Política
Ex-primeira-dama de AL busca resgatar bases no Sertão, em meio a novos alinhamentos políticos
O cenário político de Alagoas ganha novos contornos e uma dose extra de tensão familiar e estratégica neste final de semana. A ex-primeira-dama do Estado, agora assinando Marina Cintra, deu um passo decisivo em sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa (ALE) ao escolher o Sertão como ponto de partida para consolidar sua nova fase política.
Ex-prefeita de Batalha por dois mandatos consecutivos, Marina deixou a capital para "mergulhar" nas ruas da cidade que administrou. O movimento é simbólico: ao buscar o reconhecimento popular em sua base histórica, ela tenta desvincular sua imagem da gestão estadual e reafirmar seu capital político próprio.
Em vídeo publicado neste domingo (26), Marina destacou o tom emocional da visita: “Passar por Batalha nunca é só uma visita… é reviver cada passo, cada luta e cada conquista que construímos juntos. Foi sentir, de perto, o reconhecimento de um povo que não esquece”, afirmou.
O “racha” familiar e o fator JHC
A movimentação de Marina não é apenas administrativa, é profundamente política. Agora aliada ao grupo do ex-prefeito de Maceió, JHC — o principal opositor do seu ex-marido, o governador Paulo Dantas — Marina assume um posicionamento de confronto direto com o Palácio República dos Palmares.
O tabuleiro em Batalha, no entanto, é complexo:
A Prefeitura: O atual prefeito, Wagney Dantas, é primo de Paulo Dantas, o que coloca Marina em território onde a máquina municipal está alinhada ao seu antigo grupo político.
O fator Major Izidoro: O racha chega até a família Cintra. Informações de bastidores indicam que seu irmão, Theobaldo Cintra, prefeito de Major Izidoro, não deve caminhar com a irmã nesta empreitada. Theo estaria inclinado a apoiar Paulinho Mendonça, que recentemente deixou uma secretaria de Estado para disputar uma vaga na ALE sob as bênçãos do grupo governista.
Ao afirmar que seu "cuidado chegou na região e atravessou histórias", Marina sinaliza que sua campanha não ficará restrita aos limites de Batalha. A meta é herdar o vácuo deixado por lideranças sertanejas e se consolidar como a voz do grupo de JHC no interior do Estado.
“A incursão de Marina pelo Sertão é um teste de fogo. Ela precisará provar que o "trabalho que mudou vidas" em Batalha é forte o suficiente para superar as alianças firmadas pelo Palácio e a influência de sua própria família, que hoje se divide entre o sangue e o poder”, disse um prefeito do Sertão, que nos pediu para não revelar seu nome.
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