Política

Mulheres fortalecem pautas de luta

Movimentos feministas defendem que batalha contra violência só será vencida com mudança da realidade socioeconômica

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 06/03/2026 09h10
Mulheres fortalecem pautas de luta
protagonismo no debate político, as mulheres vêm ampliando a pauta e compreendendo que a economia, a geopolítica e principalmente a democracia, interferem tanto nas suas vidas quanto o combate à violê - Foto: Divulgação

Contra o imperialismo, por democracia, soberania pelo fim da escala 6×1. Essas são as pautas escolhidas pelas mulheres para a luta a ser feito no 8 de março de 2026. Assumindo cada vez mais o protagonismo no debate político, as mulheres vêm ampliando a pauta e compreendendo que a economia, a geopolítica e principalmente a democracia, interferem tanto nas suas vidas quanto o combate à violência.

De acordo com Lenilda Lima, secretária de Mulheres da CUT Alagoas, enquanto as mulheres não estiverem participando dos espaços de decisão, a guerra contra a violência de gênero será perdida.

“A estrutura de sociedade que ainda hoje, após tantos avanços, continua mantendo os espaços de decisão predominantemente com os homens, que sobrecarrega as mulheres com tarefas domésticas acumuladas com o trabalho, é o que propicia essa cultura da violência, do feminicídio. Estamos lutando para que crimes não fiquem impunes, mas é preciso mudar a estrutura política da sociedade para que mulheres parem de ser mortas pelo simples fato de ser mulheres”.

A escolha da pauta este ano chama atenção para temas que seguem em disputa pelos grandes líderes mundiais. Com a possibilidade da eclosão de uma terceira guerra mundial sendo o principal assunto do noticiário, as mulheres compreendem que elas serão as principais afetadas e que é momento de se posicionar.

“Quando a gente coloca que é contra o imperialismo norte americano não estamos apenas reagindo ao ataque a outros países latinos, estamos alertando para o risco que o Brasil corre. As mulheres são os primeiros alvos nesse contexto de guerra e catástrofe”.

Se colocando como parte da solução, os movimentos feministas vão às ruas no próximo domingo, Dia Internacional da Mulher, para propor outros caminhos. “É necessário que as barreiras estruturantes de uma sociedade patriarcal, racista e lesbofóbica sejam combatidas através de políticas transversais e intersetorializadas. Isso se faz numa junção de sociedade e poder público construindo um projeto de sociedade mais humano e com justiça social”, explica Lenilda.

No último ano, o Brasil enfrentou tentativa de interferência externa no poder executivo e judiciário. O presidente da república adotou o discurso da soberania nacional como bandeira, e agora o tema também foi incluído na pauta das mulheres. Enquanto Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, impôs taxas aos produtos brasileiros, a popularidade das lideranças de oposição sofreu um abalo por apoiar a iniciativa. O pedido de anistia a golpistas do 8 de janeiro não foi atendido, e Lula saiu fortalecido da queda de braço.

Outra pauta econômica que as mulheres estão defendendo é o fim da escala 6x1. Em tramitação no Congresso Federal por conta de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL), a redução da jornada de trabalho é vista como uma pauta que pode transformar positivamente a vida das mulheres. Elas explicam que o tempo livre ainda é usado para trabalho não remunerado.

“O IBGE nos traz o dado de que as mulheres trabalham 9,6 horas a mais que os homens em afazeres domésticos ou cuidando de pessoas. Também se faz necessário reparar, devidamente, as mulheres negras e indígenas, além de um debate real sobre o orçamento público porque jamais haverá igualdade com cortes em áreas sociais e proteção aos mais ricos”, argumenta Lenilda Lima.

Em ano eleitoral, o alerta vai também para a baixa representatividade das mulheres nos parlamentos. Na assembleia legislativa estadual dos 27 parlamentares as mulheres são sete. Na bancada federal alagoana é ainda pior, não tem nenhuma mulher. São nove vagas ocupadas por homens.

As lideranças defendem reflexão na hora do voto.

“A ampliação da participação feminina na política é um tema de extrema relevância numa conjuntura onde a violência política atinge cotidianamente as mulheres que conseguem quebrar as barreiras visíveis, as camufladas e ocupam cargos eletivos. Somente quebrando essa permissividade de controle do poder masculino, que subestima a capacidade, a competência das mulheres e ditam os lugares a elas reservados, podemos pautar políticas públicas voltadas às necessidades e proteção a vida das mulheres. Por isso, a participação política das mulheres é imprescindível em todos os espaços”, afirma Lenilda Lima.