Política
Senador volta a elevar o tom contra Arthur Lira e tensiona pré-campanha
Renan Calheiros acusa deputado de receber mansão de R$ 30 milhões e jatinho após emenda ligada ao Master
A breve troca de cumprimentos entre os grupos políticos do senador Renan Calheiros (MDB), candidato à reeleição, e do deputado federal Arthur Lira (PP), pré-candidato ao Senado, registrada recentemente em eventos públicos, durou pouco. Na última terça-feira (19), durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Renan, o senador alagoano voltou a elevar o tom contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados ao associá-lo diretamente às investigações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).
Durante audiência com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Renan afirmou que o caso relacionado a uma emenda aprovada no Congresso “fica mais grave a cada dia” e defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) amplie as investigações para apurar se houve contrapartida pela aprovação da medida.
No centro das declarações está Arthur Lira, principal adversário político de Renan em Alagoas. O senador afirmou que Lira teria recebido uma mansão avaliada em mais de R$ 30 milhões no Lago Sul, área nobre de Brasília, além de ter adquirido um jatinho após a tramitação da emenda ligada aos interesses do Banco Master.
“Falei que o deputado Lira ‘comprou’ uma casa de mais de R$ 30 milhões de Leonardo Valverde, operador do BRB/Master. Lira também comprou um moderno jato por apenas R$ 1 milhão. Ele reagiu com ofensas. Se fosse me dado a escolher, melhor ser gagá do que gatuno”, escreveu Renan nas redes sociais após a sessão.
Segundo o senador, o empresário Leonardo Valverde seria operador do BRB, do Banco Master e ligado ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Renan ainda afirmou que Valverde seria dono de 50% da aeronave comprada por Lira.
Durante a sessão, o parlamentar cobrou uma atuação mais ampla do STF, que já analisa a constitucionalidade da emenda e contabiliza, até o momento, três votos contrários à medida.
“Seria o caso do Supremo aproveitar a viagem e investigar a contrapartida pela aprovação da emenda”, declarou Renan, ao afirmar que o episódio seria “muito mais grave” do que outros escândalos recentes envolvendo recursos públicos e articulações políticas em Brasília.
As declarações ocorrem em meio ao avanço das discussões sobre operações envolvendo o Banco Master e o BRB, tema que tem provocado disputas políticas no Congresso e no Judiciário. Desde fevereiro, Renan tem associado o caso a possíveis interesses políticos e financeiros. Na época, afirmou que a “fraude do Master é impossível sem cobertura política”.
Parte das críticas do senador faz referência indireta a reportagens recentes sobre o patrimônio de Arthur Lira. Em abril, a Folha de S.Paulo revelou que o deputado comprou um jatinho por US$ 1 milhão (R$ 5,7 milhões, pela cotação do câmbio na data da operação), em sociedade com um empresário do ramo de máquinas e equipamentos agrícolas, após deixar a presidência da Câmara em 2025.
Na ocasião, Arthur Lira afirmou ao jornal que a compra ocorreu de forma regular, declarada à Receita Federal e realizada em regime de cotas. O parlamentar também negou qualquer irregularidade na operação.
Nas redes sociais, Renan reforçou o discurso de que o caso ultrapassa a disputa política entre os dois grupos. “Quando o interesse privado começa a ditar os movimentos da política, quem paga a conta é o povo brasileiro. A verdade precisa aparecer por inteiro”, publicou o senador.
Os novos ataques ocorrem em meio à reorganização dos grupos políticos de olho nas eleições de 2026. Nas últimas semanas, interlocutores em Brasília e em Alagoas chegaram a interpretar a presença de Renan e Arthur Lira em eventos públicos como um sinal de redução da tensão entre os dois grupos. O discurso desta terça-feira, porém, mostrou que a rivalidade permanece em aberto.
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