Política

Eleitor se afasta da política e expõe ruptura no diálogo com os partidos

Cansaço com promessas repetidas e práticas mantidas ao longo das eleições amplia a apatia e desafia o modelo político atual

Por Tribuna Hoje 23/02/2026 14h22
Eleitor se afasta da política e expõe ruptura no diálogo com os partidos
Cidadãos deixaram de se sentir representados pelo sistema político - Foto: Agência Brasil

O afastamento de parte expressiva do eleitorado do debate político tem se consolidado como um dos principais desafios da democracia brasileira. Em artigo público no site CPINews, o jornalista Antonio Fernando da Silva, o Fernando CPI, destacou que o cenário não decorre da falta de partidos, discursos ou alianças, mas da dificuldade de conexão com cidadãos que deixaram de se sentir representados pelo sistema político.

Para ele, a desistência não está associada à desinformação. "O eleitor que se afastou aponta a repetição de promessas, a permanência dos mesmos grupos no poder e a ausência de resultados concretos como fatores centrais para o rompimento. Ao longo das eleições, o voto passou a ser tratado como número, e não como compromisso contínuo com a população".

Em Alagoas, segundo o artigo, esse distanciamento se manifesta de forma mais intensa. Grupos políticos concentram esforços em disputas internas, narrativas e cargos, enquanto cresce o contingente de eleitores que não se reconhecem nessas estruturas e optam por não participar do debate público.

Eleitor independente e desgaste do modelo político

De acordo com o jornalista, entre os que se afastaram estão eleitores independentes, que não seguem lideranças fixas nem aderem a discursos ideológicos rígidos. São trabalhadores, jovens, aposentados e famílias que rejeitam o que classificam como encenação política e cobram coerência entre discurso e prática, além de ações efetivas em áreas como emprego, serviços públicos e gestão de recursos.

"A manutenção de métodos tradicionais, com mudanças restritas à comunicação eleitoral, contribuiu para o descrédito institucional. A apatia resultante desse processo não representa neutralidade. A ausência de participação enfraquece o debate democrático e amplia riscos de retrocessos", salientou.

Fernando CPI ressaltou que apesar do distanciamento, esse eleitor segue observando. A reaproximação depende da capacidade de romper com práticas consolidadas e estabelecer uma relação baseada em transparência, responsabilidade e enfrentamento de problemas cotidianos.