Política

China é ditadura? Professor analisa modelo político do país asiático

Sistema concentra poder no Partido Comunista, mas também possui mecanismos de consulta política e critérios de meritocracia administrativa, segundo pesquisador

Por Tribuna Hoje 05/11/2026 13h41
China é ditadura? Professor analisa modelo político do país asiático
Diego Freitas Rodrigues é professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco - Foto: Divulgação


O sistema político da China vai além da classificação entre democracia e ditadura. A avaliação é do professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Diego Freitas Rodrigues, que analisa as características do modelo de governança adotado pelo país asiático.

Segundo o pesquisador, a estrutura chinesa combina princípios do marxismo-leninismo, valores da filosofia confucionista e mecanismos de consulta política. O poder, entretanto, permanece concentrado no Partido Comunista Chinês (PCCh), que exerce influência sobre o governo, as Forças Armadas e diferentes setores da sociedade.

Diferentemente das democracias ocidentais, a China não adota a disputa entre partidos de oposição como mecanismo de alternância no poder. O país possui oito partidos menores oficialmente reconhecidos, mas eles atuam em cooperação com o PCCh, participando de conselhos e instâncias de consulta.

Outro aspecto do modelo é a chamada meritocracia política. A escolha de dirigentes para os principais cargos públicos considera a experiência administrativa e a trajetória dentro da estrutura governamental, em vez da competição eleitoral nacional.

O sistema também enfrenta desafios. Entre eles estão a concentração de poder, a desigualdade econômica, o nepotismo e os limites à autonomia da sociedade civil. Durante o governo de Xi Jinping, a centralização política foi ampliada, especialmente após a suspensão dos limites de mandatos presidenciais.

Para Diego Freitas Rodrigues, compreender a China exige considerar sua formação histórica e suas particularidades institucionais, sem limitar a análise aos modelos políticos ocidentais.

Veja  o artigo de Diego Freitas na íntegra abaixo. 

Sobre o autor: Diego Freitas Rodrigues é professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).