Política

CUT/AL comemora aprovação, cita momento histórico e impactos positivos

Central sindical avalia que redução da jornada melhora qualidade de vida dos trabalhadores e critica postura de parte da bancada alagoana

Por Thayanne Magalhães - repórter / Tribuna Independente 29/05/2026 07h53 - Atualizado em 29/05/2026 08h13
CUT/AL comemora aprovação, cita  momento histórico  e impactos positivos
Central Única dos Trabalhadores em Alagoas já realizou manifestos em prol do fim da escala 6x1 - Foto: Divulgação

A Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT/AL) classificou a aprovação da PEC que prevê o fim gradual da escala 6x1 como uma das principais conquistas trabalhistas das últimas décadas. Em entrevista à Tribuna Independente, o presidente da entidade no estado, Luciano Santos, afirmou que a proposta representa “a maior vitória desde a Constituição de 1988”, quando a jornada semanal foi reduzida de 48 para 44 horas.

A PEC aprovada pela Câmara dos Deputados reduz gradualmente a carga semanal para 40 horas e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana. O texto segue agora para análise do Senado Federal, onde precisará ser aprovado em dois turnos. Conforme dados oficiais da Câmara, os nove deputados federais de Alagoas votaram favoravelmente à proposta.

Para Luciano Santos, a mudança terá impacto direto sobre trabalhadores submetidos às jornadas mais extensas e aos menores salários, principalmente nos setores de comércio e serviços, onde a escala 6x1 é mais comum.

“O impacto direto é que melhora a renda desses trabalhadores que essa escala concentra os menores salários e as funções mais exaustivas. Então melhora não só a qualidade de vida, a questão da saúde mental, do convívio familiar, do lazer, do tempo para se qualificar”, afirmou.

Segundo o dirigente sindical, a CUT avalia que a atual conjuntura econômica favorece a discussão sobre redução da jornada de trabalho. Ele citou indicadores nacionais relacionados ao emprego e ao crescimento econômico para defender que a proposta pode contribuir para o desenvolvimento do país.

“É uma medida que só vem a contribuir com o desenvolvimento do país, mas principalmente de quem constrói esse país, que é a classe trabalhadora”, declarou.

Luciano Santos também afirmou que a aprovação da PEC ocorreu em um cenário considerado desfavorável ao movimento sindical dentro da Câmara dos Deputados. Na avaliação dele, a mobilização popular e a pressão social tiveram papel decisivo para a aprovação do texto.

“Para nós da CUT não restam dúvidas que é a maior vitória desde a Constituição de 88. A gente consegue reduzir de 44 para 40 e acaba com a escala 6x1, implantando assim por 2”, disse.

O presidente da CUT/AL criticou ainda parte da bancada alagoana na Câmara, afirmando que alguns parlamentares teriam mudado de posição diante da repercussão popular do tema. Sem citar nomes diretamente, ele mencionou que houve “pressão popular” durante a tramitação da proposta.

“Dois terços da bancada não têm compromisso algum com a classe trabalhadora e muito menos com as questões relacionadas ao mundo do trabalho”, afirmou.

Com o avanço da PEC para o Senado, a CUT informou que pretende intensificar a mobilização política e popular em torno da proposta. Luciano Santos declarou que a entidade vai cobrar posicionamento dos senadores alagoanos durante a tramitação do texto na Casa.

Segundo ele, a central sindical já considera conhecido o posicionamento favorável do senador Renan Calheiros (MDB) e pretende ampliar o diálogo com o ministro dos Transportes e senador licenciado Renan Filho (MDB), além de cobrar manifestação pública da senadora Eudócia Caldas (PL) e do senador Fernando Farias (MDB), suplente em exercício.

“No Senado não vai ser diferente. Sem pressão popular a gente não consegue. Agora é reorganizar a tropa e pressionar nas ruas e nas redes para que esses três senadores aprovem a PEC de acordo com o que foi votado na Câmara”, declarou.

A discussão sobre o fim da escala 6x1 mobiliza sindicatos e entidades empresariais em todo o país. Enquanto representantes dos trabalhadores defendem melhorias na qualidade de vida e na proteção social, setores produtivos apontam preocupação com impactos financeiros e aumento de custos para empresas.