Política

Senado aprova fim da escala 6x1 com apoio unânime da bancada de Alagoas

PEC prevê redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários; texto segue para promulgação

Por Thayanne Magalhães com Agências 15/10/2026 08h46 - Atualizado em 15/10/2026 08h52
Senado aprova fim da escala 6x1 com apoio unânime da bancada de Alagoas
Palácio do Congresso Nacional na Praça dos Três poderes em Brasília - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, na noite desta quarta-feira (14), em dois turnos de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. A matéria recebeu 75 votos favoráveis e um contrário em cada turno, resultado registrado no sistema oficial de votações da Casa. Com a aprovação, o texto segue para promulgação pelo Congresso Nacional. 

A proposta altera as regras constitucionais sobre a duração do trabalho e o repouso semanal remunerado. O objetivo é substituir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso por uma organização que assegure, ao final do período de transição, cinco dias de trabalho e dois de folga por semana, sem redução salarial.

A bancada de Alagoas votou favoravelmente à matéria. Os registros oficiais do Senado mostram votos “sim” de Renan Calheiros (MDB), Renan Filho (MDB) e Dra. Eudócia (PSDB) nos dois turnos. A votação integra o debate nacional sobre a redução da jornada de trabalho e seus possíveis efeitos na qualidade de vida dos trabalhadores, na organização das empresas e nas relações de trabalho.

O que muda com o fim da escala 6x1


Atualmente, a Constituição estabelece o limite geral de oito horas diárias e 44 horas semanais de trabalho, respeitadas as demais regras aplicáveis a cada categoria. A PEC aprovada reduz esse teto para 40 horas semanais e estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, preferencialmente com um deles aos domingos.

A mudança será implementada de forma gradual. De acordo com as informações divulgadas pelo Senado Federal, a transição está prevista em duas etapas:

60 dias após a promulgação: a jornada máxima semanal será reduzida para 42 horas, com garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
Após 14 meses da promulgação: o limite máximo chegará a 40 horas semanais.
O cronograma busca permitir que empregadores e trabalhadores adaptem as escalas e a organização das atividades às novas regras. A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, conforme previsto no texto aprovado.

A proposta também contempla a possibilidade de negociação coletiva para organizar a jornada e o descanso, respeitados os parâmetros constitucionais. O texto prevê ainda a edição de legislação complementar para estabelecer medidas de transição voltadas à manutenção dos empregos e à redução de eventuais impactos sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.

Como votaram os senadores de Alagoas


Os três parlamentares alagoanos citados na votação apoiaram a proposta nos dois turnos. A posição está registrada na página oficial de votação da PEC 221/2019, disponível no portal do Senado.

Durante a tramitação, os defensores da redução da jornada argumentaram que a ampliação do descanso pode favorecer a convivência familiar, o lazer, a saúde e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal. A discussão também envolve a situação das mulheres que acumulam trabalho remunerado e responsabilidades domésticas e de cuidado.

Entre as manifestações públicas sobre o tema, Renan Calheiros classificou a aprovação como uma vitória dos trabalhadores brasileiros. Renan Filho também defendeu a mudança e questionou argumentos contrários à redução da jornada, destacando que despesas essenciais, como aluguel, alimentação e transporte, não diminuem proporcionalmente às horas trabalhadas.

A senadora Dra. Eudócia, por sua vez, comemorou a aprovação no plenário e afirmou que a medida representa um avanço para trabalhadores de todo o país, incluindo os de Alagoas.

As declarações refletem a posição dos parlamentares favoráveis à PEC. Os efeitos econômicos e operacionais da mudança, por sua vez, dependerão da implementação das novas regras e da adaptação dos diferentes setores produtivos.

Próximos passos


Como se trata de uma proposta de emenda à Constituição, a PEC não depende de sanção presidencial. Após a aprovação nas duas Casas legislativas, o texto segue para promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

A mudança ainda não entra em vigor imediatamente com a votação. Os prazos de transição começam a contar a partir da promulgação da emenda constitucional, conforme as disposições aprovadas.

Até lá, permanecem aplicáveis as regras vigentes. Depois da promulgação, a implementação ocorrerá conforme o cronograma previsto, com redução progressiva da jornada máxima e garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

A aprovação representa uma mudança nas regras constitucionais sobre o tempo de trabalho e descanso no Brasil. A efetivação do novo modelo dependerá agora da promulgação e do cumprimento das etapas estabelecidas no texto aprovado pelo Senado.