Política

Subsídio do diesel pode custar R$ 50 milhões em Alagoas

Programa sancionado pelo Governo prevê ajuda de até R$ 1,20 por litro para conter impactos da alta internacional do petróleo

Por Thayanne Magalhães - repórter / Tribuna Independente 14/05/2026 08h15
Subsídio do diesel pode custar R$ 50 milhões em Alagoas
Pelo modelo definido pela Medida Provisória, subvenção pode chegar a R$ 1,20 por litro de diesel - Foto: Adailson Calheiros / Arquivo

A adesão de Alagoas ao programa emergencial de subvenção ao diesel, aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado (ALE), após ter sido enviado e recentemente sancionado pelo governador Paulo Dantas (MDB), deve provocar um impacto estimado em até R$ 50 milhões nas contas estaduais nos próximos dois meses. A medida foi autorizada após aprovação do projeto que permite ao Estado integrar o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis, criado pelo governo federal para reduzir os efeitos da disparada internacional do petróleo sobre a economia brasileira.

Pelo modelo definido pela Medida Provisória Federal nº 1.349/2026, a subvenção poderá chegar a R$ 1,20 por litro de diesel, sendo metade custeada pela União e metade pelos estados participantes. Em Alagoas, a contribuição estadual foi fixada em até R$ 0,60 por litro.

A iniciativa surge em meio às oscilações do mercado internacional de petróleo, pressionado pelos conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além das tensões em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam crescimento no consumo de diesel em Alagoas em 2026. Apenas no primeiro trimestre deste ano, foram consumidos 123,771 mil metros cúbicos do combustível, volume 13,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o consumo ficou em 109,024 mil metros cúbicos.

Na prática, o volume corresponde a aproximadamente 123,7 milhões de litros comercializados entre janeiro e março. Considerando a duração inicial do programa em dois meses, a estimativa mais conservadora aponta um custo próximo de R$ 50 milhões para o Estado.

Segundo o Governo Federal, o objetivo do programa é reduzir os impactos da alta do diesel sobre o transporte rodoviário, setor considerado estratégico para o abastecimento nacional e para a circulação de mercadorias.

PESO NA ECONOMIA

O diesel é considerado um dos principais motores da cadeia logística brasileira. Em Alagoas, grande parte do abastecimento de produtos depende do transporte rodoviário, o que amplia os efeitos das oscilações no preço dos combustíveis sobre o consumidor final.

O economista Renan Laurentino avalia que o impacto tende a ser ainda mais forte em estados com alta dependência do modal rodoviário.

“Preço do diesel interfere severamente na vida do brasileiro. O impacto do aumento do combustível no Brasil sempre tem um peso maior, principalmente nos estados como Alagoas, que boa parte, quase que 80% do que é consumido em Alagoas, vem do modal rodoviário. Isso acaba trazendo aumento no preço final dos produtos, porque ele é diluído pelo custo logístico”, afirmou.

Segundo ele, o acordo firmado entre estados e governo federal busca conter uma pressão inflacionária maior provocada pelas tensões geopolíticas internacionais.

“Esse subsídio que aconteceu e vai fazer com que Alagoas perca R$ 50 milhões em arrecadação é um pacto que os governadores estaduais fizeram com o governo federal para segurar o preço do diesel. O preço do barril de petróleo está oscilando muito em detrimento desse conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã”, disse.

Laurentino também destacou que o aumento do diesel impacta diretamente diferentes setores da economia nacional.