Roteiro cultural

Seduc lança livro de professores da rede estadual sobre história e cultura dos povos indígenas “em/de” Alagoas

Obra, em formato digital, foi desenvolvida pela Gerência Especial de Educação Escolar Indígena em parceria com docentes das escolas indígenas do estado

Por Manuella Nobre e Ana Paula Lins / Ascom Seduc 19/04/2026 10h42
Seduc lança livro de professores da rede estadual sobre história e cultura dos povos indígenas “em/de” Alagoas
Livro adota a perspectiva de protagonismo, apresentando os povos indígenas como sujeitos ativos - Foto: Alexandre Teixeira / Ascom Seduc

Na semana em que comemoramos o Dia dos Povos Indígenas (19 de abril), a Secretaria de Estado da Educação (Seduc/AL) presenteia os alagoanos com o livro “História e Cultura dos Povos Indígenas em/de Alagoas”. Elaborada pela equipe da Gerência Especial de Educação Escolar Indígena (GEEEI) da secretaria em parceria com docentes das escolas indígenas de todo estado, a obra foi produzida em formato digital e será lançada no próximo dia 23, a partir das 15h, por meio do link: https://meet.google.com/uqe-cowu-nwq. O documento será disponibilizado posteriormente no site: www.educacao.al.gov.br.

De acordo com o gerente da GEEEI, Gilberto Ferreira, o livro constitui uma produção histórico-pedagógica autoral, reconstruindo fatos a partir de perspectiva dos próprios atores desta história.

“O livro “História e Cultura dos Povos Indígenas Em/De Alagoas” propõe uma ruptura com a narrativa colonial tradicional, que historicamente silenciou ou folclorizou os povos originários. Em vez disso, o material adota a perspectiva de protagonismo, apresentando os povos indígenas como sujeitos ativos que reivindicam continuamente pela sua autodeterminação e territórios no estado de Alagoas”, explica o gerente.

Dividida em duas partes, a primeira sobre “Fundamentação e contexto histórico”, e a segunda sobre “Os Povos Indígenas de Alagoas”, a obra trata de temas transversais, destacando elementos culturais fundamentais como: Religiosidade e Ritos, Lazer e Tradição, além de Educação Diferenciada.

“A estrutura da obra percorre desde a ocupação territorial pré-colonial, fundamentada em dados arqueológicos, históricos e geográficos, até aos processos de resistência contemporânea. O texto detalha a formação das primeiras vilas e o impacto da colonização, mas concentra-se especialmente na diversidade atual, mapeando as etnias presentes nas diferentes regiões do estado. Esta abordagem possibilita que estudantes indígenas e não-indígenas compreendam a complexidade das identidades que formam o território alagoano”, pontua Gilberto.

Referência

Doutor em História e considerado um dos principais nomes da docência alagoana nesta temática, Gilberto destaca a importância e avanço deste livro para a Educação, sobretudo para a comunidade escolar indígena.

“No âmbito pedagógico, o livro pode contribuir como orientação para a implementação do componente curricular de História e Cultura Indígena, em conformidade com a Lei 11.645/08. Ele pode auxiliar educadores no planejamento de aulas que valorizem a interculturalidade. Ao dialogar com o rigor científico e os saberes tradicionais, a obra se torna central para o fortalecimento da rede escolar indígena, tornando a educação mais inclusiva, crítica e pautada na realidade social e histórica de Alagoas”, avalia.

Dados

De acordo com o Censo 2022, a população indígena de Alagoas é de aproximadamente 25.725 pessoas, distribuídas por diversas etnias e regiões.

No alto Sertão eles se encontram em quatro municípios: Delmiro Gouveia (povo Pankararu), Pariconha (povos Katokinn, Jirinpankó e Karuazu), Água Branca (povo Kalankó) e Inhapi (povo Kouipanká). Já no Agreste estão os povos Tinguí-Botó (Feira Grande), Xucuru-Kariri (Palmeira dos Índios) e Karapotó (São Sebastião), enquanto a região do São Francisco conta com a presença dos povos Aconã (Traipu) e Kariri-Xokó (Porto Real do Colégio). Por fim, em Joaquim Gomes, reside o povo Wassu-Cocal.

No que diz respeito à Educação, mais de 4.100 indígenas são atendidos em 20 escolas estaduais, onde 90% dos professores são indígenas (400, aproximadamente). No Governo Paula Dantas, já foram entregues obras de sete unidades indígenas e outras seis estão em andamento.