Saúde

27 de setembro de 2018 13:04

432 alagoanos aguardam transplante em Alagoas

Em cinco anos, número de cirurgias ultrapassa marca de 600 procedimentos; desafio ainda está na aceitação da família em autorizar

↑ Em Alagoas, são realizados transplantes de rim, coração e córnea; de 2013 até agosto deste ano, foram realizados 603 procedimentos (Foto: Assessoria)

Até o fim de agosto, 432 pessoas estavam na fila de espera por um órgão em Alagoas. Os transplantes de rim, coração e córnea são realizados no estado, que registrou em 2017 a expressiva marca de 134 procedimentos realizados, o maior número em cinco anos. De 2013 para cá, foram registrados 603 transplantes.

Dona Olema da Conceição, de 64 anos, é uma dessas pessoas. Ela aguarda por um transplante de coração há cerca de dois meses e conta que desde 2001 sofre de problemas cardíacos, tendo passado por três angioplastias e quatro cateterismos.

“Estive na fila de espera em 2014, mas tive uma melhora na minha situação e saí. Passei um ano e dois meses fora e agora estou de novo aguardando por um coração para fazer a cirurgia”, diz.

À espera de um órgão compatível, o que pode ser um pouco mais difícil já que o sangue dela é AB negativo, Dona Olema se diz esperançosa. “Estou ansiosa e nervosa, porém confiante. É preciso ser forte. Tenho meus filhos, nora, marido e netos que me dão a maior força. Porque isso é fundamental”, resume.

Em 2013, 74 transplantes foram realizados no estado. Já em 2017 o número subiu para 134. Entre os anos de 2013 e 2015 não houve informações sobre a captação de órgãos no estado.

ESPERA

A coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos, explica que o desafio ainda se concentra na aceitação da família em autorizar o transplante.

“Para termos doação, a gente necessita que a família autorize. A gente tem equipe trabalhando 24 horas e que não mede esforços para nada. Mas a gente não pode ir adiante se não existe uma família para autorizar ou se não existe uma morte encefálica confirmada. A Lei do Transplante, a 9434/1997, dizia que só não era doador quem colocasse no RG [Registro Geral] e isso acabou causando um efeito rebote, pegou as pessoas despreparadas e as pessoas achavam que se chegassem ao hospital passando mal ia ter os órgãos retirados. Em 2001 veio outra lei, dizendo que só pode fazer a doação com a autorização da família e isso é uma faca de dois gumes porque quando se fala para a família que quer doar, não basta falar é precisa sensibilizar para que no caso de morte encefálica a família autorizar, porque se não houver a autorização não temos como ir à frente”.

Fonte: Tribuna Independente / Evellyn Pimentel

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