Política
JHC faz ofensiva judicial contra jornalistas e veículos de imprensa
A campanha eleitoral em Alagoas tem sido marcada por uma avalanche de ações na Justiça por parte de João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), contra jornalistas, críticos, influenciadores e veículos de comunicação. Ex-prefeito de Maceió, JHC é candidato a governador e tem como principal adversário o senador Renan Filho (MDB). A quase totalidade das investidas judiciais tem como motivação notícias sobre o escândalo do banco Master.
Sob a gestão de JHC, a prefeitura autorizou o Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) a aplicar 117 milhões em títulos do Master, que viria a ser liquidado pelo Banco Central. Em dez de agosto, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do Iprev e em outros endereços em Maceió.
Nos últimos meses, ainda na pré-campanha, profissionais da imprensa e sites de notícias começaram a ser processados por JHC. A consequência recorrente é a imediata derrubada de conteúdo dos veículos e de redes sociais. Os advogados alegam que o candidato não é parte na investigação do escândalo.
Um dos alvos da ofensiva judicial é a jornalista Bleine Oliveira, com larga trajetória na imprensa alagoana. Ela gravou um vídeo no qual aparece chorando e se dizendo “violentada” e “indignada” com a situação. Segundo ela, responde por várias ações do ex-prefeito. A jornalista defende reação e resistência diante da estratégia de assédio judicial.
A partir de uma busca no sistema público da Justiça Eleitoral, estima-se que o grupo de JHC tenha movido mais de 200 ações contra diferentes profissionais, influenciadores, críticos em geral e veículos. O candidato também tem evitado dar entrevistas e participar de sabatinas em emissoras estaduais de comunicação.
“JHC só quer responder perguntas de quem ele controla”, diz o jornalista Cadu Amaral, que também foi processado pelo candidato. Para o jornalista Edivaldo Junior, o nível de judicialização pela campanha de JHC “está longe de ser episódica”. A frequência para ele é cada vez mais “perturbadora”.
Diante da dimensão dos vários exemplos, o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas divulgou nota sobre a controvérsia. A entidade expressa “preocupação com o crescente número de ações judiciais envolvendo jornalistas e veículos de comunicação no exercício da atividade profissional”.
Pelo número de ações fora do comum, a situação da campanha em Alagoas chamou atenção da mídia nacional. Veículos da grande imprensa como O Globo e UOL já trataram do assunto. Entidades apontam a prática de censura prévia e, mirando os profissionais, o constrangimento e a tentativa de intimidação.
Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) foram informadas da situação pelo Sindicato dos Jornalistas de Alagoas. A mobilização é um caminho para frear qualquer forma de restrição ao direito de expressão e à liberdade de imprensa.
Mais lidas
-
1True Crime
A Morte da Esposa do Pastor: a história real de Mica Miller
-
2Tem filme para todos os gostos!
Vem por aí! 7 estreias imperdíveis nos cinemas em setembro
-
3Queda
Empresário morre após sofrer acidente na área de lazer da própria casa em Palmeira dos Índios
-
4Daniel Fernandes
Geólogo de MT guarda diamantes raros e atrai a ciência
-
5Infarto
Padre de 29 anos é encontrado morto em quarto de hotel





