Política

Renan Filho vê Alckmin como vice natural de Lula

Ministro dos Transportes reitera que vai deixar posto no prazo da desincompatibilização para ser candidato ao Governo de Alagoas

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 04/03/2026 08h44 - Atualizado em 04/03/2026 08h47
Renan Filho vê Alckmin como vice natural de Lula
Renan Filho gostou de ser cotado como opção para ser vice de Lula, mas pretende disputar governo estadual - Foto: Edilson Omena

Durante a convenção do MDB Alagoas, na última segunda-feira (2), o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB) abordou temas sobre a conjuntura política nacional. A reportagem da Tribuna Independente questionou sobre a discussão nacional em torno da decisão sobre quem pode ser o vice do presidente Lula nas eleições deste ano. Renan Filho é um dos cotados.

“Acho que não tem esse debate colocado ainda. Primeiro que o vice-presidente Geraldo Alckmin é um vice muito representativo. É um excelente quadro, é um homem leal e ele deseja ficar. E eu acho que se ele desejar ficar, e o presidente Lula tiver as condições de reeleição com a chapa, eu acho que essa é a tendência natural”, declarou Renan Filho, negando que o MDB esteja pleiteando o posto.

Renan Filho reconhece que gostou de ser cogitado como uma das opções, mas garantiu que não acha uma boa ideia.

“Eu vou me desincompatibilizar porque eu serei candidato ao Governo do Estado de Alagoas. Por isso que eu estou me desincompatibilizando do Ministério dos Transportes. Mas eu me sinto pessoalmente envaidecido, de ter o meu nome pelo menos lembrado num momento como esse, apesar de entender que o caminho mais natural não é esse. O caminho natural é que eu dispute o Governo do Estado de Alagoas. É para isso que eu estou preparado, é sobre isso que nós temos discutido com todas essas pessoas que estão aqui hoje e certamente o MDB vai apresentar um projeto que dê continuidade ao governo do Paulo Dantas, assim como ele fez com o meu, mas conversando com as pessoas que dá para gente ir muito mais longe”, reforça.

O fato é que nacionalmente já aconteceram algumas vezes as especulações sobre a possibilidade de o MDB ter um vice na chapa presidencial da situação. A mais recente, seria sobre uma tentativa do próprio PT em organizar o tabuleiro eleitoral e garantir uma aliança com o MDB, e nesse caso, Renan Filho reaparece como nome forte, ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho.

Com alianças diversificadas nas diferentes realidades nos estados, o MDB tem tradição de se dividir. Nas eleições de 2022, por exemplo, lançou candidatura própria de Simone Tebet, que apoiou Lula no segundo turno e se tornou ministra. Mas desde o primeiro turno o MDB de Alagoas se posicionou ao lado do petista, e fez campanha por aqui associando Renan, Paulo Dantas e Lula como um grupo só.

Na terça-feira (3), um grupo com representação de emedebistas de 16 Estados formalizou um manifesto ao presidente nacional do partido, Baleia Rossi, defendendo que o partido formalize a neutralidade na disputa presidencial. O grupo representa maioria (pelo menos numérica) do partido no país. Dentro do partido, há grupos ligados a diferentes candidaturas, como é o caso de um projeto ainda sendo construído do PSD, que deve escolher nas próximas semanas entre os governadores Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS). Em vários estados, alianças regionais já estão em andamento, como é o caso de Alagoas.

A definição do partido em Alagoas é clara, e a convenção da última segunda-feira, que reconduziu o senador Renan Calheiros (MDB) à presidência do diretório estadual, reforçou o projeto de disputar o Governo do Estado. Renan Filho confia no legado construído como cabo eleitoral.

“Porque eu fiz algumas coisas importantes, Paulo [Dantas] fez outras. E agora a gente tem a certeza que dá para fazer mais. Então, é isso que a gente vai conversar com as pessoas. No passado, o alagoano olhava para os estados vizinhos e a gente queria ser eles. A gente olhava para perto Pernambuco, a gente queria ser Pernambuco. Então, a gente tinha políticos de outro outros estados, como Eduardo Campos [ex-governador de Pernambuco] ou mesmo Marcelo Déda em Sergipe, como referência. Isso mudou, agora eles olham para nós e dizem assim: ‘Poxa, por que que Alagoas avançou tanto?’. Então, da outra vez que eu fui governador, eu consegui fazer essa virada de chave, que é transformar o estado num estado mais eficiente, que usa bem os seus recursos, que resolveu problemas, assim, minimizou problemas históricos”, argumenta.

Já com postura de candidato, Renan Filho se mostra com disposição para mais um mandato no executivo. “Se eu acreditava, lá atrás, mais jovem com 34 anos, que dava para colocar Alagoas na vanguarda, deixar de ser o ‘patinho feio’, para ser o puxador de boas soluções para o país, agora eu tenho certeza absoluta que dá para fazer ainda mais. Então é esse ânimo que me move, que dá para fazer mais, dá para aumentar a nossa respeitabilidade nacional”, finalizou o ministro.