Política
Adeal mira sururu na merenda escolar
Agência de Defesa e Inspeção Animal está produzindo laudo que dará autorização à Semed para incluir molusco na dieta
O sururu ainda não entrou no cardápio da merenda escolar dos alunos da rede pública municipal de ensino porque depende de autorização dos órgãos de defesa animal e vigilância sanitária. Assim que a autorização for liberada, o sururu será servido aos alunos de cinco escolas municipais de Maceió, como parte de um projeto-piloto que visa unir nutrição, valorização cultural e fortalecimento da economia local.
Segundo a assessoria de comunicação da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), foi aberto um processo para avaliar essa possibilidade, a pedido da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed).
“Atualmente, o processo encontra-se no setor de Defesa Sanitária Animal da Adeal para apresentação dos pontos necessários no processo de regularização dos locais de pesca/captura do referido molusco bivalve, para que seja analisado a viabilidade do pescado e em caso positivo, a regularização da possível unidade de beneficiamento do mesmo, seguindo os pré-requisitos do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS)”, afirmou a assessoria da Adeal.
Por meio de nota, encaminhada à reportagem da Tribuna Independente, o órgão de defesa animal do Estado disse que o sururu merece ser incluído não só na dieta dos alunos, como de toda a população alagoana, bem como dos turistas que nos visitam.
“O corpo técnico da Adeal adianta que há sim uma maneira segura de garantir a viabilidade sanitária para inserção deste produto, não só no âmbito da alimentação escolar, como também na mesa da população alagoana e quem sabe até de todo território nacional”, afirmou a assessoria da agência.
No entanto, o órgão faz exigência para que o processo de produção do sururu para a merenda escolar seja executado. Segundo os técnicos da Adeal, seria necessário a construção de uma estrutura física, nas proximidades da Lagoa Mundaú, para servir de base da Unidade de Beneficiamento de Pescado.
Uma estrutura adequada, que atenda aos pré-requisitos sanitários descritos na legislação sanitária vigente. Para que os técnicos do Serviço Estadual de Inspeção realizem fiscalizações, como também, o monitoramento e o controle dos parâmetros ambientais, com o rastreamento de contaminantes nos locais/criatórios onde o sururu é coletado (às margens da lagoa).
A assessoria da agência informou ainda, por meio de nota, que a solicitação da Semed, para que o sururu seja inserido na merenda escolar, foi encaminhada à Adeal no dia 1º de julho de 2026. Após o recebimento do pleito, “foi instaurado, em 3 de agosto de 2026, o processo administrativo para parecer quanto a demanda referente à inserção do sururu (molusco bivalve) no cardápio da alimentação escolar da rede municipal de ensino de Maceió”.
ENTENDA O CASO
O projeto do sururu no cardápio escolar foi iniciado este ano, inclusive com o treinamento de um grupo de merendeiras da rede municipal de ensino. De acordo com a Semed, caso a experiência seja bem-sucedida, o sururu deverá ser servido também nas refeições dos estudantes das demais escolas do município.
No entanto, para ser oferecido aos alunos, o molusco precisa do aval da agência de defesa animal. Com a liberação, passará a ser servido, em caráter experimental, aos alunos das escolas municipais Nosso Lar, Deraldo Campos, Rui Palmeira, Lindolfo Collor e Silvestre Péricles.
Essas unidades de ensino já capacitaram suas merendeiras no preparo do marisco, que deve ser servido na forma de moqueca, usando leite de coco; o sururu frito, tipo “fritada”; e a macarronada de sururu.
Segundo a Semed, a previsão é que o sururu entre no cardápio até o final do ano, com a compra inicial de 280 quilos mensais do molusco, para atender aproximadamente três mil alunos dessas cinco unidades de ensino que participarão do projeto-piloto “Sururu na escola: inclusão e nutrição”.
NOTA DA ADEAL
A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal) informa que, em resposta ao pleito encaminhado pela Secretaria Municipal de Educação em 1º de julho de 2026, foi instaurado, em 3 de agosto de 2026, o processo administrativo para parecer quanto a demanda referente à inserção do sururu (molusco bivalve) no cardápio da alimentação escolar da rede municipal de ensino de Maceió.
A análise está sendo conduzida pela Adeal por se tratar do órgão competente para orientar, inspecionar e fiscalizar a cadeia de produtos de origem animal no estado de Alagoas.
A Agência informa, ainda, que o processo se encontra em análise técnica pelos setores competentes do órgão. A Adeal destaca ainda que a Resolução RDC Anvisa nº 216/2004 estabelece rigorosos controles higiênico-sanitários nas etapas de recebimento, armazenamento, manipulação e distribuição de alimentos, com o objetivo de prevenir Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA).
Ainda, o Decreto Federal nº 9.013/2017 (RIISPOA), a Portaria SDA/MAPA nº 884/2023, que instituiu o Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS) e demais normativas correlatas, evidenciam a elevada complexidade sanitária inerente à cadeia produtiva de moluscos bivalves, exigindo monitoramento ambiental, rastreabilidade, inspeção sanitária e controles específicos para garantia da segurança do consumo humano.
Sendo assim, o corpo técnico do Serviço de Inspeção Estadual da Adeal (SIE/Adeal), adianta que há sim uma maneira segura de garantir a viabilidade sanitária para inserção deste produto, não só no âmbito da alimentação escolar, como também na mesa da população alagoana e quem sabe até de todo território nacional.
No entanto, faz-se necessário a realização de um processo complexo que envolve não só a necessidade de construção de uma estrutura física (Unidade de Beneficiamento de Pescado) adequada, que atenda aos pré-requisitos sanitários descritos na legislação sanitária vigente, nos quais este setor do Serviço Estadual de Inspeção realiza fiscalizações, como também, o monitoramento e controle dos parâmetros ambientais, com o rastreamento e monitoramento de contaminação dos locais/criatórios onde o sururu é coletado (lagoas).
Para isto, o Serviço de Inspeção Estadual informa estar disponível para dar todas orientações necessárias para os cumprimentos legais das etapas inerentes ao setor e descritas no Manual de procedimentos para registro de estabelecimentos no SIE/Adeal.
Atualmente, o processo encontra-se no setor de Defesa Sanitária Animal da Adeal para apresentação dos pontos necessários no processo de regularização dos locais de pesca/captura do referido molusco bivalve, para que seja analisado a viabilidade do pescado e em caso positivo, a regularização da possível unidade de beneficiamento do mesmo, seguindo os pré-requisitos do Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros.
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