Política
90,78% dos eleitores de Pariconha votaram em Lula
Município deu maior votação ao presidente em Alagoas; eleitorado do candidato bolsonarista recuou de 16 para 9 cidades
O município de Pariconha, no Sertão de Alagoas, está entre os dez municípios brasileiros que deram ao presidente Lula (PT) a maior votação proporcional no segundo turno da eleição presidencial no Brasil, realizada no domingo (25).
Com 9.773 eleitores aptos a votar, Pariconha deu ao presidente Lula 6.765 votos, o que representou 90,78% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro teve apenas 687 votos (9,22%). No primeiro turno, Pariconha também registrou votação expressiva para Lula, com 88,12% dos votos válidos.
Apesar da estratégia de incluir Alfredo Gaspar na chapa majoritária nacional, em Alagoas, o PL recuou de 16 para 9 cidades que deram a vitória a Flávio Bolsonaro. Mantiveram a liderança: Maceió, onde Flávio recebeu 52,01% dos votos (271.791), enquanto Lula recebeu 47,99% (250.761 votos).
Além de Maceió, o candidato do PL ganhou também em Maragogi, Marechal Deodoro, Matriz de Camaragibe, Japaratinga, Porto Calvo, Paripueira, São Miguel dos Milagres e Satuba. Maceió foi a única capital do Nordeste onde Flávio venceu no primeiro turno, com 52,36% dos votos.
No ranking nacional do segundo turno, Pariconha ficou atrás apenas de Carnaubeira da Penha (PE), com 92,34% dos votos válidos para Lula; Bonfim do Piauí (PI), com 91,25%; Fartura do Piauí (PI), com 91,24%; Guaribas (PI), com 91,11%; Barreirinha (AM), com 90,90%; e Terra Nova (PE), com 90,88%.
Pariconha, com 90,78% de seus votos para Lula, ficou na sétima colocação nacional entre as cidades que mais deram votos ao petista no segundo turno da eleição presidencial. Inajá (PE), com 90,30%; São Braz do Piauí (PI), com 90,15%; e Serrano do Maranhão (MA), com 90,11%, completam a lista das dez cidades que mais apoiaram o petista nas urnas.
No primeiro turno, Pariconha também registrou votação expressiva para Lula, com 88,12% dos votos válidos.
As sete cidades alagoanas que viraram de Flávio para Lula entre o primeiro e o segundo turnos foram Barra de São Miguel, Coruripe, Flexeiras, Novo Lino, Porto de Pedras, São Luís do Quitunde e São Miguel dos Campos.
HISTÓRICO
Pariconha tem um histórico de reduto da esquerda por ter sido escolhida pela AP (Ação Popular), organização originada na Igreja Católica que atuava na clandestinidade combatendo a ditadura cívico-militar, para servir como campo de treinamento de guerrilha para militantes revolucionários que se preparavam para enfrentar a ditadura militar nos anos 1960.
À época, Pariconha era distrito de Água Branca e serviu de laboratório para a organização de uma base de treinamento e resistência político-militar.
Embora a luta armada nunca tenha ocorrido de fato em Pariconha, o município manteve a fama de reduto da esquerda. A organização Ação Popular (AP) levou militantes clandestinos para o sertão alagoano com o objetivo de conscientizar e organizar camponeses e povos indígenas locais, a exemplo das etnias Geripankó, Karuazu e Katokinn. A coordenação da resistência estava a cargo do ex-presidente da UNE, Aldo Arantes, que trabalhou no município entre 1967 e 1968.
O local ficou conhecido como a “Serra dos Perigosos” por abrigar essa escola de formação política e preparação para a resistência contra o regime militar.
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