Política

Fechamento de unidades bancárias prejudica aposentados

Nos últimos dois anos, Bradesco fechou 25 postos de atendimento e sete agências bancárias em Alagoas, diz Sindibancários

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 10/04/2026 08h45
Fechamento de unidades bancárias prejudica aposentados
Segundo o Sindicato dos Bancários, no total, foram fechadas em Alagoas 38 agências desde o final de 2019 e 63 desde o final de 2015 - Foto: Ricardo Rodrigues

O presidente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, Thyago Miranda, disse anteontem (8/4), em entrevista exclusiva à reportagem da Tribuna Independente, que o fechamento de agências bancárias está prejudicando o pagamento dos aposentados da Previdência Social.

De acordo com o sindicalista, em Alagoas, o fechamento de agências bancárias acompanha uma tendência nacional, reflexo da digitalização dos serviços e da acumulação do lucro. Com a maioria das transações sendo realizadas online, a necessidade de manter agências física diminuiu.

Segundo o Sindicato dos Bancários, no total, foram fechadas, em Alagoas, 38 agências desde a final de 2019, e 63 desde o final de 2015. Elas totalizavam 202 em 2015; e 177 em 2019. Em fevereiro de 2026, eram 139 agências no estado. Uma queda de 31% em 10 anos e de 21,4% desde 2019.

Na contramão dessa tendência, as cooperativas de crédito, como o Sicredi e o Sicoob, estão ampliando sua presença em Alagoas, com 41 postos de atendimento e um aumento de 57,69% nos últimos dois anos, de acordo com o Conselho Regional de Economia no Estado (Corecon/AL).

“A diretoria do Sindicato é totalmente contra o fechamento das agências, até porque prejudica a categoria e a clientela como um todo. Basta ver o sufoco que os aposentados e pensionistas do INSS passam nas filas dos bancos, nos dias de pagamento”, comentou Miranda.

Segundo ele, nos últimos dois anos, o Bradesco fechou 25 postos de atendimento e sete agências bancárias em Alagoas, totalizando mais de 60 funcionários demitidos. “No entanto, demanda existe, falta apenas melhorar o atendimento”, acrescentou.

O sindicalista disse ainda que não é só o Bradesco que vem praticando demissão em massa. “Os demais bancos privados também estão demitindo, a exemplo dos bancos estatais, principalmente a Caixa Econômica Federal, que fechou algumas agências”, completou Miranda.

Ele disse que o Sindicato é contra essas demissões, até porque a entidade entende que existe demanda e lucratividade. “No entanto, essa política dos banqueiros de reduzir despesas para manter o lucro, compromete a qualidade dos serviços e a saúde dos bancários”, comentou.

Miranda disse que a categoria está adoecendo cada vez mais, contraindo lesões e doenças psicossomáticas. Não por acaso, o Grupo de Trabalho dos empregados do Itaú se reuniu ontem (8/4), com representantes do banco, na sede da Contraf-CUT, em São Paulo.

A reunião teve como objetivo dar continuidade às negociações sobre uma série de problemas de saúde que vêm sendo denunciados pelos trabalhadores. A reunião foi precedida de um encontro preparatório do GT, realizado no dia anterior.

INTERIOR

De acordo com o sindicalista, se a situação na capital já é crítica, no interior do Estado é muito pior. “Nas cidades pequenas, as agências já fecharam, e agora os bancos estão fechando os postos de atendimento. Essa situação é agravada com a digitalização dos serviços”, observou.

Funcionário do Banco do Nordeste, Thyago Miranda sabe que quando um banco fecha uma agência bancária, numa cidade de pequeno ou médio porte, prejudica toda a economia do município. “Isso acontece porque quando a população recebe em uma cidade, gasta ali mesmo, indo às compras e fazendo circular o dinheiro naquele município onde foi feito o saque”, enfatizou.

Sobre a falência do Banco Master, o sindicalista disse que esse crime financeiro precisa ser investigado a fundo pelos órgãos de fiscalização, para que esse tipo de fraude não se repita, caso contrário estará colocando em risco a saúde do sistema financeiro nacional.