Política

TRE-RJ barra candidatura de deputada ligada a alagoano apontado como vice-líder do CV

Por Tribuna Hoje com agências 29/09/2026 10h28 - Atualizado em 29/09/2026 10h33
TRE-RJ barra candidatura de deputada ligada a alagoano apontado como vice-líder do CV
Mariana de Souza teve registro indeferido por unanimidade; MPE apontou vínculo com organização criminosa, e defesa nega ligação com a facção - Foto: Reprodução


O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu, por unanimidade, o registro da candidatura de Mariana de Souza (Federação União Progressista) à Câmara dos Deputados. A decisão foi tomada no último dia 11, após pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou vínculo da candidata com integrantes do Comando Vermelho (CV).

Entre os principais elementos analisados pela Justiça Eleitoral está o casamento de Mariana com Wilson Marques de Albuquerque, conhecido como “Zé Dirceu” e “Alex”. Segundo informações apresentadas no processo, ele é apontado pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) como vice-líder do Comando Vermelho no estado. Ele está foragido e possui condenações por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Votação em áreas sob influência do CV

O MPE também apresentou dados sobre a votação obtida por Mariana nas eleições de 2024. Segundo a Procuradoria, 1.451 votos, equivalentes a 81,3% do total recebido pela candidata, foram registrados em áreas que o órgão aponta como sob influência do Comando Vermelho, incluindo regiões do Complexo da Penha.

A concentração dos votos foi considerada pelo Ministério Público como um dos elementos para sustentar a suspeita de influência da organização criminosa sobre a candidatura. A decisão do TRE-RJ também menciona doações de campanha feitas por pessoa condenada por tráfico.

Alagoano está foragido desde 2017

Wilson Marques de Albuquerque fugiu, em setembro de 2017, do Presídio de Segurança Máxima 2, em Maceió. Ele estava entre os detentos que escaparam da unidade após a violação das grades de uma cela.

Wilson Marques de Albuquerque I Foto: SSP-AL

Segundo as informações reunidas no processo, Wilson acumula condenações por crimes relacionados ao tráfico de drogas e possui mandados de prisão em aberto.

MPE citou possível aproximação com política em AL

O Ministério Público Eleitoral também mencionou no processo uma investigação envolvendo outra liderança do Comando Vermelho em Alagoas.

Segundo o material citado pelo MPE e divulgado pelo jornal O Globo, um áudio interceptado registra José Emerson da Silva, conhecido como “Nem Catenga”, orientando um influenciador digital a disputar uma vaga de vereador em Maceió para atuar em benefício do grupo.

O episódio foi apresentado pela Procuradoria como parte do contexto de uma possível tentativa de aproximação da organização criminosa com a política alagoana.

Defesa nega vínculo com facção

A defesa de Mariana recorreu da decisão e afirmou que ela desconhecia o passado e a condição de foragido do marido. Segundo os advogados, Wilson teria se apresentado a ela com outra identidade e, depois que ela tomou conhecimento do histórico criminal, rompeu o relacionamento.

Em publicação nas redes sociais, Mariana negou qualquer ligação com o Comando Vermelho e afirmou que estaria sendo discriminada por morar em uma comunidade.

A defesa também contestou a interpretação dada pelo MPE aos votos obtidos pela candidata. Os demais citados nas acusações não foram localizados para manifestação.

Caso ainda será analisado

O indeferimento do TRE-RJ não encerra a disputa judicial sobre o registro. Mariana pode recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a situação da candidatura ainda pode ser alterada durante a tramitação do recurso.