Política

Pastor Wellington do Pinheiro é o primeiro pastor progressista a disputar pelo PT vaga de deputado federal

Por Assessoria 03/09/2026 09h59 - Atualizado em 03/09/2026 10h04
Pastor Wellington do Pinheiro é o primeiro pastor progressista a disputar pelo PT vaga de deputado federal
Pastor Wellington do Pinheiro - Foto: Assessoria



Uma das principais lideranças na luta em defesa das dezenas de milhares de pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas em Maceió em decorrência do crime socioambiental provocado pela Braskem, o pastor Wellington do Pinheiro foi escolhido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas nas eleições de 2026.

Nascido em Sergipe, em 1970, foi ordenado pastor na Igreja Batista de Timbaúba, em Pernambuco, em 1991. É formado em Teologia (pelo STBNB). Pastor Presidente da Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, desde 1993, Wellington construiu sua trajetória política e religiosa marcada pela defesa dos direitos humanos, da justiça social e da diversidade, atua na defesa da população LGBTQIAPN+, por meio de um ministério voltado à afirmação e ao acolhimento da diversidade.

Em 2021, recebeu Menção Honrosa no Prêmio Alagoas de Direitos Humanos, promovido pela Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh/AL), em reconhecimento à sua trajetória de atuação na defesa dos direitos humanos no estado.

Uma nova perspectiva para a participação evangélica na política
Wellington integra uma articulação de evangélicos que defende uma nova formulação política para esse segmento da sociedade, em contraposição ao modelo que se consolidou em setores da chamada Bancada Evangélica no Congresso Nacional. Para o pastor, a fé deve estar a serviço da emancipação e da cidadania.

“Nossas vidas são imbricadas com a fé. Nós temos a fé dos povos originários, a fé do povo de terreiro, a fé cristã (católica, espírita e evangélica). Nós somos, sim, um povo de fé. E eu conto com o voto de quem crê e o voto de quem não crê. A fé não pode ser instrumentalizada. E aqui, sendo autocrítico, nem para a direita, nem para a esquerda. A fé tem que ser instrumento de libertação, de cidadania, de emancipação do ser humano”, ressalta Wellington.

Na luta por justiça territorial
Desde 2018, o pastor se tornou uma das vozes mais atuantes na defesa das famílias atingidas pelo afundamento do solo provocado pela mineração de sal-gema realizada pela Braskem em Maceió. Sua atuação envolve a articulação de moradores, movimentos sociais e organizações na busca por justiça, reparação e reconhecimento dos impactos provocados pela tragédia.
O crime ambiental levou à desocupação de bairros inteiros da capital alagoana e provocou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas.

A relação de Wellington com o território atingido é também pessoal e histórica. A Igreja Batista do Pinheiro, da qual é pastor desde 1993, está instalada no bairro desde a década de 30. Com o esvaziamento compulsório da região e a transformação do Pinheiro, o pastor passou a incorporar o nome do território à sua identificação política: Pastor Wellington do Pinheiro.

Da atuação comunitária à política
Em sua primeira disputa eleitoral, em 2024, Wellington foi o terceiro candidato a vereador mais votado do PT em Maceió, tornando-se o terceiro suplente da Câmara Municipal. Agora, ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, pretende levar para o Congresso as pautas que marcaram sua trajetória de atuação social e comunitária.

“Nós estamos de fato numa disputa, repito, não para ocupar um espaço de poder, mas para tentar usar esse espaço para chamar as pessoas a uma reflexão. A nossa cidade tem uma ferida aberta. Mais de 100 mil pessoas atingidas direta e indiretamente, seis bairros foram destruídos pela ganância. Então, sou evangélico, sou pastor e quero ser representante do povo, e não tenho medo de dizer: serei um representante radical daquele povo, que é maioria”, afirma.

Bandeiras da candidatura
Para 2026, a candidatura de Pastor Wellington do Pinheiro tem entre suas principais bandeiras o fim da escala 6x1, a reparação integral às vítimas do caso Braskem, o fortalecimento da agricultura familiar através de uma política séria de reforma agrária, além da defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da escola pública e do Estado laico. Sua candidatura busca também aproximar fé, direitos humanos e participação política, enfrentando fundamentalismos e defendendo o diálogo entre diferentes tradições religiosas e formas de viver e compreender a sociedade.

Pastor progressista e defensor da diversidade, pastor Wellington afirma que sua atuação política parte de uma convicção: a fé precisa estar ligada à vida concreta das pessoas. Nesse sentido, apresenta sua candidatura como um compromisso com a defesa da dignidade humana, da justiça social e dos direitos de todas as pessoas que vivem em Alagoas e no Brasil, sem preconceitos e sem discriminação.