Política
MDB e PSDB vivenciam o dilema da escolha dos vices
Partidos já trabalham nomes para composição de peça importante na chapa eleitoral
Mesmo após o fim do prazo para a realização das convenções, os partidos que confirmaram as principais candidaturas ao Governo de Alagoas seguem sem oficializar os nomes dos vices. MDB e PSDB/Cidadania realizaram suas convenções na última quarta-feira (5), com formatos completamente diferentes, mas um ponto em comum: não divulgaram a escolha do vice-governador ou vice-governadora.
O grupo do PSDB, que já no final da noite de quarta (5), último dia do prazo para realização de convenções, anunciou timidamente o nome do ex-prefeito de Maceió, JHC, como candidato oficial ao governo. Depois de uma longa espera de mais de horas o ex-prefeito não compareceu ao local e o presidente da federação, Régis Cavalcante (Cidadania), encerrou a atividade sem detalhar o posicionamento do grupo sobre Senado nem vice-governador.
Na manhã do dia da convenção do PSDB, o PDT realizou sua própria convenção e lá o ex-governador Ronaldo Lessa anunciou que era oficial sua candidatura a vice, junto com JHC governador. No anúncio oficial feito, questionado pela imprensa, Régis respondeu que o nome do vice não seria divulgado. Até agora ninguém, além do próprio Lessa, confirmou a informação.
Governador de Alagoas entre 1999 e 2006, Ronaldo Lessa foi eleito vice-prefeito de Maceió ao lado de JHC em 2020. Ele abandonou o cargo em 2022 para concorrer a vice-governador na chapa de Paulo Dantas (MDB), que está finalizando seu mandato no início de 2027. Esse ano, ele surpreendeu mais uma vez ao anunciar que marcharia ao lado de JHC, rompendo com o grupo do governo atual, apesar de permanecer no mandato.
As movimentações vêm sendo interpretadas por muitas pessoas como uma instabilidade política que não condiz com sua história política.
NEGOCIAÇÕES
No caso do MDB, que terá o senador Renan Filho como candidato ao governo, a convenção foi uma festa, parou o trânsito em uma parte significativa da capital, aglomerou multidões, teve discurso, recebeu a imprensa e divulgou toda a chapa de deputado federal, a de deputado estadual, as candidaturas ao senado e o nome do governador. Mas um detalhe que ao longo do mandato muitas vezes passa despercebido, parece ter se tornado fator fundamental no xadrez eleitoral, a escolha do vice.
Nesse grupo, já foram especuladas algumas possibilidades, nenhuma delas é descartada por Renan Filho. Ele já admitiu que está fazendo as conversas que pode trazer o PT, partido do presidente Lula, para essa vaga, mas o que mais tem circulado mesmo é a ideia de que ele pretende fechar com alguém de Arapiraca, para consolidar uma aliança com Luciano Barbosa (MDB). Já foram ventilados os nomes de Rute Nezinho, vice-prefeita e Yale Fernandes, secretário municipal.
Apesar de estarem no mesmo partido, a relação com o prefeito de Arapiraca é alvo de negociações bastante cuidadosas. Após a tumultuada saída dele do cargo de vice-governador em 2020 para concorrer à prefeitura de sua terra natal, os laços estão sendo reconstruídos. Até o momento, não houve declaração oficial de quem Barbosa irá apoiar para o governo.
Em entrevista durante a convenção, Renan Filho se mostrou confiante. “Luciano é uma pessoa que sempre se preocupou muito com Arapiraca e com Alagoas, por isso ele estará conosco no momento adequado. Eu entendo que política tem um tempo próprio, mas eu sou muito otimista de que o Luciano vai fazer a parceria que sempre fez Arapiraca avançar. Que é com o senador Renan, comigo e com o presidente Lula. E ele nos ajuda bastante nisso, porque é uma pessoa muito dedicada, trabalhadora e um cara que entrega resultados, a exemplo do que eu sou também. Mas essa eleição ela está se descortinando no tempo próprio, e nós estamos no mesmo caminho, somando esforços, trazendo pessoas, sobretudo aqueles que podem ajudar Alagoas a avançar, o Luciano é um deles”.

Definição para o cargo depende de várias negociações
Para a cientista política Luciana Santana, a definição do vice na montagem da chapa precisa de cautela e é uma das últimas decisões partidárias.
“A definição do vice, ela costuma ser realmente uma das últimas peças a ser encaixadas justamente porque ela depende do fechamento de outras negociações. Enfim, da coalizão de forças que vão dar sustentação à candidatura. Como a gente vai ter uma eleição muito competitiva em Alagoas, essa escolha não é simplesmente simbólica. Eu vejo que está cumprindo aí funções eleitorais, de coordenação política e de governabilidade”, avalia.
As escolhas dos partidos protagonistas da disputa ao governo, observa Luciana Santana, apontam estratégias de negociações.
“Isso fica muito claro quando a gente vê as declarações que lideranças locais vem fazendo, que estão envolvidas ali na disputa, que indicam que a definição desses vices, elas permanecem vinculadas a negociações realmente desses grupos políticos”.
São muitos os fatores que podem ser envolvidos em torno do vice.
“Eu acho que a gente tem aí uma questão que é o peso eleitoral, e aí a gente não pode desconsiderar que um vice pode agregar bastante em termos de força eleitoral, aproximar segmentos econômicos, religiosos ou de perfis, como mulheres, por exemplo. Pode reduzir resistências dentro da própria coalizão e até fortalecer a imagem de moderação ali da chapa. E tem a questão do peso político, que aí eu acho que está claro, que isso pode definir, sim, uma eleição, e posteriormente a questão da governabilidade. Então isso tudo, acho, está sendo considerado”, avalia a cientista política.
A demora para definir, representa o tamanho da responsabilidade.
“Estão deixando isso para o final, eu acho, devido a uma lógica racional. Ou seja, pensando que um vice pode atrair partidos, quer ainda negociar apoio, pode acomodar disputas internas. Eu acho que no caso de Alagoas está sugerindo que essas duas candidaturas [Renan e JHC] têm avaliado que há mais ganhos em manter essa situação aberta para negociação antes de antecipá-la”, finaliza.
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