Política
Passageiros denunciam cobrança de passagem mesmo com gratuidade no transporte durante eleições em Alagoas
Usuários afirmam que tiveram de pagar pelo deslocamento entre municípios e relatam discussões com motoristas e cobradores
Passageiros que utilizaram o transporte intermunicipal durante o período das eleições em Alagoas relatam que tiveram de pagar pelas viagens, apesar da gratuidade anunciada para o deslocamento de eleitores no primeiro turno, realizado neste domingo (4).
A medida havia sido regulamentada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal) com o objetivo de garantir que os eleitores pudessem se deslocar entre os municípios para exercer o direito ao voto.
Segundo relatos de usuários, entretanto, a determinação não teria sido cumprida em alguns veículos. Além da cobrança, passageiros afirmam que alguns motoristas teriam deixado de circular durante o período eleitoral, enquanto os veículos que permaneceram em operação continuaram cobrando normalmente.
Uma das situações relatadas ocorreu na manhã do domingo (4), em uma van que realiza o transporte entre Quebrangulo e Maceió. De acordo com passageiros, o motorista e o cobrador não aceitaram o comprovante de votação apresentado por usuários e informaram que a passagem deveria ser paga. Ainda segundo os relatos, o cobrador teria argumentado que os trabalhadores não eram funcionários do governo e, por isso, não teriam obrigação de transportar os passageiros gratuitamente.
A situação teria provocado discussão dentro do veículo. Passageiros que se recusaram a pagar foram orientados a deixar a van. Um dos usuários questionou a cobrança e afirmou que, sendo uma determinação oficial, a gratuidade deveria ser respeitada. Conforme o relato, o cobrador respondeu que não tinha conhecimento da existência da regra.
Cobrança continuou nesta segunda-feira
Os relatos de cobrança também chegaram ao transporte intermunicipal nesta segunda-feira (5). Um passageiro que utilizou uma van na manhã desta segunda afirmou que precisou pagar pela viagem mesmo tendo se deslocado para cumprir uma obrigação eleitoral.
“Tive que pagar a passagem normalmente. A gente ouviu que o transporte seria gratuito para quem fosse votar, mas, na prática, tivemos que pagar”, disse um passageiro que foi votar em Paulo Jacinto, interior de Alagoas e retornou na manhã de hoje para Maceió.
Segundo o passageiro, todos os usuários que estavam no veículo também pagaram pela viagem." E não foi apenas eu, todos que voltaram da cidade para Maceió, pagaram os R$ 30,00 do valor da passagem.
Em Viçosa, passageiros também afirmam que houve cobrança. Eleitores que viajaram para o município para votar relataram ter pago pelo transporte e, no retorno para a capital, nesta segunda-feira, também tiveram que desembolsar o valor da passagem.
Gratuidade
A regulamentação divulgada pela Arsal previa transporte intermunicipal gratuito no domingo de votação, com a manutenção da operação da frota para atender os eleitores.
A orientação também estabelecia regras específicas para quem optasse por viajar no sábado (3) e retornar na segunda-feira (5), incluindo a apresentação de documentos que comprovassem o deslocamento relacionado à votação.
A agência informou ainda que realizaria fiscalização para acompanhar o cumprimento da gratuidade e a oferta do serviço durante o período eleitoral.
Usuários que afirmam ter sido cobrados podem registrar reclamações junto à Arsal. A orientação é reunir informações que possam ajudar na identificação do veículo e dos responsáveis pela operação, além de fotos, vídeos ou outros registros da ocorrência.
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