Política

Kelmann volta a reagir após impasse no PSDB e diz que ata será retificada

Vereador afirma ter recebido de Francisco Sales Filho a garantia de retificação da ata partidária para disputar vaga na Câmara Federal

Por Thayanne Magalhães 06/08/2026 10h44
Kelmann volta a reagir após impasse no PSDB e diz que ata será retificada
Kelmann Vieira - Foto: André Palmeira / Dicom CMM

O vereador de Maceió Kelmann Vieira (PSDB) voltou a movimentar as redes sociais nesta quinta-feira (6) para tratar da própria candidatura nas eleições de 2026. Depois de demonstrar insatisfação com a indefinição sobre seu nome na chapa proporcional do partido, o parlamentar afirmou que recebeu a garantia de que a ata partidária será retificada para confirmar sua participação na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.

Segundo Kelmann, a garantia foi dada pelo ex-vereador Francisco Sales Filho, a quem se referiu como “futuro deputado estadual”. O vereador relatou que passou a madrugada em articulações políticas e disse ter ido dormir por volta das 2h com a promessa de que a alteração será realizada.

“Ontem fui dormir às 2h da manhã com a palavra dada pelo futuro deputado estadual @franciscosalesfilho de que a ata será retificada e serei candidato a deputado federal com o número 4500”, escreveu.

Até a publicação desta matéria, porém, não havia sido localizada confirmação oficial do PSDB ou da Justiça Eleitoral sobre a retificação mencionada pelo vereador. Assim, a inclusão definitiva do nome de Kelmann na disputa ainda depende da formalização dos atos partidários e, posteriormente, do registro da candidatura perante a Justiça Eleitoral.

A manifestação ocorre um dia depois do encerramento do prazo para realização das convenções partidárias. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os partidos e federações tiveram de 20 de julho a 5 de agosto para escolher formalmente os candidatos que disputarão as eleições de outubro. A convenção é justamente o ato em que as legendas deliberam sobre os nomes que concorrerão aos cargos proporcionais e majoritários.

O calendário eleitoral ainda prevê uma etapa posterior. Os partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para apresentar à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas. A propaganda eleitoral geral, por sua vez, começa em 16 de agosto.

Uma candidatura marcada por reviravoltas


A atual indefinição é mais um capítulo de uma sequência de mudanças protagonizadas por Kelmann ao longo de 2026. O vereador iniciou o ano ainda filiado ao MDB, mas já articulava uma candidatura à Câmara Federal pelo PSDB, movimento que dependia de sua saída da legenda comandada em Alagoas pelo senador Renan Calheiros (MDB).

Em março, Kelmann afirmou publicamente que havia sido impedido de deixar o MDB para disputar a eleição por outra sigla. Na ocasião, disse ter recebido a notícia com “tristeza e decepção” e afirmou que aquela era a segunda eleição consecutiva em que tentava viabilizar uma candidatura à Câmara dos Deputados e encontrava obstáculos partidários.

Poucos dias depois, o cenário mudou. Kelmann deixou o MDB e ingressou no PSDB em abril, em meio à reorganização do grupo político ligado ao ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC. A mudança provocou uma reação judicial do MDB, que pediu a perda do mandato do vereador por suposta infidelidade partidária.

O processo, entretanto, não resultou na perda do mandato. Em 8 de junho, o Pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) extinguiu, por unanimidade, a ação movida pelo MDB ao reconhecer a decadência do direito de ação. A Corte não chegou a analisar o mérito da acusação de infidelidade partidária. Com isso, Kelmann manteve o mandato na Câmara Municipal de Maceió.

Antes disso, o vereador já havia protagonizado outra reviravolta. Em 4 de abril, anunciou nas redes sociais que não seria candidato a deputado federal nas eleições de 2026, em uma publicação na qual mencionou ter atravessado “dias difíceis”.

A decisão não durou muito. Em 29 de maio, Kelmann voltou a anunciar a saída da disputa eleitoral e afirmou que não concorreria nem a deputado estadual nem a deputado federal. Também declarou que não apoiaria candidatos no pleito e reclamou de falta de valorização e de espaço nas articulações políticas.

Menos de 48 horas depois, entretanto, ele recuou novamente e confirmou a manutenção da pré-candidatura a deputado federal. Na ocasião, a decisão foi relacionada a apoio recebido da família, de aliados e a uma conversa com JHC.

É nesse contexto de sucessivas mudanças que surge a nova reação desta quinta-feira. Desta vez, o impasse está relacionado à composição formal da chapa do PSDB e à presença do nome de Kelmann na ata partidária.

“Quem tiver voto que mostre na urna”


Na publicação desta quinta-feira, o vereador adotou tom de confronto com os demais postulantes à Câmara Federal e afirmou que sua pré-campanha vem sendo construída há quatro meses.

“Agora o bicho vai pegar! E quem tiver voto que mostre na urna, porque eu tô voando feito foguete!”, escreveu.

Kelmann também afirmou que pretende usar o período até a eleição para ampliar a mobilização de sua base política em Maceió, que ele chama de “Nação Amarela”.

“Quem quiser ser federal pode pisar no acelerador, porque eu já pisei há quatro meses”, declarou.

Em outro trecho, disse que pretende reforçar a mobilização de apoiadores na capital. “Minha Nação Amarela, quando é chamada para a luta, vocês não têm noção! Aqui em Maceió, depois dessa, vou reforçar essa nação, porque Maceió vai ficar pequena!”, publicou.

A manifestação também foi acompanhada por uma tentativa de encerrar o episódio como uma etapa superada. “O resto é virar a página, e o tempo se encarrega de mostrar a verdade”, afirmou.

Disputa depende agora da formalização


Apesar do tom de confirmação adotado por Kelmann, a situação eleitoral ainda precisa passar pelas etapas formais previstas pela legislação. O TSE estabelece que a convenção partidária é o momento em que as legendas escolhem oficialmente seus candidatos, mas a candidatura somente será submetida à análise da Justiça Eleitoral posteriormente, por meio do pedido de registro.

Para Kelmann, a eventual retificação da ata representa a superação de mais um obstáculo no caminho até a Câmara dos Deputados. O histórico recente, porém, mostra que o projeto eleitoral do vereador passou por mudanças sucessivas desde o início do ano, envolvendo a permanência no MDB, a migração para o PSDB, questionamentos judiciais sobre o mandato e anúncios de desistência seguidos pela retomada da candidatura.

Agora, a próxima etapa será verificar se a promessa de alteração da ata se concretizará formalmente e se o nome do vereador será efetivamente apresentado pelo PSDB no pedido de registro à Justiça Eleitoral.