Política

Crime da Braskem é lembrado por PT e PCdoB

Vereador diz que Braskem deve ter lucro de R$ 25 bilhões com tragédia do afundamento do solo na capital alagoana

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 04/03/2026 08h48
Crime da Braskem é lembrado por PT e PCdoB
Empresa expulsou de suas casas mais de 60 mil pessoas e interditou cerca de 15 mil imóveis nos cinco bairros destruídos pela mineração - Foto: Edilson Omena

Apenas a Câmara Municipal de Maceió, por meio da vereadora Teca Nelma (PT) e do vereador Charles Herbert (PCdoB), lembrou os oito anos da maior tragédia socioambiental em curso no mundo: o afundamento do solo em Maceió, provocado pela Braskem, que expulsou de suas casas mais de 60 mil pessoas e interditou cerca de 15 mil imóveis nos cinco bairros destruídos pela mineração.

O vereador Charles Herbert disse que até agora, oito anos do crime, ninguém foi preso e condenado, no entanto a empresa continua lucrando com a tragédia que abalou Maceió. Segundo Herbert, a Braskem deve ter um lucro em torno de R$ 25 bilhões com a tragédia do afundamento do solo em Maceió.

“De acordo com cálculos feitos por especialistas que estudaram esse crime, a Braskem teria gasto no máximo cerca de R$ 25 bilhões em indenizações. No entanto, deve lucrar mais R$ 50 bilhões com os imóveis interditados, passados para o nome dela, em cartórios. Ou seja, a empresa deve lucrar o dobro do que gastou com as indenizações”, afirmou o vereador.

Na sessão plenária da Assembleia Legislativa de Alagoas nenhum discurso foi feito pelos deputados estaduais presentes – nem mesmo o deputado Leonam Pinheiro (União Brasil), que preside a Comissão de Meio Ambiente, fez uso da palavra para lembrar a data.

MÍDIAS SOCIAIS

Nas mídias sociais, foram poucas as postagens dos políticos acerca dos 8 anos do crime da Braskem. Apenas o Diretório do PT de Maceió fez uso da internet para colocar o assunto em evidência na grande rede. Por meio de dois depoimentos, um da presidente do diretório municipal do PT, Alê Costa, e outro da vereadora Teca Nelma, do PT de Maceió.

As entidades em defesa das vítimas, diferentemente de anos anteriores, não realizaram nenhum ato público para lembrar a data ontem. No entanto, protestaram nas mídias sociais contra a impunidade e falta de apoio das autoridades para se fazer justiça no Caso Braskem em Maceió.

PROGRAMAÇÃO

O Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) apresentou uma programação alusiva à data, com uma roda de conversa sobre o Caso Braskem na quinta-feira (5), às 18h30, no Instituto Bom Parto; e no sábado (7), às 8h30, nos Flexais.

“O dia 3 de março de 2018 é lembrado como o dia do tremor da Braskem em Maceió. Mas o que vivemos não começou ali! São décadas de mineração predatória, de violação de direitos e de um modelo que coloca o lucro acima da vida”, afirmou o MAM, cuja coordenadora em Alagoas é a bióloga Neirevane Nunes.

Segundo ela, o crime da Braskem reafirma o que o MAM denuncia há anos: “territórios não são zonas de sacrifício, comunidades não são descartáveis e o subsolo não pode valer mais que a dignidade de um povo”. O MAM luta por soberania popular na mineração, por justiça socioambiental e por um modelo que coloque a vida no centro.

Por isso, na quinta-feira estará debatendo o tema “Saúde mental em colapso: 8 anos de crime”, porque o impacto não é apenas estrutural, é psicossocial, é cotidiano, é coletivo; e no sábado, pela manhã, debaterá o tema “Flexais Não Está à Venda: 8 Anos de Crime e Resistência”, em defesa dos povos tradicionais, à realocação justa e à reconstrução digna dos projetos de vida.