Política

Aldo Rebelo acusa João Caldas de tramar contra Arthur Lira

Ex-deputado federal também revelou que rompeu politicamente com pai de JHC ao saber das denúncias sobre o Banco Master

Por Emanuelle Vanderlei / Tribuna Independente 16/09/2026 08h21
Aldo Rebelo acusa João Caldas de tramar contra Arthur Lira
João Caldas é acusado por Aldo Rebelo de tramar situações políticas para prejudicar o candidato ao Senado, Arthur Lira e seu filho - Foto: Divulgação

O ex-deputado e ex-presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo, concedeu, na última segunda-feira (14), uma entrevista à Rádio Jovem Pan Maceió, e trouxe à tona situações conflituosas de bastidores em relação ao ex-deputado João Caldas, que hoje preside nacionalmente o partido Democracia Cristã (DC). Rebelo associou o seu rompimento político com João Caldas ao escândalo do Banco Master, e o acusou de tentar prejudicar Arthur Lira (PP) através de articulações no Supremo Tribunal Federal (STF).

No primeiro semestre deste ano, João Caldas articulava para que Aldo Rebelo fosse candidato à presidência da República, situação que não se confirmou.

Alegando ter informações de bastidores em Brasília, Aldo Rebelo mencionou o movimento de João Caldas contra Arthur Lira.

“Arthur Lira foi outro que João Caldas também procurou prejudicar. Primeiro, usando o partido e um deputado que diz que não se filiou para uma ação no Supremo contra a pretensão de lançar o filho a deputado federal. Era só para prejudicar essa candidatura do filho de Arthur Lira. E depois, circulou em Brasília a notícia de João Caldas procurando fontes do Supremo Tribunal Federal para apressar a julgar ações que envolveriam Arthur Lira no caso das emendas. Isso também João Caldas procurou fazer. Eu sei por que os amigos que eu tenho em Brasília perguntaram o que é que João Caldas tinha contra Arthur Lira para procurar prejudicá-lo junto ao Supremo Tribunal Federal. Eu não sabia direito, mas depois surgiu o caso da ação oculta da candidatura do filho”, disse Rebelo.

João Caldas apresentou, em julho deste ano, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no STF. Ele questionou a mudança de legislação realizada em 2025, conhecida como “Lei Alvinho”, que poderia dar as condições para que Álvaro Lira (PP), filho de Artur Lira, pudesse concorrer às eleições mesmo não tendo a idade mínima no dia da posse. Álvaro só terá a idade exigida em março de 2027, quase três meses depois da posse.

A iniciativa, segundo especulações de bastidores como a de Aldo Rebelo, seria de que Caldas não estaria preocupado com a legislação, e sim em pressionar Lira por conta do impasse que estava instalado nas negociações para fazer a aliança eleitoral deste ano. Vale lembrar que a aliança ficou em aberto mesmo após as convenções, e só se consolidou no limite do prazo para publicação da ata, e ainda assim eles demoraram alguns dias para começar de fato a aparecer juntos nas agendas de campanha.

PREOCUPAÇÃO

Rebelo foi anunciado no ano passado como pré-candidato a presidente pelo DC. A convite do próprio João Caldas, ele estava em pré-campanha, quando ficou sabendo que não seria mais candidato. Sobre isso, ele afirma que Caldas tentou se prevenir de processos sobre o banco Master.

“Apareceu que a Prefeitura do Maceió, pelo Instituto de Previdência, teria adquirido uma quantidade de papéis podres do Banco do Master, como a Previdência do Rio de Janeiro, do Amapá, e de outras prefeituras. Era dinheiro dos aposentados, empregados em títulos podres de um banco que tinha sido também apodrecido. Quando essa notícia apareceu, a Polícia Federal pediu ao Tribunal Federal a autorização para investigar todos esses casos, inclusive o de Maceió. E aí eu vi o presidente, o João Caldas, entrar em pânico, e começar a se preocupar com isso”, relatou.

Segundo Rebelo, suas falas públicas estavam incomodando. “O João Caldas começou a ficar preocupado, principalmente com as minhas críticas ao Supremo. Eu tinha feito críticas recorrentes ao Supremo, aos superpoderes, ao abuso do Supremo em usurpar atributos dos demais poderes. E essas minhas críticas começaram a preocupar o João Caldas, porque disseram a ele que essa investigação do Banco Master era da responsabilidade do Supremo. E que um candidato do partido dele crítico ao Supremo poderia criar dificuldade”.

A troca de presidenciável, na visão do ex-deputado, teria partido daí. “De repente, sem conversar comigo, e nem com ninguém mais do partido, ele vem com a ideia de lançar Joaquim Barbosa candidato no meu lugar. Sem que Joaquim Barbosa se manifestasse sobre isso. Há, inclusive, quem diga que Joaquim Barbosa nunca aceitou ser candidato a nada. Que Joaquim Barbosa foi usado por João Caldas apenas para retirar a campanha de alguém que não havia posições críticas em relação ao Supremo, que era outro caso. A retirada da candidatura estava relacionada com o escândalo do Banco Master e com o possível envolvimento da gestão da Prefeitura de Maceió na aquisição desses títulos públicos”, disse Aldo.

O afastamento aconteceu, e com isso ele tem se sentido à vontade para expor os bastidores. “Eu desfiliei do partido, não ia ficar no partido em litígio contra o presidente. Que eu conhecia desde o escândalo da sanguessuga, quando eu era presidente da Câmara, e João Caldas foi acusado de arranjar 19 prefeituras, comprar ambulâncias. E as ambulâncias pagaram em propina, e ele chegou a ser condenado por uma juíza do Mato Grosso por causa dessas acusações”.

SEM RESPOSTA

A Tribuna Independente tentou contatos com João Caldas e Arthur Lira, citados pelo ex-presidente da Câmara Federal, Aldo Rebelo, mas até o fechamento desta edição, não houve resposta.