Política

Interiorização do gás no NE foi pauta da primeira Assembleia Geral Ordinária do Consórcio

Reunião discutiu descarbonização de indústrias e fortalecimento energético dos estados do Nordeste

Por Ana Beatriz Rodrigues / Agência Alagoas 06/02/2026 01h49
Interiorização do gás no NE foi pauta da primeira Assembleia Geral Ordinária do Consórcio
Assembleia foi conduzida pelo novo presidente do Consórcio, governador Paulo Dantas - Foto: Pei Fon / Agência Alagoas

Durante a primeira assembleia geral ordinária do Consórcio Nordeste, realizada no início da noite desta quinta-feira (5), em Maceió, foi discutido como a região pode interiorizar e priorizar o uso do gás como fonte de energia.

Os dados que embasaram a discussão estavam no estudo intitulado "Descarbonização da frota pesada do Nordeste", apresentado por José Sérgio Gabrielli, ex diretor da Petrobras, e que foca em estratégias para reduzir a emissão de gases de efeito estufa no setor de transporte de carga e passageiros na região Nordeste.

Paulo Dantas, recém-empossado presidente do Consórcio, conduziu a assembleia falando sobre os investimentos no ramo, em Alagoas.

“Aqui temos investido nos dutos de gás, em especial no interior do estado. Vamos inaugurar, nos próximos dias, mais uma base de gás - agora no município de Batalha - que vai beneficiar duas plantas industriais instaladas na indústria leiteira. Então, é importante discutimos isso e elevarmos para o nível Nordeste”.

(Foto: Pei Fon / Agência Alagoas)


O estudo mostrou que o Nordeste é autossuficiente em produção de gás: o consumo chega a cerca de 12 milhões de m³/dia e não sofre com falta de gás. Porém, embora atualmente a rede de gasodutos atenda à demanda existente, o estudo mostra que é preciso pensar em melhorar e ampliar a oferta de gás como forma de diminuir o uso dos combustíveis fósseis.

“Sem um aumento da demanda regional, o excesso de gás produzido no Nordeste será enviado para o Sudeste, via inversão do fluxo dos gasodutos, e não é isso que queremos”, destaca Sérgio Gabrielli.

Segundo previsões do estudo, a expectativa é que a produção do Pré-sal caia, a partir de 2032/33. Além disso, por questões políticas, é possível que a oferta da Bolívia e da Argentina possa diminuir por falta de investimentos.

“Portanto, o momento para pensarmos no gás é agora, pensar na interiorização, em continuar o acesso do gás aos estados do Ceará e do Maranhão, e também pensar em ampliar esse acesso de outras formas, como [ocorre] com o biometano e com o gás virtual”, explica Sérgio Gabrielli.

A proposta central trazida por ele é que o Nordeste aproveite o excedente de gás do projeto Sergipe Águas Profundas, que, segundo ele, será o grande motor do crescimento, com potencial para adicionar 15 milhões de m³/dia, dobrando a capacidade atual da região.

Além disso, a assembleia também apontou o potencial de biometano do interior para criar um mercado regional, promovendo a substituição de combustíveis mais poluentes na frota pesada e na indústria, pensando em utilizar o biometano da cana-de-açúcar e do gado nordestino.

(Foto: Pei Fon / Agência Alagoas)


A Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, parabenizou a discussão do tema em uma assembleia do Consórcio Nordeste e acrescentou que Pernambuco já utiliza o conceito de 'gás virtual' para levar o combustível ao Polo Gesseiro do Araripe.

“Essa região é responsável por grande parte do desmatamento da nossa Caatinga. Em um perímetro de quase 800 km, já não há mais lenha disponível para as queimadas industriais. Nosso grande desafio tem sido a reestruturação e a garantia de crédito para que as empresas possam substituir seus maquinários. Criamos linhas com juros baixos e prazos longos para viabilizar esse investimento. Acredito que o trabalho conjunto do Consórcio deve ser o de garantir que o crédito chegue à ponta com rapidez”, finaliza Raquel.