Política

Caixas com reprodução de dinheiro fazem referência a investimentos do Iprev no Banco Master

Por Tribuna Hoje com agências 19/09/2026 15h55
Caixas com reprodução de dinheiro fazem referência a investimentos do Iprev no Banco Master
As estruturas foram distribuídas por diferentes regiões da capital, incluindo a orla, o Centro e o bairro do Farol. Uma delas foi colocada no Terminal do Benedito Bentes - Foto: Assessoria

Moradores de Maceió encontraram, na manhã deste sábado (19), uma intervenção com caixas cenográficas revestidas por imagens de cédulas de R$ 100 e mensagens relacionadas aos R$ 97 milhões investidos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Iprev) no Banco Master durante a gestão do prefeito JHC.

As estruturas foram distribuídas por diferentes regiões da capital, incluindo a orla, o Centro e o bairro do Farol. Uma delas foi colocada no Terminal do Benedito Bentes. No local, uma mensagem questionava a aplicação dos recursos e afirmava que o banco teria “roubado” o dinheiro de Maceió. A intervenção não apresentava, de forma visível, informações sobre quem havia instalado as estruturas.

Os R$ 97 milhões mencionados no material correspondem a dois aportes feitos pelo Iprev em letras financeiras do Banco Master. O primeiro, de R$ 80 milhões, ocorreu em 6 de dezembro de 2023. O segundo investimento, no valor de R$ 17 milhões, foi realizado em 13 de maio de 2024. As duas operações ocorreram durante a administração de JHC à frente da Prefeitura de Maceió.

Investigação


De acordo com informações levantadas pela Polícia Federal, a política de investimentos do Iprev estabelecia, em 2023, exposição de até 0% em ativos bancários. No ano seguinte, o percentual permitido passou para 5%. Ainda segundo a investigação, entretanto, a participação dos recursos do instituto concentrada no Banco Master teria chegado a aproximadamente 20%.

A PF também apontou questionamentos relacionados à fundamentação técnica das operações e à profundidade das análises realizadas antes dos investimentos, incluindo aspectos como risco, liquidez, capacidade financeira e outras opções disponíveis no mercado.

As operações passaram a ser alvo de apurações envolvendo suspeitas de irregularidades no credenciamento, simulação de cotações, possível conflito de interesses e eventual recebimento de vantagens associado à destinação dos recursos.

O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) decidiu, por unanimidade, transformar em auditoria o processo que analisa a aplicação dos R$ 97 milhões. A medida, porém, não significa condenação dos envolvidos, que continuam com direito à defesa durante a apuração.

Situação dos recursos


Depois que o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, o Iprev declarou que não havia, naquele momento, prejuízo consolidado relacionado aos investimentos. O instituto informou ainda que o crédito havia sido habilitado no processo de liquidação.

O Iprev também afirmou que os R$ 97 milhões investidos no banco representavam aproximadamente 8% do patrimônio total da instituição.