Política

PTK é preso em operação contra o Comando Vermelho

Investigações apontam que Patrick Almeida, pré-candidato a deputado federal, participa de projeto eleitoral da facção

Por Emanuelle Vanderlei / Tribuna Independente 04/06/2026 08h00 - Atualizado em 04/06/2026 08h16
PTK é preso em operação contra o Comando Vermelho
Patrick Almeida, o PTK, figura como pré-candidato a deputado federal nas eleições deste ano - Foto: Reprodução

Em uma operação policial deflagrada na quarta-feira (3), um conhecido influenciador digital e pré-candidato a deputado federal por Alagoas foi preso sob suspeita de associação com uma grande facção criminosa do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho. Intitulada Morro do Alemão, conduzida pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/AL), em conjunto com a Polícia Civil, por meio da Dracco, e pela Polícia Militar, através do Comando de Missões Especiais (CME), a operação teve como destaque a prisão de Patrick Almeida (MDB), conhecido como PTK, e outras oito pessoas.

De acordo com informações da SSP/AL, foram cumpridos 51 mandados judiciais, sendo 21 de prisão e 30 de busca e apreensão e medidas cautelares contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, que possui núcleos em Maceió, em Marechal Deodoro e no Rio de Janeiro.

Ainda segundo as investigações, PTK faz parte de um projeto eleitoral da facção há pelo menos dois anos. Ele teria sido escalado pelo líder em Alagoas, Nem Catenga, para ser candidato a vereador em 2024 e ser o representante da facção na Câmara de Vereadores de Maceió. A candidatura não foi aprovada na convenção do Solidariedade, partido ao qual estava filiado na época. Atualmente, nas redes sociais, PTK tem 186 mil seguidores e se coloca como “o cara das comunidades” e mantém pré-candidatura a deputado federal.

Em pleno clima de campanha, que oficialmente ainda nem começou, protagonistas do debate eleitoral trocaram farpas utilizando a operação policial como tema. O ex-prefeito JHC (PSDB), que é pré-candidato ao Governo de Alagoas, publicou em suas redes sociais, de forma irônica, um texto para associar o nome do governador Paulo Dantas (MDB) ao pré-candidato preso.

Como o tema da segurança pública estadual já havia sido alvo de críticas entre os dois antes, o tucano aproveita o fato de PTK ser do mesmo partido de Dantas.

“Tá explicado por que Paulo Dantas diz que não tem medo das facções. Elas estão com ele, dentro do mesmo partido. Um dos pré-candidatos do MDB foi preso, acusado de integrar o Comando Vermelho. Esse é o estágio a que chegou o crime em Alagoas depois de 12 anos desse grupo no poder. Alagoas quer mudança!”, escreveu.

Rapidamente aconteceu, nas mesmas redes sociais, a resposta do governador. Paulo Dantas alegou independência da polícia no seu mandato.

“No meu governo, bandido não se cria. A gente investiga e prende, não importa o partido, não importa quem apoiou quem”. Indo além, Paulo menciona que nas últimas eleições o suspeito preso era do grupo de JHC.

“Em 2024, o então prefeito JHC apoiou PTK para vereador, projeto da Comando Vermelho para invadir a política. Nós o prendemos hoje. Por isso que ontem você lamentou a redução da criminalidade em 63%. Seguiremos prendendo os bandidos, goste você ou não, JHC”, disparou.

O governador publicou ainda um vídeo falando sobre o assunto. “Nós não temos medo do Comando Vermelho, não temos medo do PCC, nós combatemos todos os dias a bandidagem. Hoje nós fizemos mais uma operação exitosa contra integrantes do Comando Vermelho. Aqui a gente não passa a mão em ninguém, pode ser filiado a qualquer partido político, a ordem aqui é caçar e não dar moleza para bandidos. Agora tem pré-candidatos ao governo, o candidato JHC e aliado do ex-governador Teotonio Vilela, que foram os maiores responsáveis pelo pior momento da segurança pública no estado de Alagoas, que estão desesperados”.

TRABALHO

INVESTIGATIVO

Lidando com uma organização de fora de Alagoas, a operação que terminou com a prisão do pré-candidato a deputado federal, PTK, contou com o apoio de outras polícias. Houve o apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro, através da SSINTE/Sepol, cuja ação policial no RJ está inserida no âmbito do Projeto Captura, força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça, através da Diopi/Senasp e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, que visa apoiar os demais Estados da Federação na prisão de criminosos foragidos homiziados no Rio de Janeiro.

As investigações foram conduzidas pela Dracco em parceria com o Batalhão de Rotam e suporte da Chefia Geral de Inteligência Integrada da SSP. O trabalho investigativo revelou que a cúpula do CV em Alagoas buscava a expansão territorial no estado. Os mandados foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, com base em provas técnicas produzidas durante a investigação.

MOBILIZAÇÃO

A operação mobilizou policiais militares da Rotam, Bope, Choque, BPRv, BPTran, BPA e 1º Batalhão. Já pela Polícia Civil, participaram agentes da Dracco, Core, Tigre e Seção de Capturas. A operação também contou com o apoio do Departamento Estadual de Aviação (DEA).

Thiago Prado declara que prisão confirma alertas feitos em 2024

Após a operação, o vereador Thiago Prado (PP), lembrou que em julho de 2024, ele chegou a denunciar que havia candidaturas à Câmara de Vereadores ligadas ao crime organizado.

Durante entrevista ao jornalista Wyderlan Araújo, em seu canal Canhão Podcast, Thiago Prado fez uma relação entre a realidade das milícias no Rio de Janeiro e a Câmara de Maceió. O parlamentar chegou a afirmar que essa situação poderia acontecer em Alagoas.

“É um retrato que já, portanto, o Rio de Janeiro, o Brasil inteiro tem conhecimento que facções criminosas, milícias, conseguiram eleger criminosos da raiz do mundo do crime para ser representantes dos seus próprios interesses, portanto do mundo do crime, lá na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Aqui em Maceió não é diferente, já tivemos conhecimento que existe facção que está incentivando uma candidatura de determinada pessoa que talvez tenha esse braço, essa relação criminosa. Não posso dizer nome porque ainda não é candidato, evidentemente. Mas há esse rumor, é preciso muito cuidado, muita cautela do eleitor porque isso não existe até hoje no nosso município”, declarou Prado.

À reportagem da Tribuna Independente, o delegado afirmou na época que teria feito as declarações com base em uma rede de informantes que apontaram que um pré-candidato teria relações íntimas com uma facção criminosa.

“Possuo uma grande rede de informantes e colaboradores, os quais recentemente me retrataram que um determinado pré-candidato tem relação íntima com integrantes de uma facção criminosa que atua em nosso Estado. Ao ver os elementos apresentados, fiquei profundamente preocupado com a possibilidade de um possível integrante de facção criminosa adentrar na política alagoana. Ressalto, que essa preocupação não é minha enquanto pré-candidato, mas sim enquanto cidadão maceioense. Portanto, o alerta é para que todos avaliem o histórico e vida pregressa dos seus candidatos, sobretudo a origem do patrimônio que ostentam”, disse.

Mesmo provocado por outros atores públicos e pela nossa reportagem à época, Prado não apontou nomes. “O processo eleitoral não cabe a mim, mas sim à Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral. Estes importantes órgãos que devem, por amor à democracia, se aprofundar e apresentar a conclusão que chegaram. A mim, por enquanto, cabe a preocupação e o alerta”.