Política
Semana da Verdade discute os impactos da ditadura militar em Alagoas
Evento é uma iniciativa da Comissão da Memória, Verdade, Justiça e Reparação e propõe reflexão sobre o passado na busca por justiça e reparação histórica
A Comissão da Memória, Verdade, Justiça e Reparação (CMVJR) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) promove, entre os dias 30 de março e 1º de abril, a 1ª Semana da Verdade. O evento terá atividades nos campi A.C. Simões (Maceió) e do Sertão (Delmiro Gouveia). Para participar, basta realizar inscrição no site - https://linktr.ee/comissaodave....
A programação inclui mesas-redondas, palestras, oficina de análise de arquivos históricos e preservação da memória sobre a ditadura, cine-debates e ato simbólico em memória aos estudantes da Ufal que foram vítimas do governo ditatorial.
A presidenta da CMVJR, professora Emanuelle Rodrigues, explica que este é o primeiro ano em que o 1° de abril entra oficialmente no Calendário da Ufal como o dia da Memória, Verdade, Justiça e Reparação, após deliberação do Conselho Universitário (Consuni). “Trata-se de uma data especial, por isso construímos uma programação diversificada com especialistas sobre a Ditadura Militar no Brasil. Nosso intuito é mobilizar a comunidade acadêmica sobre o tema, que até hoje tem reverberações na sociedade, e firmar o compromisso da Universidade na busca por justiça e reparação”.
O professor Rodrigo Alcântara, que também é membro da Comissão da Verdade da Ufal, ressaltou a importância da iniciativa: "A Comissão da Memória da Ufal surge em 2025, em um momento no qual o debate público sobre a ditadura empresarial militar brasileira e os seus efeitos continuados no presente adquiriram visibilidade, principalmente os crimes cometidos durante a ditadura: o desaparecimento de perseguidos políticos e a ocultação de cadáveres em cemitérios e valas clandestinas. O evento dá continuidade às ações simbólicas promovidas pela Comissão em 2025, estimulando uma discussão e uma reflexão pública sobre a necessidade de políticas permanentes de memória, justiça e reparação aos atingidos pela ditadura, sobretudo os membros da comunidade universitária da Ufal que sofreram algum tipo de vigilância ou perseguição."
A professora Martina Spohr, da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi convidada para ministrar a oficina "Trabalhando com arquivos da ditadura". Para a profissional, será uma honra poder participar da 1ª Semana da Verdade na Ufal. "É extremamente importante que a gente continue estabelecendo Comissões da Verdade em qualquer âmbito. Quero apoiar muito a iniciativa das professoras em trazer esse debate para as Alagoas. Fico muito feliz em contribuir com a oficina sobre arquivos e ditadura, algo que eu me dedico há muitos anos. Espero poder contribuir para o debate, para que a gente nunca mais esqueça e para que nunca mais aconteça", afirmou.
Reforçando a necessidade de discutir o período, o professor Osvaldo Coggiola, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que lembrar as ditaduras militares, no Brasil e na América do Sul, não é só lembrar o passado, é também analisar uma componente do presente. "Durante um quarto de século, mortos, desaparecidos, prisioneiros políticos, torturados e exilados se contaram por dezenas de milhares. A pior consequência das ditaduras, para além de suas políticas econômicas e culturais retrógradas e de seu totalitarismo político, foi o assassinato de milhares de militantes e lideranças populares latino-americanas. Com eles vivos, a história de nossa parte do mundo provavelmente teria sido diversa. Sua eliminação física realizou grande parte dos objetivos das ditaduras e de seus sustentadores externos. Esse passado faz parte de nosso presente", destacou.
Mais sobre a comissão
Criada em maio de 2025, a Comissão da Memória, Verdade, Justiça e Reparação (CMVJR) foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consuni) na sessão realizada em 6 de maio de 2025. Instituída pela Resolução nº 58/2025 – Consuni/Ufal, a comissão tem como finalidade investigar, esclarecer e propor medidas de reparação referentes a violações de direitos humanos e civis ocorridas no período entre 31 de março de 1964 e 5 de outubro de 1988, no âmbito da Universidade, durante a Ditadura Militar.
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