Saúde

11 de setembro de 2018 09:11

Campanha promove cirurgias para reparar fissura labiopalatina

Ao TH Entrevista, cirurgião plástico afirma que estimativa aponta que uma em cada 650 crianças nasce com o problema

↑ Cirurgião plástico Lourival Cezar esclarece que a cirurgia é feita o ano todo: “Poder público precisa divulgar mais” (Foto: Jonathan Canuto)

Uma grande campanha em prol de crianças e adultos que nasceram com fissura labiopalatina acontece na segunda quinzena de outubro deste ano em Alagoas. A ação faz parte da IV Semana Nacional realizada em parceria com a ONG Smile Train e Hospital do Açúcar, com apoio da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau). O movimento ocorre em toda a América Latina.

O objetivo da campanha é orientar a comunidade no sentido de esclarecer e divulgar o tratamento das crianças que nascem com a deformidade. O cirurgião plástico, Lourival Cezar, que abraçou a causa e opera há mais de 40 anos, explicou durante o TH Entrevista, que o atendimento está sendo realizado no Centro Médico do Hospital do Açúcar, terças e quintas-feiras, das 9h às 12h, sem a necessidade de agendamento prévio e despesa com a cirurgia durante todo o ano. Esses pacientes são considerados prioridade número um. As cirurgias, segundo o médico, acontecem de 15 a 19 de outubro.

Essa malformação é detectada ainda durante a gestação, no pré-natal, mas a transcorrência da gravidez é normal. O cirurgião diz que embora não haja uma explicação, isto é, uma definição clara para a deformação, indica que seja hereditária e genética, porém não se saiba a causa principal do problema.

O especialista ressaltou que a questão não é só estética. Muitos adultos que não foram reabilitados têm dificuldades de conseguir emprego ou até mesmo estudar. Alguns casos são tão graves que a fala é incompreensível. “Com o passar do tempo a pessoa com o problema fica com deficiência intelectual porque a falta de comunicação retrai e não há desenvolvimento. São pessoas retraídas e bem tímidas”, salientou.

“A nossa preocupação é enorme pelo seguinte, a epidemiologia dessa doença, conforme dados do IBGE, é que uma em cada 600 a 650 crianças nasçam com esse defeito em Alagoas. O último registro revelou que em 2016 nasceram 48.320 pessoas, isto significa, que em torno de 70 a 80 crianças tem essa deformidade por ano no Estado. No período da campanha o pessoal busca, mas depois esquece que a cirurgia pode ser feita o ano todo. O poder público deve divulgar mais, a procura tem que ser constante”, mencionou.

Médico diz que existe demanda reprimida para procedimento

 

O médico Lourival Cezar externou novamente sua preocupação quando diz respeito ao número pequeno de cirurgias realizadas para estes casos. “Nós não estamos operando o correspondente a cada ano. Então, existe uma demanda reprimida: falta de acesso aos serviços de saúde, desconhecimento do próprio serviço de saúde e as limitações culturais, sociais e econômicas das próprias famílias”, pontuou.

De acordo com o cirurgião plástico, é preciso que haja um maior engajamento mostrando que existe tratamento, bem como estimular os secretários de saúde e consequentemente os agentes de saúde, para que nos municípios se busquem essas crianças, e facilitem o encaminhamento delas para o tratamento especializado, que não é caro, e despendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não custa nada para ninguém. É bem simples. Basta chegar num serviço de saúde especializado como existe aqui no Hospital do Açúcar e também na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). Estamos sempre prontos e dispostos a operar”, avisou.

Por ano são operados cerca de 12 pessoas na semana da campanha, mas o médico refrisou que o atendimento ocorre durante todo o ano. “Quem não for operado na campanha será depois”, garantiu. “O tempo de recuperação para este tipo de cirurgia é curto, o lábio é uma semana e o palato 15 dias”, lembrou. Mais informações: 9.9982-5877/9.9989-1903/ 9.8809-7810.

Entenda a fissura, causas, consequências e tratamentos

 

Entenda o que é a fissura labiopalatal, o que a ocasiona, quais as consequências para as pessoas que apresentam o problema e como tratá-lo.

O que é fissura labiopalatal?
É uma abertura no lábio ou no palato que resulta do desenvolvimento incompleto. O lábio e o céu da boca desenvolvem-se separadamente durante os três primeiros meses de gestação. Nas fissuras mais comuns, o lado esquerdo e o direito do lábio não se juntam, ficando uma linha vertical aberta. A mesma situação pode acontecer com o palato.

Por que a boca do bebê não se formou completamente?
Não há uma causa específica. Numa parcela pequena, ocorre a predisposição genética. Ou seja, o bebê tem uma herança familiar. A ciência procura as causas possíveis durante a gravidez.

O que pode ser feito para ajudar o bebê com fissura?
O lábio pode ser reparado nos primeiros meses de vida. O céu da boca leva mais tempo. As datas exatas dessas intervenções cirúrgicas dependem do desenvolvimento do bebê.

O bebê terá problemas para aprender a falar?
Se a fissura atingir somente o lábio, é improvável que haja problemas de fala. Entretanto, se chegar até o céu da boca, além das cirurgias corretivas, haverá necessidade de tratamento fonoaudiológico.

O TH Entrevista está disponível nas plataformas digitais – Tribuna Hoje: Instagram, Facebook e canal do YouTube.

Fonte: Ana Paula Omena

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