Política
Projetos faraônicos de JHC contrastam com obra abandonada no Mercado da Produção
Feirantes denunciam inauguração “fake” em abril de obra que custou R$ 240 milhões e nunca funcionou; estádio e autódromo anunciados por Cunha vão custar R$ 2,1 bilhões
Um mês antes das eleições para o governo de Alagoas, a Prefeitura de Maceió anunciou duas obras faraônicas na capital alagoana. Somados, o estádio de futebol batizado de “Arena dos Corais” e o autódromo em circuito oval propostos pelo ex-prefeito João Henrique Caldas (PSDB) e pelo vice, Rodrigo Cunha (PSDB), que assumiu o mandato em abril com a renúncia do agora candidato ao governo, estão orçados em R$ 2,1 bilhões.
O valor, a título de comparação, representa 36,8% de todo o orçamento de Maceió para o ano de 2027, calculado em R$ 5,7 bilhões. O custo astronômico dos projetos contrasta com o valor proporcionalmente de outra iniciativa - mais modesta -, lançada em dezembro de 2025 e que hoje está abandonada.
Poucos dias antes de deixar a Prefeitura de Maceió para disputar o governo do Estado, JHC inaugurou as obras do novo Mercado da Produção, no bairro da Levada. “O Mercado da Produção tá massa”, disse o então prefeito em suas redes sociais.
Com um custo de R$ 240 milhões, as instalações deveriam oferecer “áreas climatizadas, câmaras frias, praça de alimentação” e um estacionamento para 160 veículos. “Deveriam” porque, na verdade, a entrega da primeira fase da obra inaugurada por JHC nunca passou de uma encenação para as redes sociais do ex-prefeito. A primeira fase da obra de fachada de JHC até hoje não dispõe sequer de banheiros.
A denúncia é feita pelos 2.024 permissionários que deveriam estar trabalhando no local, fechado até hoje. “Rapaz, não tá entregando, não tá nada. Não tem nem como a gente explicar. Já tá com quatro meses que ia realocar o pessoal e até agora não realocou nem nada. Nem ninguém está aí. Não tem banheiro pronto, não tem nada”, diz um feirante que pediu para não ser identificado com medo de represálias da Prefeitura de Maceió.
“Ele não entregou. Ele inaugurou. Mostraram uma inauguração, os permissionários dentro. Mas só foi pra mostrar. Depois todo mundo saiu. Foi só pra dizer que inaugurou. Não chegou a entregar não, ninguém chegou não. Nem banheiro tem nessa obra ainda, na primeira etapa”, afirma o comerciante.
O projeto inicial das obras previa a reforma do antigo Mercado da Produção, adequando as instalações com climatização, câmaras frias e equipamentos de mobilidade. Em sua gestão, JHC decidiu que a obra seria transferida para a área onde existia um supermercado, na mesma estrutura da antiga Ceasa.
De acordo com o permissionário, os comerciantes puderam entrar nas novas instalações apenas no dia da inauguração “fake” encenada por JHC. Depois da esperança de melhoria, o que ficou foi a sensação de abandono causada pela proibição do acesso.
“Se chegarem aqui perguntando onde é o mercado novo, só na internet. Como é que eu vou dizer, se o estacionamento tá fechado, se não tem ninguém? Aquilo [a inauguração] foi só aquele dia. O dia que foi a inauguração. Veio um monte de influenciador, andou aí, os permissionários entraram. Mas também, depois, todo mundo saiu, lacrou e pronto. Ninguém trabalhou”, relata o feirante.
Os permissionários vivem uma incerteza que não é explicada pela Prefeitura de Maceió. Sem uma perspectiva de entrega verdadeira, tudo que os trabalhadores ouvem é que as obras esbarraram em um “problema estrutural”.
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JHC obras faraônicas.mp4

