Política
Em Alagoas, cresce o número de eleitores entre 16 e 17 anos
Processo eleitoral deste ano terá quase 10 mil jovens menores de 18 anos aptos a votar no Estado
Desde as últimas eleições para presidente, senador, deputado e governador, em 2022, o envolvimento de jovens abaixo de 18 anos no processo eleitoral segue em crescimento. De acordo com um levantamento da Unicef, baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em fevereiro deste ano, 28.002 alagoanos desta faixa etária estavam registrados e aptos a votar, o equivalente a quase 29% dessa população no Estado. Em 2022, eram apenas 18.194 eleitores com essas características.
Isso vai na contramão do país, já que nacionalmente, o percentual de jovens aptos cadastrados caiu neste período. Em 2022 eram 34%, contra apenas 20% este ano. Alagoas está acima da média nacional, mas entre os estados do Nordeste, somos o 5º maior índice de participação de jovens em percentual.
De acordo com a Unicef, o Brasil tem 5,8 milhões de adolescentes entre 16 e 17 anos. E dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, até fevereiro, quase 1,8 milhão de adolescentes de 15, 16 e 17 anos haviam tirado o título de eleitor. Ou seja, apenas dois em cada 10 jovens aptos já fizeram o cadastro eleitoral.
Na percepção desse público apto a votar, as eleições vêm ganhando relevância. A estudante Deborah Rocha, de 17 anos, sente o reflexo em sua vida.
“Eu acho que a política é uma coisa muito importante, mesmo que muita gente não leve tão a sério. Para mim não é só sobre políticos ou eleições, mas sobre tudo que influencia a nossa vida no dia a dia, tipo educação, segurança, saúde. E mesmo sendo tão jovem, eu já percebo que várias decisões que são tomadas lá em cima acabam afetando diretamente toda a população, por isso eu acho que não dá para ser indiferente. A gente precisa se informar, ter opinião e principalmente participar”.
Ela acredita que pode ser parte da solução. “Eu não vejo a política como algo chato ou distante, mas como uma forma de exercer cidadania e, tipo, entender que a gente também tem responsabilidade sobre o rumo das coisas. Por isso que eu quis tirar meu título, para começar a fazer parte disso e não só assistir e tudo”.
Mesmo sabendo que o voto ainda não é obrigatório, ela está se alistando como eleitora. “Eu decidi tirar meu título, mesmo não sendo obrigatório, porque eu acho importante começar a participar desse processo desde já, sabe? Mesmo só tendo 17 anos, eu tenho opinião sobre várias coisas que acontecem no nosso cotidiano e acredito que o voto é uma forma de fazer minha voz ser ouvida. E eu também vejo isso como um exercício de cidadania. Não quero esperar ser obrigada para começar a me posicionar. Quanto antes eu aprender a importância disso, melhor para mim como pessoa e como cidadã. E além disso, eu acho que os jovens precisam se envolver mais, porque as decisões de hoje vão impactar diretamente o nosso futuro, né? Então, para mim, votar é uma forma de contribuir e não ficar só reclamando sem fazer nada”.
Dos que assumirão o poder no próximo período, ela espera política voltada para a classe trabalhadora. “Eu espero que os próximos governantes sejam mais responsáveis com o dinheiro público e tenham um real compromisso com o desenvolvimento do país. Para mim é essencial que valorize o trabalho, incentive o crescimento da economia, crie mais oportunidades, principalmente para nós jovens que estamos começando a vida agora”.
Além disso, a estudante cobra lisura e trabalho voltado para a comunidade. “Também espero mais transparência, menos promessas das economias. Acho que é importante que quem esteja no poder tenha uma gestão mais eficiente, sem tantos escândalos, com foco em resultados concretos, não só em discursos. Eu espero governantes mais preparados que realmente representem a população e tomem decisões pensando no futuro do país e não apenas em interesses próprios ou políticos”.
Mesmo com toda a consciência e engajamento no debate, as jovens não vislumbram ocupar os espaços de poder no futuro. Deborah acredita que é uma tarefa muito grande.
“Eu, sinceramente, não me imagino ocupando um cargo político. Não é algo que eu tenha vontade, porque sei que envolve muita responsabilidade, pressão e também muita exposição. Isso não combina tanto comigo, mas ao mesmo tempo eu admiro muito ver os jovens entrando na política e se posicionando. Acho importante ter pessoas da nossa geração participando e trazendo novas ideias, representando melhor a nossa realidade. Tem vários candidatos que eu acompanho e gosto muito do posicionamento, justamente por serem mais próximos da nossa vivência. Então, mesmo não querendo estar diretamente na política, eu acho válido apoiar, acompanhar e cobrar, porque no fim a política faz parte da vida de todo mundo e a gente não pode simplesmente ignorar”.
SEM PROJEÇÕES
POLÍTICAS
A jovem eleitora Maryna Félix, também faz questão de exercer o direito. Ela vai votar esse ano para fazer parte da mudança.
“Nós, como jovens, acreditamos que devemos participar desse mundo eleitoral, claro com sabedoria. Se todos nós jovens queremos mudanças precisamos atuar nesse meio”. Ela destaca o papel da política e como está hoje. “Eu acho que a política é muito importante, porque influencia diretamente a vida de todos, em todos quesitos básicos. Creio eu que poderia ser melhor, pois ainda existem muitos problemas, corrupções, falta de compromisso e promessas que deveriam ser cumpridas”.
Segundo ela, é preciso entender que os próximos governantes não podem resolver tudo, mas precisam avançar. “Dá para esperar algumas coisas, mas não dá pra acontecer milagres rápidos. Eu acho que botar muitas expectativas sobre os próximos governantes não seja algo de critério certo, não é que eles não façam nada, mas quando fizesse não prejudicasse tanto a todos. Não grandes revoluções, mas melhorias concretas como melhoria na economia, ajustes em pontos na educação e saúde”.
Maryna não se vê disputando cargos eletivos no futuro. “Amo ajudar as pessoas, mas acho que um cargo de nível superior não seja pra mim, não é algo que sinta vontade, não tenho muito a ver com esse meio”.
O mesmo acontece com Anthonelly Marrie, que não se imagina participando como candidata em um processo eleitoral, mas já está com o título em mãos para votar esse ano. “Quero poder participar desse ato democrático, sinto que faço minha parte exercendo minha cidadania, acho importante para a construção de um talvez futuro novo. Acho a política importante, principalmente para a organização social”.
Na visão de Anthonelly, o cenário político atual é positivo. “Eu gosto, comparando com antes, hoje, cada dia mais estamos evoluindo”. Mas ela espera mais dos próximos governos. “Projetos mais elaborados, que atendam às necessidades da população de forma coerente e com programas que auxiliem as comunidades mais pobres, garantindo equidade a todos”.
“Participação da juventude no processo eleitoral é fundamental”
Para o Ministério Público Eleitoral (MPE), o aumento de eleitores abaixo dos 18 anos representa um grande potencial. Marcial Coêlho, procurador regional eleitoral em Alagoas, destaca o papel do envolvimento dessas pessoas no processo.
“Entendemos que a participação da juventude no processo eleitoral é fundamental para o fortalecimento da democracia. Quando observamos que quase um terço dos jovens de 16 a 18 anos em Alagoas estão aptos a votar, vemos um dado relevante, que revela tanto um avanço quanto um potencial ainda maior de engajamento”.
A construção de novas gerações de cidadãos, na opinião de Marcial Coêlho, passa por isso. “Eu considero que o voto nessa faixa etária tem um papel que vai além da escolha de representantes. Ele é também um instrumento de formação política e de construção da cidadania. É, muitas vezes, o primeiro contato direto desses jovens com a política, e isso contribui para o desenvolvimento de uma consciência crítica e participativa. Quando eles participam, temas que afetam diretamente essa geração passam a ter mais visibilidade, o que torna o debate público mais diverso, mais atual e mais representativo”.
Coêlho defende que a juventude seja motivada a tirar o título. “Nós defendemos que é essencial incentivar o alistamento eleitoral e a participação informada dos jovens. Quanto mais cedo o cidadão compreende a importância do voto, maior é a tendência de que ele permaneça engajado ao longo da vida, contribuindo com a defesa das instituições democráticas”.
A cientista política Luciana Santana pondera que vários fatores devem ser considerados para saber como o voto do eleitorado abaixo dos 18 anos influencia no todo, mas ela não tem dúvidas de que interfere.
“Todo voto faz diferença, esse é o principal ponto que eu gostaria de dizer. O que define exatamente é algo que a gente precisa ir a fundo nos dados e saber qual é a preferência, qual o perfil, se eles efetivamente vão votar ou não, renda, isso tudo a gente pondera. De qualquer forma, é inegável que 28% de jovens que não têm obrigatoriedade de votar fazem diferença e qualificam o processo político, ou seja, eles vão estar de alguma maneira contribuindo com o processo eleitoral, dando suas posições e preferências eleitorais, então acho que isso é importante, então faz diferença sim para o processo democrático”.

Essa participação dos jovens eleitores, na leitura de Santana, estima a realidade futura.
“Tem um papel importante na formação de política para novas gerações, políticas públicas. Porque eles estão decidindo alternativas de governo, seja para presidente, para governador e também aqueles que vão estar nos espaços legislativos, que é onde efetivamente as políticas públicas são construídas e fiscalizadas. Então tem toda uma contribuição importante. Claro, importante que também, além de votar, eles possam estar antenados de alguma maneira contribuindo com as discussões desde o âmbito local, nos seus espaços de socialização, com via de acesso aí a esses outros espaços, qualifica com certeza o processo”, argumenta.
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