Saúde

15 de janeiro de 2017 12:14

Em 30 dias, mais de 100 crianças já foram atendidas na Casa do Coraçãozinho

Inaugurado há um mês, serviço é financiado pela Sesau e atende usuários do SUS

Com a proposta de garantir um atendimento humanizado e eficiente às crianças com cardiopatia congênita no Estado de Alagoas, a Casa do Coraçãozinho, inaugurada no mês passado, já colhe bons frutos com o serviço qualificado que vem prestando aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Do último dia 10 dezembro até 11 de janeiro deste ano, o serviço financiado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) já realizou 127 consultas e 109 ecocardiogramas nos pequenos alagoanos.

Petyson Prata, 4 anos, foi um dos pacientes atendidos pela Casa do Coraçãozinho. Morador do bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió, ele foi levado pela mãe, Rita Prata, de 29 anos, para fazer uma consulta de revisão, após ter sido submetido a um procedimento cirúrgico.

Petyson foi diagnosticado, aos quatro meses de vida, com sopro no coração. À época, numa conversa com o cardiopediatra que o atendeu, a mãe do garoto foi avisada que era preciso fazer uma cirurgia o mais rápido possível. Do contrário, poderia acontecer algo muito pior com a saúde do seu filho.

E, mesmo pagando um plano de saúde particular há anos, Rita Prata contou que a operadora negava a autorização ao procedimento cirúrgico, justificando-se tal conduta na ausência de previsão contratual. Durante esse tempo, a criança só ficou tomando remédios para amenizar o seu quadro de saúde.

“Quando o Petyson completou três anos, ele começou a cansar muito e a imunidade dele baixou consideravelmente. Era muito comum ele pegar uma gripe e ter tosse com secreção. Eu fiquei desesperada. Foi muito difícil conviver com isso tudo, sozinha”, contou.

Ao decidir levar Petyson para avaliação de outro médico, Rita Prata conheceu a médica Maria Goretti Barbosa, que a encaminhou para o Hospital do Coração de Alagoas, onde realizou todos os exames e logo foi operado por meio do Programa Estadual de Cardiopediatria, criado pela Secretaria de Estado da Saúde. A cirurgia aconteceu três dias antes da inauguração da Casa do Coraçãozinho.

(Foto: Marcel Vital / Agência Alagoas)

Hoje, depois do susto e de um rápido processo de recuperação, Petyson Prata é uma criança saudável e com poucas restrições. Desde então, ele passou a se consultar na Casa do Coraçãozinho. “Eu acho o serviço daqui excelente, nota 10. Sou muito bem atendida, faço os exames e marco as próximas consultas com muita facilidade. Graças a Casa do Coraçãozinho, o meu filho está bem, ao lado da família e, o mais importante, vendendo saúde e conhecendo a vida”, sentenciou.

Inovadora

Para a secretária de Estado da Saúde, Rozangela Wyszomirska, a Casa do Coraçãozinho é uma iniciativa inovadora em Alagoas, porque antes da atual gestão, os pais de crianças cardiopatas eram obrigados a recorrer ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Defensoria Pública Estadual (DPE) para assegurar o atendimento cardiopediátrico de seus filhos.

“É um serviço que veio atender uma demanda reprimida existente. À época, muitas crianças ficavam desassistidas, tendo que enfrentar inúmeras filas ou esperar pelo TFD [Tratamento Fora de Domicílio]. Hoje, temos a gratificação de estarmos vendo mais um serviço construído em respeito ao usuário, num ambiente acolhedor e, claro, com o propósito de resolver os problemas de saúde da população”, destacou a gestora estadual de saúde.

O Serviço

A Casa do Coraçãozinho foi concebida dentro de um modelo de excelência em que ambulatórios, brinquedoteca, centro de diagnóstico e salas de treinamento pudessem estar juntos, num mesmo ambiente, para melhor acolhimento e ambientação das crianças e seus familiares.

O diretor executivo da Fundação Cordial, Otoni Veríssimo, ressalta ainda que o serviço veio para coroar o Projeto Coraçãozinho, desenvolvido em 2015 pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Hospital do Coração de Alagoas e a Fundação Cordial, que visa dar maior resolutividade e qualidade à saúde das crianças com problemas cardiológicos. “É um centro de atividades multiprofissional e multidisciplinar, que tem como missão acolher, monitorar, tratar e acompanhar toda e qualquer criança alagoana que nasça com alguma doença no coração”, enfatizou.

Segundo ele, o maior diferencial do projeto é que a criança com cardiopatia congênita tem o seu acompanhamento integral 100% SUS, desde a descoberta da doença até a vida adulta.  “O foco da Casa do Coraçãozinho não é simplesmente dar um diagnóstico ou fazer uma cirurgia, mas, sim, garantir o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança ao longo de todo tratamento”, explicou.

A cardiopediatra Maria Goretti Barbosa assegura que os atendimentos feitos na Casa do Coraçãozinho estão sendo satisfatórios desde a sua inauguração. Isso porque, ao chegar no local, as crianças e seus familiares são bem recebidos por uma assistente social, não enfrentam filas e ainda eles têm  a garantia de que serão atendidos.

(Foto: Marcel Vital / Agência Alagoas)

“Toda criança em tratamento de qualquer doença tem o direito de um acompanhante em suas internações e durante todos os procedimentos e consultas realizadas. Por este motivo a Casa do Coraçãozinho dispõe de condições adequadas para essa prática, tais como alimentação, espaço, conforto e higiene. Além disso, o espaço físico específico para a criança, com características infantis possibilita que ela se distraia num ambiente mais amistoso e alegre, como deve ser a infância”, exaltou.

Estrutura

A Casa do Coraçãozinho possui consultórios médicos, uma área de treinamento para pediatras e cardiopediatras e um auditório. Além de um espaço com três quartos para que as famílias do interior possam ter um local para se acomodar próximo ao paciente, a fim de que se evite cansaço físico durante longas viagens.

Funcionamento

De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, os pais e as crianças são atendidos por uma equipe multiprofissional, formada por assistentes sociais, enfermagem, médicos, cirurgiões cardiovasculares e pediátricos, cardiopediatras, pediatras, psicólogos e fisioterapeutas.

Fonte: Agência Alagoas

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