Política
Lira e JHC evitam confirmar apoios nacionais
Em Alagoas, dois palanques nacionais estão praticamente armados para receber os presidenciáveis Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro
As articulações para as eleições de 2026 em Alagoas já passam pela montagem dos palanques presidenciais. Pré-candidatos ao Governo do Estado e ao Senado começam a se posicionar em relação aos nomes cotados para disputar o Palácio do Planalto, em um cenário ainda marcado por indefinições partidárias e negociações nacionais.
No grupo liderado pelos Calheiros, a vinculação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerada natural. O senador Renan Calheiros (MDB) e o senador Renan Filho (MDB), aliado ao governo federal e mantêm proximidade política com Lula desde o início da atual gestão. Renan Filho, inclusive, integrou o primeiro escalão do governo federal, no cargo de ministro dos Transportes, até o período de desincompatibilização eleitoral.
Na oposição ao grupo governista, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL) aparece associado ao campo bolsonarista. O parlamentar é citado nos bastidores como um dos nomes alinhados ao eleitorado conservador no estado e deve compor um palanque ligado ao senador Flávio Bolsonaro, citado entre os nomes do PL para a sucessão presidencial.
Já o deputado federal Arthur Lira (PP) mantém um cenário mais aberto. Apesar da aproximação histórica com o ex-presidente Jair Bolsonaro e de declarações públicas de alinhamento ao campo da direita, Lira também preserva interlocução com o governo federal. Nos últimos meses, Bolsonaro voltou a mencionar articulações políticas com o parlamentar alagoano para 2026.
Até o momento, porém, Lira não confirmou oficialmente apoio a um nome para presidente nem indicou se participará diretamente de algum palanque presidencial em Alagoas. A estratégia do deputado tem sido tratada por aliados como uma tentativa de ampliar o diálogo com diferentes segmentos do eleitorado alagoano.
No PSDB, o ex-prefeito de Maceió, JHC, aguarda as definições nacionais do partido e da federação tucana. Nacionalmente, cresce a possibilidade de o deputado federal Aécio Neves voltar a disputar a Presidência da República, hipótese discutida internamente pelo PSDB e pelo Cidadania.
Publicamente, aliados de JHC evitam falar em neutralidade e apontam que o ex-prefeito tende a acompanhar a decisão partidária nacional. Informações publicadas nesta segunda-feira indicam que o grupo político do tucano trabalha com a possibilidade de Aécio Neves ocupar o palanque presidencial em Alagoas.
Em contato com a Tribuna Independente, a assessoria do PSDB informou que JHC não irá comentar o assunto.
Enquanto os cenários nacionais seguem em construção, os movimentos em Alagoas mostram que a disputa estadual tende a reproduzir parte da polarização entre os grupos ligados ao presidente Lula e ao bolsonarismo, embora alguns atores locais ainda preservem margem para negociações políticas até as convenções partidárias.
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