Política
Justiça decide futuro dos 158 alunos da Uncisal nesta quinta-feira
Estudantes se reuniram com governador e ele disse que a Procuradoria Geral do Estado acompanha caso para evitar prejuízos
As vagas de 158 alunos da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) estão em jogo no julgamento da ação popular que tenta anular a aprovação deles no último certame da Universidade, por conta de uma bonificação de 10% a mais na nota final, garantida por uma lei de autoria da deputada estadual Cibele Moura (MDB).
O julgamento dessa ação, que considera a bonificação inconstitucional, será retomado nesta quinta-feira (9), a partir das 9h30, na 3ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), no Centro de Maceió. Os integrantes do colegiado aguardam o voto do desembargador Fernando Tourinho, que pediu vistas ao processo, suspendendo a apreciação da ação na última audiência.
Ontem (8), um grupo de alunos da Uncisal esteve com o governador Paulo Dantas (MDB), que foi solidário a causa deles e se colocou à disposição no que for preciso, para evitar que os estudantes sejam prejudicados. “Finalizamos a reunião com o governador e ele nos passou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) está acompanhando o caso de perto, já houveram despachos com os desembargadores e com o Ministério Público Estadual e as expectativas são boas para o julgamento dessa quinta-feira”, informou a assessoria da Uncisal.
A assessoria jurídica da Universidade informou que também já esteve em contato com o TJ/AL e disse que a perspectiva é de que não terá problemas em relação aos alunos que já estão matriculados. O ex-reitor da Uncisal, Henrique Costa, também espera que a Justiça mantenha as matrículas desses alunos, mesmo que derrube a bonificação para os próximos certames.
DEFENSORIA
A Defensoria Pública do Estado (DPE) também acompanha a tramitação dessa ação no Judiciário e já se colocou à disposição dos alunos para fazer a sustentação oral da causa deles, mas a 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça vetou. “Os desembargadores não aceitaram a sustentação oral da Defensoria, do Ministério Público Estadual, da assessoria jurídica da Uncisal e da Procuradoria Geral do Estado”, revelou o defensor público estadual Othoniel Pinheiro, coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva do DPE.
Segundo ele, dos três desembargadores integrantes da 3ª Câmara Cívil, apenas o Tourinho ainda não votou. Os outros dois já votaram. O desembargador Paulo Zacarias (relator da ação) votou contra os alunos e o desembargador Alcides Gusmão acompanhou o voto dele, ficando o placar em 2 a 0. A guestão só irá beneficiar os alunos se o desembargador Tourinho votar contra a ação popular e o desembargador Alcides mudar o voto. Com isso, o placar deverá ficar em 2 a 1, favorável aos 158 estudantes ameaçados de perder as vagas conquistadas no exame seletivo deste ano.
AÇÃO DA DEFENSORIA
Para o defensor Othoniel Pinheiro, a causa é justa do ponto de vista dos alunos, que poderão ser prejudicados por uma lei considerada inconstitucional, mas do ponto de vista constitucional a lei pode ser questionada por conta de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe bonificação que coloque em cheque o princípio federativo. No entanto, a Constituição também pode ser usada em defesa dos estudantes levando em consideração a presunção de legitimidade.
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