Política
Operação da Polícia Federal faz diligências em Maceió
PF investiga obtenção, adulteração e comercialização de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal
A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem a Operação Dataleaks, para esclarecer a existência de uma base de dados não oficial abastecida com informações pessoais e sensíveis de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota, a PF disse que a organização criminosa é “especializada na obtenção, na adulteração, na comercialização e na disseminação ilícita de dados pessoais e sensíveis provenientes de bases governamentais e privadas”.
Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva, nos estados de São Paulo, de Tocantins e de Alagoas. As ordens partiram do Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes é relator de uma investigação sigilosa sobre o tema.
São investigadas suspeitas da prática dos crimes de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.
O grupo vendia dados de autoridades e pessoas influentes na sociedade. As informações eram comercializadas em base de dados que continha informações pessoais de ministros do STF. Por isso, o pedido de investigação partiu do comando do Supremo.
SEM DETALHES
Em Alagoas, a Superintendência Regional da Polícia Federal confirmou as diligências em Maceió, para cumprimento de mandados judiciais, mas não deu detalhes.
“Temos viaturas realizando movimento logístico sigiloso e operação concomitante de apoio a Brasília, que coordena [a operação] e não detalhou o objeto”, informou a assessoria de comunicação da PF em Maceió.
De acordo com informações divulgadas pelas agências nacionais de notícias, a organização criminosa é suspeita de acessar indevidamente informações pessoais do ministro do STF, Alexandre de Moraes, e de outros integrantes da Corte.
Segundo a PF, os investigados operavam uma plataforma com base de dados não oficial, abastecida por meio de invasões a sistemas governamentais e privados.
Por isso, a Federal confirmou que o objetivo da operação é interromper a disseminação de dados sensíveis provenientes dessas bases hackeadas.
HACKER
Em junho do ano passado, a Polícia Civil de Alagoas (PC/AL), por meio da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core/Dracco), cumpriu um mandado de busca e apreensão nesta em um imóvel alugado por um hacker na Barra Nova, em Marechal Deodoro.
À época, a ação foi liderada pela delegada Bárbara Porto. O indivíduo já havia sido preso no Rio Grande do Sul e estava sendo apontado como suspeito de invadir e manipular sistemas judiciais daquele estado. O nome do suspeito não foi divulgado. No entanto, há suspeita de que ele teria colocado Alagoas na rota de crimes cibernéticos.
A Policia Civil de Alagoas apurou que ele é acusado de falsificar documentos e adulterar processos em Santa Catarina com o objetivo de prejudicar o andamento processual e desafiar os sistemas judiciais. Há indícios de que ele utilizava ferramentas sofisticadas para ocultar suas ações e dificultar a detecção das invasões.
OPERAÇÃO
A Operação Dataleak, conduzida pela PF, evidenciou graves vulnerabilidades na proteção de dados de ministros e beneficiários do INSS, revelando o uso indevido de informações sigilosas por servidores públicos e empresas privadas para a prática de fraudes e oferta abusiva de produtos financeiros.
Talvez por isso, entre os suspeitos investigados estariam funcionários de instituições financeiras, que teriam facilitado o acesso aos dados hackeados. Por isso, há suspeita de um servidor da Caixa Econômica Federal estaria entre os suspeitos.
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