIV e aids com registro de queda no número de óbitos por aids no país. Segundo o novo Boletim Epidemiológico, divulgado nesta terça-feira (27) em Brasília, em quatro anos, a taxa de mortalidade pela doença passou de 5,7 por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos em 2017. A taxa de detecção da doença também apresentou decréscimo no Brasil, de 15,7%. Em Alagoas, desde 2007 – quando foram 18 casos de HIV notificados, o número de casos do vírus no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) cresce anualmente. Em 2017, foram 776 notificados no estado, entre estes, 152 foram de gestantes. Quanto à taxa de detecção, ela passou de 15,4% em 2016 para 18% em 2017 em Alagoas.

Com relação aos casos de aids notificados no Sinan, declarados no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e registrados no Sistema de Controle de Exames Laboratoriais da Rede Nacional de Contagem de Linfócitos CD4+/CD8+ e Carga Viral do HIV (SISCEL) / Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (SICLOM), foram 660 casos em Alagoas em 2017. Considerando os dados desde 1980, o estado já registrou um total de 7622 casos da doença.

Já entre as Unidades da Federação, sete apresentaram taxa de detecção de HIV em gestantes superior à taxa nacional em 2017: Rio Grande do Sul (9,5 casos/mil nascidos vivos), Santa Catarina (5,2), Amazonas (3,9), Pará (3,4), Alagoas (3,2), Mato Grosso do Sul (3,2) e Paraná (2,9). Em Alagoas, desde o ano 2000, foram 1389 gestantes infectadas pelo vírus HIV.

Quanto à capital Maceió, dois dados foram informados no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. A capital é 5ª do país com relação à taxa de detecção de gestantes com HIV notificadas no Sinan com uma taxa de 5,7 em 2017 e também ficou em 12º lugar quando o assunto é a taxa de detecção de casos de aids notificados no Sinan considerando o recorte a cada 100 mil habitantes com 31,3 no ano passado.

O boletim também fala do número de casos de aids em menores de cinco anos de idade no estado. Foram três casos de aids em 2017 e um total de 172 com menos de cinco anos com a doença desde 1980 a 2017.

A aids já registrou 2034 óbitos em Alagoas desde 1980. Desde 2010, os balanços anuais ficam em torno de uma centena no estado, sendo 122 no referido ano, 121 em 2011, 118 em 2012, 140 em 2013, 151 em 2014, 144 em 2015, 150 em 2016 e 141 no ano passado.

Brasil

Os novos números da epidemia revelam que, de 1980 a junho de 2018, foram identificados 926.742 casos de aids no Brasil, um registro anual de 40 mil novos casos. Em 2012, a taxa de detecção de aids era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes e, em 2017, foram 18,3, queda de 15,7%. Na comparação com 2014, a redução é de 12%, saiu de 20,8 para 18,3 casos por 100 mil habitantes.

“É a primeira vez em 20 anos que temos uma queda tão expressiva nas taxas da mortalidade”, comemora a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Adele Benzaken. Ela lembra que da última vez que o país registrou quedas tão expressivas, foi entre 1996 e 1997, com a chegada da terapia tríplice, o chamado coquetel, para tratamento das pessoas que vivem com o vírus.

O Boletim também traz a diminuição significativa da transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção de HIV em bebê reduziu em 43% entre 2007 e 2017, caindo de 3,5 casos para 2 por cada 100 mil habitantes. Isso se deve ao aumento da testagem na Rege Cegonha, que contribuiu para a identificação de novos casos em gestantes. Em 2017, a taxa de detecção foi de 2,8 casos por 100 mil habitantes. Nos últimos 7 anos, ainda houve redução de 56% de infecções de HIV em crianças expostas infectadas pelo HIV após 18 meses de acompanhamento. Os novos dados ainda mostram que 73% das novas infecções de HIV ocorrem entre no sexo masculino, sendo que 70% dos casos entre homens estão na faixa de 15 a 39 anos.

Detecção

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza teste rápidos para a detecção do vírus nas unidades de saúde do país. Em 2018, foram distribuídos 12,5 milhões de unidades. Como a detecção do vírus impacta no início precoce do tratamento, a partir de janeiro também haverá na rede pública a oferta do autoteste de HIV para populações-chave e pessoas/parceiros em uso de medicamento de pré-exposição ao vírus. No ano que vem, serão distribuídas 400 mil unidades, inicialmente como um projeto piloto nas cidades de São Paulo, Santos, Piracicaba, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Manaus.

O autoteste de HIV já é vendido nas farmácias privadas do país, mas os resultados não podem ser utilizados para o diagnóstico definitivo. Em caso de resultado positivo, o Ministério da Saúde orienta que o usuário busque o serviço de saúde para testes complementares. Nas caixas de autoteste de HIV, distribuído pelo SUS, haverá um número 0800 do fabricante para tirar dúvidas e dar orientações aos usuários. Este serviço funcionará 24 horas e 7 dias por semana. Além disso, o usuário pode tirar dúvidas pelo Disque Saúde 136 e no site www.aids.gov.br/autoteste .

Além da testagem, o Governo Federal também financia o tratamento para o HIV/aids no país. Desde 2013, os medicamentos (antirretrovirais) podem ser acessados nas unidades de saúde pelos soropositivos independente da quantidade de vírus que eles apresentarem no corpo. Desde a introdução do tratamento para todos, até setembro deste ano, 585 mil pessoas com HIV/aids estavam em tratamento no país. A maioria, 87%, faz uso do dolutegravir, um dos melhores medicamentos do mundo que está disponível gratuitamente no SUS.

O medicamento aumenta em 42% a chance de supressão viral (que é diminuição da carga viral do HIV no sangue) entre adultos, quando comparado ao tratamento anterior, usando o efavirenz. Além disso, a resposta virológica com o dolutegravir é mais rápida: no terceiro mês de uso mais de 87% os usuários já apresentam supressão viral, segundo estudos realizados pelo Ministério da Saúde.

Fonte: Bruno Martins com Agência Saúde

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