Política
Campanhas já ocupam as ruas, mas prestação de contas ainda engatinha em Alagoas
Conforme prestações de contas à Justiça Eleitoral, candidaturas ao Governo do estado e Senado vivem de doações
Há mais de uma semana que a campanha eleitoral ganhou oficialmente as ruas dos municípios alagoanos. Desde o dia 16 de agosto, é visível o investimento em serviços e materiais dos candidatos. Com identidade visual pronta, panfletos, adesivos de carro, preguinhas de roupa e bandeiras nas ruas, é notório o recurso financeiro que circula.
Mas pelo visto, o recurso ainda não chegou. Pela prestação de contas apresentada no portal Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de todas as candidaturas majoritárias, apenas o MDB recebeu alguma ajuda do partido. Foram enviados do fundo partidário, desde o dia 13 de agosto, R$ 115.000,00. Parte desse valor, R$ 50 mil, foi utilizada para pagar o instituto de pesquisa Datatrends. Outros R$ 50 mil enviados ao senador candidato a reeleição, Renan Calheiros. E mais R$ 15 mil repassados para o outro candidato a Senado, Dr. Wanderley.
As candidaturas ao governo, no entanto, foram abastecidas com doações diretas. No caso de Renan Filho (MDB), o próprio candidato enviou um Pix de R$ 100 mil de doação para a campanha. Essa é a única receita que consta na campanha dele até agora. Ainda não foi registrada na página da Justiça Eleitoral nenhuma despesa com essa campanha.
Já JHC (PSDB), está com o dobro do valor. Ele também recebeu uma única doação, de R$ 200 mil. Não foi feita pelo próprio candidato, mas vem da família. A doação partiu do sogro do ex-prefeito de Maceió, Mário Roberto Cândia de Figueredo, pai da candidata ao Senado Marina Cândia (PSDB). Desse montante, o ex-prefeito de Maceió já teve despesas de R$ 30 mil reais, todos com impulsionamento de conteúdo nas redes sociais.
Os partidos Republicanos, Progressistas, PDT, PT, Missão, PSTU, Rede, Podemos, PL, Cidadania, PRD, DC, PRTB, PCO, Novo, Dem, Agir, PSB, PV, União Brasil, PSDB, PSOL, PSD, PcdoB, Avante, Solidariedade e UP estão todos sem nenhuma prestação de contas até agora.
SENADO
Para o Senado, até agora só dois, dos sete candidatos, prestaram contas de recursos. Renan Calheiros, que recebeu R$ 50 mil do fundo partidário, declarou o valor. Mas ele não listou ainda nenhuma despesa, está apenas com a receita intacta.
Já Marina Cândia recebeu uma doação de seu pai, Mário Roberto Cândia de Figueredo. Nesse caso, ele repassou R$ 100 mil para ajudar na campanha da filha, dos quais R$ 10 mil foram gastos com impulsionamento de conteúdo nas redes sociais.
Arthur Lira (PP), Davi Davino (Republicanos), Wanderley (MDB), Alexandre Fleming (UP) e Mariedson (Dem), não prestaram contas de nada ainda, segundo as atualizações da Justiça Eleitoral.
Desde junho, foi oficializado o valor que será repassado de Fundo Especial De Financiamento De Campanha (FEFC) para cada partido. Mas a fatia que cada um receberá nacionalmente, é distribuída com base em decisões e critérios internos, e por isso não se sabe ainda quanto será repassado para cada estado, muito menos por candidatura. O valor total repassado, considerando todos os partidos, é de R$ 4,96 bilhões.
Nacionalmente, o Partido Liberal (PL) é a sigla com maior valor, em torno de R$ 881 milhões. No entanto, aqui em Alagoas há poucas candidaturas, apesar de o vice da chapa presencial ser daqui do Estado, então outros estados devem ser priorizados. O segundo maior no país é o Partido dos Trabalhadores (PT), que recebe R$ 615 milhões. Sem candidaturas majoritárias, também não deve receber grande fatia desse montante.
O terceiro maior fundo, nacionalmente falando, é o União Brasil. Serão cerca de R$ 526 milhões em fundo eleitoral. Da mesma forma, apenas com candidaturas a deputados, Alagoas provavelmente receberá pequena parte do recurso.
O maior partido de Alagoas, que terá governador, dois senadores, chapa completa para deputado federal e muitos estaduais, tem nacionalmente apenas a metade dos recursos que PL apresenta. São R$ 400 milhões para todo o país. O PSDB com tamanho de chapa similar, é ainda pior, já que vem encolhendo nos últimos anos e recebe esse ano R$ 147,8 milhões. JHC, que vinha no PL até o início deste ano, deve precisar de bastante apoio externo para suprir a diferença de recursos recebidos comparado com a campanha de prefeito em 2024.
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