Política

Campanha do PT vai às ruas para 'virar voto'

Estudantes e trabalhadores tomam iniciativa e montam agenda de mobilização em prol de Lula com ações no sábado (10) e domingo (11)

Por Emanuelle Vanderlei / Tribuna Independente 10/10/2026 08h13 - Atualizado em 10/10/2026 08h27
Campanha do PT vai às ruas para 'virar voto'
Iniciativa dos estudantes e trabalhadores é avançar com a mobilização pró-Lula que ocorre em outras capitais - Foto: Divulgação

Na busca pela virada no segundo turno, a mobilização dos apoiadores da reeleição do presidente Lula (PT) em Alagoas ganhou fôlego na última semana. Para além do esforço do próprio Partido dos Trabalhadores, há atividades sendo marcadas por iniciativa própria de estudantes, movimentos sindical, músicos, artistas populares e eleitores em geral.

O deputado Ronaldo Medeiros, presidente do PT em Alagoas, ressalta as múltiplas iniciativas. “Estamos muito bem. Vários eventos espontâneos estão sendo realizados por músicos, pessoal de quadrilhas, quilombos, indígenas, estudantes, professores, médicos, enfermeiros, psicólogos e movimento sindical, por exemplo”.

Com um crescimento significativo nas últimas eleições, o PT Alagoas triplicou a bancada em relação às eleições de 2022, quando havia conquistado apenas a cadeira de Ronaldo. Agora foram eleitos pela legenda a vereadora Teca Nelma e o deputado Marcos Barbosa. Essa força já foi direcionada para a mobilização, os três gravaram vídeo juntos para as redes sociais convocando os eleitores para a campanha do 2º turno.

O PT marcou para o sábado (10), no Sinteal, uma plenária geral onde deve reunir não apenas filiados, mas todos os apoiadores dispostos a participar da campanha.

Já no domingo (11), acontece na Praia 7 Coqueiros, em Maceió, um grande ato que foi convocado por estudantes da Ufal. A concentração está marcada para 9h.

De acordo com Valki Viana, presidente da UJS Alagoas e coordenador do GT Cultural e Desportivo do Centro Acadêmico de Pedagogia, a mobilização está sendo construída por várias mãos.

“A iniciativa partiu de várias pessoas diferentes e de grupos diferentes, mas com um único objetivo: ir às ruas para defender a reeleição do Presidente Lula. A mobilização surgiu a partir da agitação em massa dos estudantes, da juventude e da classe trabalhadora, a partir dos resultados das eleições no 1° turno, no último domingo”.

O estudante explica que há uma preocupação com as mudanças que podem acontecer no país em uma possível vitória da extrema direita.

“O Senado agora tem mais da metade do PL, partido mais extremista do nosso país, que estão mais alinhados as pautas que não favorecem a população de maneira geral, e claro, com a possibilidade que Flávio Bolsonaro vença as eleições o que pode deixar a situação bem pior”.

Lembrando o recente governo de Jair Bolsonaro, Valki acredita que haverá prejuízos.

“A juventude já está sentindo o impacto de um futuro governo da família Bolsonaro, não queremos passar pelo que passamos há mais de 4 anos atrás. Universidades sucateadas, o orçamento menor do que deveria, falta de valorização do trabalhador, falas problemáticas em cima de fala problemática que afetavam diretamente os corpos minoritários existentes no nosso país, e tudo isso vindo de um lado, e esse lado era e é o Bolsonarismo”.

Como já aconteceu em momentos decisivos da história, a juventude promete encampar a luta. “A nossa expectativa é um ato lindo, cheio, diverso e rebelde. Fazer as vozes de todos que estarão no dia 11 ecoarem os 4 cantos da capital e do estado como um todo”.

Essa é apenas uma das agendas na campanha do “Vira Voto”. Também na praia, por iniciativa do Partido, acontece no dia 18 um grande ato com o mote “Bora Lula”, a concentração está marcada para as 9h no Corredor Vera Arruda. Na última quinta-feira (8), foi realizada uma grande plenária ampliada do movimento sindical para pensar a atuação no segundo turno.

Izael Ribeiro, presidente do Sinteal, explica que há muito trabalho pela frente. “Nós estamos articulando as centrais e sindicatos, direcionando nossas forças para o diálogo direto com os trabalhadores e trabalhadoras no chão de fábrica, escolas e ambientes comunitários. Com isso queremos dialogar sobre pautas econômicas diretas valorização salarial, fim do arrocho, manutenção de empregos e proteção de direitos trabalhistas frente a projetos de flexibilização”.

Para o diálogo, o desafio é apresentar a realidade além do discurso da direita. “Precisamos combater o individualismo, é importante conversar com a sociedade para contrapor a narrativa do empreendedor de si mesmo, defender o fortalecimento da organização coletiva e da seguridade social”.

Já está em andamento uma agenda extensa. “Convocação de atos públicos, passeatas, panfletagens estratégicas e plenárias das categorias para alinhar a atuação até o dia da votação. Precisamos conversar sobre a preservação de direitos”.

O apoio está condicionado ao compromisso de melhoria. “As entidades buscam condicionar o apoio político à garantia de compromissos concretos com a pauta da classe trabalhadora no próximo mandato. Manutenção de reajustes salariais reais. Fim da escala 6x1 e redução da jornada de trabalho sem perda salarial. Fortalecimento das negociações coletivas e combate ao assédio no ambiente de trabalho. Defesa dos serviços públicos, da estabilidade e contra as propostas de desmonte estrutural”, reforçou Izael.