Política
Empresa nega ter feito pesquisa eleitoral
Números foram divulgados pelo Poder360 e colocam JHC na liderança; RB Dantas Ltda fala em uso indevido de dados
A empresa RB Dantas Ltda, sediada em Arapiraca, divulgou nota de esclarecimento à imprensa alagoana, para negar ter contratado uma pesquisa de opinião pública, registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), onde o ex-prefeito JHC (PSDB) aparece na liderança pelo governo do Estado.
“A RB Dantas vem a público esclarecer os fatos e restabelecer a verdade estrita diante das recentes matérias jornalísticas, como a veiculada pelo portal Poder360 sobre pesquisa eleitoral em Alagoas, que associam o nome da nossa empresa à contratação de uma pesquisa de opinião pública no Estado de Alagoas, que não nos foi encomendada ou solicitada”, afirmou em nota a empresa supostamente contratante.
Ainda de acordo com a nota encaminhada à mídia alagoana, a RB Dantas LTDA confirma que, em pleitos eleitorais passados, já contratou de forma legítima, legal e transparente os serviços do Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda (TDL). “Contudo, esclarecemos de forma categórica que, para o atual cenário e para a referida pesquisa veiculada, não há nenhum contrato vigente, encomenda ou solicitação de serviço”.
Como a empresa supostamente contratada diz categoricamente que não encomendou o serviço, quem seria então responsável pela pesquisa já divulgada? Essa questão deverá ser respondida pela Justiça Eleitoral, onde a suposta pesquisa foi registrada. Questionada a respeito desse caso específico e sobre a possibilidade de fraude, a assessoria de comunicação do Tribunal disse que “o TRE só pode agir mediante provocação do órgão fiscalizador, no caso o MPF”.
Caberá ao MP Eleitoral apurar a denúncia, caso seja comunicado ou tome a iniciativa de agir por ofício, já que a denúncia circula pelas mídias sociais, desde a última quinta-feira (25/6). Na nota, a advogada Karine Lira, da RB Dantas, afirma que a empresa não encomendou o levantamento da TDL Pesquisa & Marketing, divulgado em Alagoas, pelo portal de notícias Poder360.
A pesquisa supostamente fraudada apontou o ex-prefeito JHC à frente do senador Renan Filho (MDB), na disputa pelo Governo do Estado. Segundo a publicação, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número AL-04608/2026 e teve custo declarado de R$ 47 mil, com pagamento atribuído à RB Dantas LTDA/Coagro.
Na nota encaminhada à repórter Cinara Corrêa, do semanário Tribuna do Sertão, pela advogada do grupo, Karine Lira, a empresa nega ter contratado a pesquisa. Segundo a empresa, a emissão da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica nº 68, Série RPS, teria ocorrido de forma unilateral, arbitrária e sem autorização. O documento, conforme a nota da R B Dantas, foi gerado em 19 de junho de 2026, às 16h42min32s, junto à Secretaria Municipal de Fazenda da Prefeitura de Maceió, no valor de R$ 47 mil.
De acordo com o Portal Tribuna do Sertão, a empresa afirma ainda que não autorizou o faturamento, não recebeu a prestação do serviço, não validou o documento fiscal e não realizou nem realizará qualquer pagamento relacionado à nota. Para a RB Dantas, a emissão de documento fiscal sem contrato, sem prestação de serviço e sem consentimento da tomadora configura grave irregularidade fiscal, mercantil e civil.
Nota diz que instituição preza pela legalidade
“A R B Dantas LTDA preza pela estrita legalidade. Manter relações comerciais no passado não confere a terceiros o direito de emitir cobranças ou vincular nossa marca a levantamentos políticos atuais sem a nossa expressa, formal e prévia autorização”, diz a nota publicada com exclusividade pelo portal da Tribuna do Sertão.
Na reportagem consta que o levantamento divulgado pelo Poder360 colocou JHC à frente de Renan Filho no cenário estimulado para o Governo de Alagoas. A publicação também apresentou números para a disputa ao Senado, envolvendo nomes como Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Renan Calheiros, Davi Davino Filho, Dr. Wanderley e Eudócia JHC.
A controvérsia, no entanto, não está apenas no resultado divulgado, mas principalmente na origem do custeio atribuído ao levantamento. A negativa pública da empresa apontada como pagadora abre questionamentos sobre a regularidade documental do registro e sobre a responsabilidade de quem teria utilizado os dados cadastrais da RB Dantas.
Pelas regras eleitorais, pesquisas de opinião pública relativas a eleições ou candidatos, quando destinadas ao conhecimento público, devem ser registradas na Justiça Eleitoral antes da divulgação. O registro deve conter informações sobre metodologia, contratante, valor, origem dos recursos e responsável pelo pagamento. A Justiça Eleitoral não realiza controle prévio sobre o resultado das pesquisas, atuando quando provocada por meio de representação.
RB Dantas faz contestação legal no caso
Na manifestação, a R B Dantas informa que seu departamento jurídico já iniciou providências para contestar formalmente o uso do nome da empresa no registro da pesquisa.
Entre as medidas anunciadas estão a contestação fiscal urgente perante a Prefeitura de Maceió, com pedido de cancelamento da NFS-e nº 68; notificação extrajudicial ao instituto emissor para que explique quem solicitou a pesquisa, quem autorizou a emissão da nota fiscal em nome da empresa e quem teria efetuado eventual pagamento; além do registro de boletim de ocorrência para apuração de possíveis crimes cibernéticos, fiscais e de falsidade ideológica.
A empresa também informa que comunicará o caso ao TRE/AL e ao TSE, sustentando que a nota fiscal apontada como lastro financeiro da pesquisa seria nula e não teria anuência da R B Dantas.
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