Política

AL: setor de açúcar terá prejuízo de US$ 32 mi

Causa é o tarifaço imposto pelos Estados Unidos; preço pago pelos americanos é superior ao do mercado mundial

Por Ricardo Rodrigues - Tribuna Independente 28/07/2026 10h31
AL: setor de açúcar terá prejuízo de US$ 32 mi
Exportação de açúcar - Foto: Imagem ilustrativa

O presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (Sindaçúcar), Pedro Robério Nogueira, avalia que a nova tarifa de 25% imposta recentemente pelos Estados Unidos da América (EUA) compromete a competitividade das exportações de açúcar e pode reduzir a receita do setor sucroenergético.

Segundo ele, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, entre eles o açúcar, voltou a acender o sinal de alerta no setor sucroenergético. Segundo o presidente do Sindiaçúcar, produtores terão uma perda de receita estimada em US$ 32 milhões, pois o preço pago pelos Estados Unidos é superior ao do mercado mundial.
Para Pedro Robério, a medida representa um novo obstáculo para um segmento que já enfrenta um cenário internacional de preços mais baixos e redução das margens de comercialização.

Na opinião do presidente do Sindaçúcar, o setor chegou a vislumbrar uma melhora após a decisão da Suprema Corte norteamericana que afastou a tarifa de 50% anunciada anteriormente, permitindo a adoção de uma alíquota de 10%.

A nova taxação de 25%, entretanto, volta a reduzir a competitividade do açúcar brasileiro no mercado americano.

“O efeito da taxação de 50% foi atenuado pela decisão da Suprema Corte americana, que a condenou e foi substituída por uma tarifa de 10%. Essa atual de 25% terá um efeito mais danoso”, comentou Pedro Robério, no informativo do Sindicato, publicado na última sexta-feira (24/7), nas redes sociais.

Ele explicou que as exportações de açúcar para os EUA são realizadas, essencialmente, por meio da chamada Cota Americana, mecanismo que assegura ao Brasil um volume anual de exportações em condições preferenciais. Alagoas participa de forma expressiva desse mercado, respondendo por aproximadamente metade da cota brasileira.

Segundo Pedro Robério, a exportação de açúcar para os Estados Unidos fora desse regime preferencial permanece inviável do ponto de vista econômico. “Não existe possibilidade de exportação de açúcar para os EUA fora da cota preferencial, pois a tarifa normalmente já alcança 101% e agora será acrescida de mais 25%. Fica inviável”.

Pedro Robério observou ainda que a alternativa de direcionar esse volume para outros mercados também apresenta limitações. Além da dificuldade de ampliar espaços já ocupados pelo açúcar brasileiro, os preços praticados no mercado internacional são significativamente inferiores aos pagos pelos importadores norteamericanos.

“A opção de direcionar essa cota ao mercado mundial é restrita, porque já ocupamos os outros mercados. Mesmo conseguindo realocar esse volume, teremos uma perda de receita estimada em cerca de US$ 32 milhões, pois o preço pago pelos Estados Unidos é muito superior ao do mercado mundial”, afirmou.

Para o presidente do Sindaçúcar-AL, o momento exige prudência e reforça a importância da continuidade das negociações diplomáticas entre os governos brasileiro e norte-americano. A expectativa do setor é que seja construída uma solução que restabeleça condições de competitividade para o açúcar brasileiro, preservando investimentos, empregos e a sustentabilidade de uma das principais cadeias produtivas do Nordeste.