Política

Segurança hídrica e combate aos efeitos da seca pautam debate sobre Canal do Sertão

Sessão reuniu representantes de secretarias estaduais responsáveis pelo planejamento ambiental, segurança hídrica, operação e acesso à água

Por Ascom ALE 04/09/2026 19h09
Segurança hídrica e combate aos efeitos da seca pautam debate sobre Canal do Sertão
Sessão especial aconteceu nesta sexta-feira (4) - Foto: Ascom ALE

Com o objetivo de debater o papel do Canal do Sertão na mitigação dos efeitos da seca e do El Niño no Sertão alagoano, a Assembleia Legislativa realizou uma sessão especial na manhã desta sexta-feira, 4. A proposta foi de iniciativa do deputado Judson Cabral (PT) e aprovada por todos os parlamentares da Casa de Tavares Bastos. A sessão reuniu representantes de secretarias estaduais responsáveis pelo planejamento ambiental, segurança hídrica, operação e acesso à água, e pela situação física da obra.

O presidente da Casal, Luiz Cavalcante Peixoto, cujo órgão é responsável pela gestão do Canal do Sertão, disse que a partir de 2023, após diretriz apresentada pelo governador Paulo Dantas, ficou responsável por toda infraestrutura de canal, bombeamento e de equipamentos elétrico mecânicos. “Ou seja, a partir dessa data, a Casal passou a ser não apenas usuária, pois já realizamos captação de água do Canal do Sertão em alguns pontos e, agora, evoluimos para o status de gestora da infraestrutura”, contou Peixoto, explicando que após essa regulamentação houve mais tecnicidade para a gestão do Canal.

“Atualmente já bombeamos cerca de três metros cúbicos por segundo de água, sendo a maior parte dessa vazão para o abastecimento humano.”, informou o presidente da Casal, acrescentando que cerca de metade da obra já foi executada e que após sua conclusão, o objetivo é bombear 32 metros cúbicos por segundo. Luiz Peixoto observou que a finalidade do Canal do Sertão, ao ser projetado, foi para a irrigação, uma parte para outros usos e abastecimento humano. “Mas diante do atual contexto, o canal é uma alternativa para que tenhamos a garantia da segurança hídrica”.

Representando a Seinfra (Secretaria de Estado da Infraestrutura), o engenheiro Alexandre Barros, que responde pela Superintendência de Segurança Hídrica e está lotado no órgão desde 2011, informou que vem acompanhando as obras do Canal do Sertão desde a execução do segundo trecho. Ele frisou que o Canal é uma obra 100% alagoana e discorreu sobre os objetivos, o que já foi executado e qual a atuação da Seinfra na obra. “O Canal do Sertão cruzará 17 cidades e irá beneficiar 46 municípios, com apenas uma estação elevatória, situada em Delmiro Gouveia”, disse o superintendente, acrescentando que atualmente a obra, projetada para 250km, está com cinco trechos concluídos, num total 123 km, todos em execução. Segundo ele, já foram aplicados cerca de R$ 2,3 bilhões em recursos do Estado e da União.

O secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Ygo da Costa Araújo, destacou a importância da obra para o Estado, devido a sua magnitude, e também pelo momento que a região sertaneja vivencia. “Não podemos acabar com a seca, mas precisamos conviver com ela, e também, agora, esse fenômeno do El Niño. Com isso, o Canal do Sertão se torna um ponto muito importante de captação de água, trazendo esperança de mitigarmos esse evento”, refletiu o secretário, acrescentando que a perspectiva, ao final das obras do Canal, é a de que mais de um milhão de alagoanos sejam beneficiados.

Com relação ao El Niño, o gestor da Semarh lembrou que no último dia 24 desse mês publicou o decreto nº 110.661, que cria o comitê do El Niño, em Alagoas, o que, segundo ele, mostra que o Estado tem dado exemplo nas ações de mitigações ao fenômeno climático. “Poucos estados da federação criaram comitês e estão atuando diretamente com o Governo Federal para mitigar os efeitos desse evento climático”, informou Ygo Araújo, complementando que 24 órgãos e entidades participam do comitê. “O foco é mapear as ações que cada órgão vem realizando e transformá-las em ações conjuntas no que diz respeito a infraestrutura, saúde e abastecimento, além da segurança alimentar e da produção agrícola e pecuária”, explicou.

A sessão especial contou ainda com a participação da deputada Elida Miranda (PT), do defensor público Othoniel Pinheiro, do presidente da Comissão de Emergências Climáticas da OAB/AL, Alder Flores, da representante do IMA, Mariana de Oliveira Lins, do secretário do Meio Ambiente do município de Pilar, Marçal Fortes.