Política

Audiência pública na Câmara debate as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência

Vereadora Teca Nelma conduziu as discussões que contou com uma série de demandas para enfrentar as barreiras da mobilidade

Por Dicom CMM 14/03/2026 00h52
Audiência pública na Câmara debate as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência
Vereadora Teca Nelma presidiu a audiência pública - Foto: Dicom CMM

Por meio de uma proposta da vereadora Teca Nelma, a Câmara Municipal promoveu na tarde desta sexta-feira (13), uma audiência pública para discutir as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência.

Estiveram presentes e compuseram a mesa de honra, a secretária-executiva da Pessoa com Deficiência de Alagoas, Marina Dantas; a presidente da Associação de Mulheres com Deficiência em Alagoas, Aninha Tributino; Maurício Ramos, arquiteto, urbanista e especialista em mobilidade urbana; e o presidente da Rede de Pessoas com Deficiência, professor Edmilson de Sá.

Para a vereadora Teca Nelma, que presidiu a audiência pública, defender os interesses das pessoas com deficiência é uma necessidade urgente.

“Se estamos aqui para reivindicar direitos, é porque temos direitos sendo desrespeitados, sobretudo quando se fala em inclusão e acessibilidade, que são temas que ainda precisam de muitos avanços. Tenho um sentimento de esperança e nos motiva todos os dias a lutar por uma causa tão justa e necessária. Seguiremos trabalhando, discutindo e agindo por mais inclusão, acessibilidade, mais respeito e mais dignidade”, garantiu a parlamentar.

Em seguida, a secretária Marina Dantas reforçou que é fundamental respeitar a Lei da Inclusão.

“Falar de transporte público é tratar de cidadania e respeito aos direitos. É relevante e importante que a Lei de Inclusão atenda a necessidade das pessoas com deficiência. Sabemos das dificuldades que as pessoas com deficiência em Maceió enfrentam com pontos de ônibus não acessíveis, profissionais que não estão capacitados e elevadores que não estão disponíveis. Tudo isso compromete a vida destas pessoas, dificulta acesso ao trabalho, serviços de saúde, ir à escola. É uma escuta ativa importante nesta audiência”, analisa.

Já Aninha Tributino ressaltou que a audiência pública promoveu um debate qualificado, mostrando que as pessoas com deficiência precisam de autonomia e segurança.

“Estávamos precisando de um debate qualificado como este. Defender o transporte público é ter em Maceió ônibus de qualidade que nos garantam autonomia e segurança. Precisamos que essa audiência tenha resultados para nós, e que sejamos beneficiados para termos uma rotina normal. Depender do transporte público com ônibus tem sido uma complicação, e nos dias de chuva, a situação piora. São pontos de ônibus inadequados, muitos ônibus com elevador quebrado, e tudo isso precisa ser levado ao conhecimento do Município”, ressaltou.

Para o arquiteto e professor Maurício Ramos, muitos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência são decorrentes da ausência de educação e empatia de muitos profissionais.

“O ambiente inacessível é um dos vilões das pessoas que necessitam de um grande suporte para se locomover em Maceió. Vivemos em uma cidade maravilhosa, mas que 100% dos ônibus tem plataformas de elevação, mas muitas delas não funcionam. Infelizmente, temos trabalhadores que não respeitam as pessoas idosas, pessoas com deficiência e isso também é um complicador. O Plano de Mobilidade Urbana está incompleto, o Plano Diretor está defasado, e esses mecanismos também tornam a vida das pessoas com deficiência mais complexa”, avalia.

O professor Edmilson de Sá defendeu que as pessoas com deficiência sejam auxiliadas para enfrentar uma série de adversidades, a exemplo das barreiras arquitetônicas, urbanísticas, de transporte, comunicação, tecnológicas e a “famigerada barreira atitudinal”.

“O processo de invisibilidade é extremamente cruel com as pessoas com deficiência. Se todas as pessoas tivessem autonomia e acessibilidade, hoje teríamos mais pessoas com deficiência usando o transporte coletivo. O cenário de hoje, por exemplo, é que quando eu entro no ônibus, não há mais que uma pessoa [no caso eu], dentro daquele veículo. Se faz muito necessário modificar esta situação, esta realidade, bem como é preciso mudar a forma como o transporte coletivo, os transportes, estão equipados para receber as pessoas com deficiência”, contextualiza o professor.

A audiência pública também contou com abordagens de pessoas com deficiência que representam a sociedade civil organizada, associações, entidades, que relataram diversas dificuldades sobre a locomoção na capital alagoana.