Política
Candidatos derrotados adotam posições diferentes diante do 2º turno entre Lula e Flávio Bolsonaro
Cury anuncia silêncio, Renan Santos rejeita os dois candidatos e PSD libera bases para decidir apoio; segundo turno acontece em 25 de outubro
Com a definição de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial, os candidatos que ficaram fora da disputa passaram a adotar estratégias diferentes em relação aos dois nomes que avançaram para a etapa final da eleição.
Entre os derrotados no primeiro turno, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentaram posições distintas, enquanto seus votos e suas estruturas partidárias passam a ser observados pelos dois candidatos que disputarão a Presidência em 25 de outubro.
Augusto Cury decide não apoiar nenhum dos dois
Terceiro colocado no primeiro turno, Augusto Cury afirmou que não pretende declarar apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro. O candidato do Avante disse que permanecerá em silêncio durante a segunda etapa da eleição e alertou que ninguém está autorizado a falar em seu nome para anunciar eventual apoio.
“Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno”, afirmou Cury.
O candidato também declarou que pretende deixar a vida político-partidária. Cury terminou o primeiro turno com 3,44 milhões de votos, correspondentes a 2,89% dos votos válidos.
Em uma manifestação após o resultado, o candidato defendeu que os dois concorrentes que chegaram ao segundo turno considerem propostas apresentadas durante sua campanha e pregou uma redução da polarização política.
Renan Santos também rejeita apoio
O candidato do Missão, Renan Santos, que terminou a primeira etapa em quarto lugar, também afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos.
Durante uma transmissão após a apuração, Renan fez críticas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro e afirmou que seus eleitores devem decidir individualmente o voto no segundo turno.

A posição mantém a postura que o candidato já havia apresentado durante a campanha, quando afirmou não estar disposto a apoiar os dois principais concorrentes em um eventual segundo turno.
PSD de Caiado libera diretórios
Já o PSD, partido de Ronaldo Caiado, adotou uma estratégia diferente. A legenda decidiu não indicar nacionalmente um dos candidatos e liberou seus diretórios estaduais, parlamentares e lideranças para definirem individualmente quem apoiar.
A decisão foi anunciada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, após a confirmação do segundo turno. Segundo a legenda, a orientação mantém a autonomia que os diretórios estaduais já tinham durante o primeiro turno.
Caiado terminou a disputa presidencial em quinto lugar, com cerca de 2,6 milhões de votos, ou 2,18% dos votos válidos. Após o resultado, o ex-governador de Goiás afirmou que manteria sua coerência e que conversaria com a direção nacional do partido antes de se posicionar sobre a segunda etapa.
“Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência”, declarou Caiado.
Votos dos derrotados entram no cálculo do segundo turno
A movimentação dos candidatos que ficaram pelo caminho ganhou importância porque os votos obtidos por eles representam uma parcela relevante do eleitorado que agora poderá decidir a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Além das posições individuais dos ex-candidatos, os partidos também passaram a discutir qual estratégia adotar na reta final da eleição. Enquanto algumas legendas caminham para um posicionamento mais definido, outras optam pela neutralidade ou pela liberação de suas bases.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro. A disputa começa agora em um cenário no qual os dois candidatos terão de buscar novos eleitores além de suas bases tradicionais e disputar o apoio — formal ou informal — de lideranças e grupos que ficaram fora da segunda etapa.
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