Roteiro cultural

Literatura preserva tradição da Chita

Artista plástico e professor Lucas Marcondes estreia na literatura infantojuvenil com obras que resgatam a história

Por Ana Paula Omena - repórter / Tribuna Independente 10/07/2026 08h58 - Atualizado em 10/07/2026 09h54
Literatura preserva tradição da Chita
Lucas Marcondes e os livros de literatura que transformam tradição do Baile da Chita em legado para novas gerações de Paulo Jacinto - Foto: Willams Campos

Em uma época marcada pelo avanço das tecnologias e pela rapidez das redes sociais, um artista alagoano decidiu recorrer aos livros para garantir que a memória de sua cidade continue viva. O professor, artista plástico, ilustrador, chargista, cartunista e agora escritor Lucas Marcondes lança, no próximo dia 16 de julho, duas obras que transformam a história e as tradições de Paulo Jacinto, na Zona da Mata de Alagoas, em literatura acessível para crianças, adolescentes e adultos.

Natural do município, Lucas estreia na literatura infantojuvenil com os livros “Paulo Jacinto: Os Encantos da Cidade que Nasceu da Chita” e “Rosinha, a Menina que Vestia Chita”. Ao TH Entrevista, o autor das obras explicou que ambas têm como missão apresentar, de forma lúdica e educativa, aspectos da identidade cultural da cidade, especialmente o tradicional Baile da Chita, considerado uma das manifestações culturais mais marcantes da região.

Para ele, escrever sobre Paulo Jacinto foi uma forma de preservar histórias que fazem parte da memória coletiva da população.

“A leitura favorece o conhecimento e a arte é uma atividade de resistência. Quero mostrar um pouco sobre o Baile da Chita e sobre a nossa história para que crianças, adolescentes e diversos públicos tenham acesso a esse patrimônio cultural”, destacou.

Mais do que contar histórias, os livros funcionam como ferramentas pedagógicas. Em “Paulo Jacinto: Os Encantos da Cidade que Nasceu da Chita”, o autor reúne elementos históricos, geográficos e culturais do município. Os personagens recebem nomes inspirados em personalidades locais, fortalecendo a identificação dos leitores com a própria comunidade.

“Como sou professor, pensei: por que não criar uma história sobre nossa cidade de uma forma lúdica, que entretenha e ao mesmo tempo ensine?”, salientou.

Cultura e literatura

Embora o Baile da Chita seja amplamente conhecido pela população, Lucas percebeu que faltava uma abordagem literária capaz de aproximar as novas gerações dessa tradição.
“Todo mundo conhece a festa, mas não de forma lúdica, em formato de livro. Surgiu então o desejo de unir minha arte e a literatura para que o público infantojuvenil tivesse acesso a essa história”, afirmou.

A valorização da cultura local aparece ainda mais forte em “Rosinha, a Menina que Vestia Chita”. A personagem foi criada a partir do imaginário popular ligado à tradicional festa. Segundo o autor, a inspiração veio da importância simbólica que o evento possui para os moradores da cidade.

“O desejo de muitas meninas é ser rainha do Baile da Chita. Então pensei: por que não criar uma história sobre Rosinha, uma menina que sonhava e vivia essa tradição?”, contou.
A narrativa também recupera aspectos históricos da própria chita, tecido que deu origem ao baile. Conforme Lucas, o material, que em determinados períodos esteve associado às classes mais privilegiadas, tornou-se acessível com o fortalecimento da produção algodoeira e acabou se transformando em símbolo popular da festa.

Professor há vários anos, Lucas afirmou que a convivência diária com estudantes foi determinante para a criação das obras. Segundo ele, a experiência em sala de aula mostrou a importância de oferecer conteúdos que dialoguem diretamente com a realidade dos alunos.

“Nós somos mediadores do conhecimento. Quando vi meus alunos levando livros para casa, lendo e recontando histórias, percebi que também poderia produzir algo que enriquecesse o conhecimento deles e valorizasse o município”, ressaltou.

O autor acredita que, apesar dos avanços tecnológicos, o livro físico continua desempenhando papel fundamental na preservação da memória cultural.

“É diferente do conteúdo digital. O livro físico proporciona uma experiência mais profunda. Você toca, folheia e faz uma viagem pela história. A memória fica mais presente”, observou.

Lucas também reforçou que o incentivo à leitura começa dentro de casa e depende do exemplo dos adultos.

“Para que uma criança se torne leitora, ela precisa ter referências. Seja exemplo, tenha livros em casa e incentive esse hábito para que as futuras gerações também desenvolvam o gosto pela leitura”, aconselhou.

Lançamento

O livro “Rosinha, a Menina que Vestia Chita” será lançado no dia 16 de julho, às 15h30, na Praça Central de Paulo Jacinto. O evento contará com exposição de obras artísticas, estande cultural e atividades voltadas ao público.

A data antecede o tradicional Baile da Chita, que acontece em 18 de julho, transformando a semana em uma grande celebração da cultura local.

A entrevista completa com Lucas Marcondes está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no portal Tribuna Hoje e na programação da TV COM, canal 12 da Net/Claro.

Confira no link abaixo:

(16) TH Entrevista - Livros transformam tradição do Baile da Chita em legado para novas gerações - YouTube