Política
Ronaldo Medeiros é acusado de prejudicar Paulão
Petista histórico afirma em artigo que o PT de Alagoas não “move uma palha” pela reeleição do único deputado federal
Em artigo publicado na edição de ontem (3/2) do jornal Tribuna Independente, o engenheiro civil Flávio Teles criticou severamente o deputado estadual Ronaldo Medeiros, presidente do PT em Alagoas, quanto à demora do partido em montar a chapa federal que irá disputar as eleições deste ano no estado. “Há nove meses das eleições, Medeiros vai consolidando o ‘Paulão já era’”, diz o título do artigo assinado pelo engenheiro, militante histórico do PT em Alagoas.
Segundo ele, até agora, “o Partido dos Trabalhadores em Alagoas ainda não moveu uma palha sequer para montar uma chapa de deputado federal, dentro da Federação Brasil da Esperança (PT-PV-PCdoB). A prioridade atual tem sido apenas a chapa de estadual, que tem como meta principal as reeleições de Ronaldo Medeiros, atual presidente estadual do PT, e Silvio Camelo, líder do PV”.
Teles disse ainda que “na articulação para recondução dos dois parlamentares estaduais, a Federação tem filiado, inclusive nomes de candidatos bolsonaristas como Davi Maia, que já se manifestou como um político de ‘centro direita’ e com a sustentação de que não vota em Lula para presidente. Essa é uma história inusitada para o PT, que acontece em meio ao silêncio de todas as tendências do partido”.
Para o engenheiro, “a ausência de prioridade no PT estadual com a chapa de deputado federal acontece pela rivalidade interna no partido, onde Medeiros se coloca diante dos seus aliados como um adversário ferrenho de Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, histórico parlamentar da legenda”. O petista usa uma expressão atribuída a Medeiros, como se estivesse descartando um quadro histórico e importante do partido: “Paulão já era”, teria dito Medeiros, segundo o artigo de Teles.
De acordo com o articulista, a frase teria sido pronunciada por Medeiros ainda na disputa das eleições internas das correntes partidárias, onde o deputado estadual “saiu vitorioso, graças a uma estrutura que o partido nem imaginava que existia”.
Na opinião de Flávio Teles, pelo rumo tomado, com a falta de movimentação e omissão das tendências petistas, Medeiros estaria consolidando a derrota do seu único deputado federal por Alagoas. O discurso “Paulão já era” teria vindo à tona “sob o olhar de aprovação do senador Renan Calheiros, que é seu padrinho político [de Medeiros]”.
Por conta desse sectarismo atribuído a Medeiros, na visão de Teles, o PT de Alagoas estaria prestes a perder sua única vaga na Câmara Federal. Essa perda, de acordo com o artigo do engenheiro petista, “estaria fragilizando a legenda no plano estadual e gerando mais complicações para uma possível reeleição do presidente Lula, que teria menos um parlamentar de luta em sua bancada no Congresso Nacional”.
No artigo, Teles deixa claro que o deputado federal Paulão é o único parlamentar alagoano do segmento progressista que faz defesa aberta da democracia no País. “É o deputado que luta intransigentemente em defesa das causas sociais, dos direitos dos trabalhadores, do serviço público, da educação e da saúde públicas, das famílias da agricultura familiar e na defesa da cidadania. Sem Paulão, Alagoas perde voz”, alerta o autor do artigo.
Segundo ele, “os demais membros da bancada federal poderão e vão ocupar o espaço vazio, mas com olhares e motivos bem diferentes da atuação do deputado do PT, que não briga por orçamento secreto”.
Teles concluiu o artigo dizendo que o alerta foi feito, “depois não adianta chorar o leite derramado”. Caso a derrota de Paulão nas urnas – para o militante petista – a culpa será do próprio PT. “Portanto, o que vai sobrar é o era uma vez o Partido dos Trabalhadores, em Alagoas”, concluiu.

Por que querem destruir a carreira do deputado federal?
O advogado, jornalista e líder comunitário Antônio Fernando dos Santos, mais conhecido por Fernando CPI, destacou a importância de manter o mandato do deputado federal Paulão (PT) e revelou porque querem destruir a carreira do parlamentar petista. Leia, na íntegra, o artigo assinado por Fernando CPI:
“Por que querem destruir a carreira de Paulão?
O problema não é Paulão. É o que ele representa".
Por Antônio Fernando dos Santos (Fernando CPI)*
“Não é coincidência. É método.
Quando um parlamentar não se curva aos interesses dos poderosos, quando mantém compromisso com a sociedade civil, com os trabalhadores, com os excluídos e com a democracia, ele passa a incomodar. E quem incomoda vira alvo.
Em Alagoas, estado historicamente marcado por oligarquias, pactos silenciosos e política de gabinete, Paulão representa uma exceção incômoda. Uma voz que não pede licença para denunciar injustiças, cobrar políticas públicas, defender direitos sociais e enfrentar privilégios. Por isso, tentam desqualificar, isolar, silenciar e, se possível, aniquilar politicamente sua trajetória.
A quem interessa calar Paulão?
Interessa aos que sempre trataram o poder como herança familiar. Interessa aos que lucram com a miséria alheia.
Interessa aos que odeiam a participação popular, os movimentos sociais, os sindicatos, a agricultura familiar, a luta por moradia, saúde e educação públicas.
Paulão não nasceu em berço de ouro. Veio da luta social. E quem vem da luta não se vende fácil, isso assusta.
A máquina da destruição.
A estratégia é velha e conhecida: espalhar desinformação; plantar intrigas; criar narrativas de ódio; atacar a honra quando não conseguem atacar os argumentos.
Não combatem ideias com ideias. Combatem com lama. Porque sabem que Paulão tem algo raro no Congresso Nacional: coerência.
O problema não é Paulão. É o que ele representa.
Paulão representa o povo organizado.
Representa a esquerda popular que não faz política de gabinete.
Representa Alagoas real, que sofre com desigualdade, abandono e injustiça social.
Destruí-lo politicamente seria um recado claro: “Aqui, quem não se submete, paga o preço.”
Mas a história não costuma perdoar.
A política brasileira está doente exatamente porque vozes como a de Paulão são exceção. Quando a classe política se une para atacar um parlamentar combativo, o problema não está nele, está no sistema que ele desafia.
Defender Paulão não é defender um homem. É defender o direito de Alagoas ter representação digna, firme e popular no Congresso Nacional.
Silenciar Paulão é tentar silenciar o povo.
E isso, cedo ou tarde, a vida cobra seu preço.
Que essa reflexão chegue a quem ainda acredita que política é negócio e não missão”.
O OUTRO LADO
A reportagem da Tribuna Independente procurou ouvir o deputado estadual Ronaldo Medeiros, por meio da sua assessoria de comunicação, sobre o artigo do engenheiro Flávio Teles, mas o parlamentar não quis se manifestar. No entanto, o espaço continua facultado para o presidente do PT fazer a sua defesa ou comentar o artigo do petista histórico sobre sua indiferença quanto à candidatura à reeleição do deputado Paulão.

Representantes de movimentos sociais oferecem apoio ao deputado
Lideranças dos movimentos sociais da luta pela reforma agrária em Alagoas - FNL, CPT, MLST, MPL, MVT e MTL - estiveram ontem (3/2) reunidos com o deputado federal Paulão (PT) para dialogar sobre a conjuntura política atual e os desafios enfrentados na luta da classe trabalhadora do campo e da cidade. O grupo aproveitou para se solidarizar com o deputado e reiterar a impotância do mandato dele em defesa das causas populares e sociais.
“Durante a reunião, debatemos os ataques aos direitos, a organização popular e os caminhos de resistência coletiva.
O deputado reafirmou seu total apoio e seu compromisso com a luta de todas as famílias que constroem esse processo diariamente”, afirmou Marcos Marrom, da FNL.
“Agradecemos o comprometimento, deputado. Seguimos juntos, firmes na luta. Conte conosco! “, acrescentou, em mensagem nas mídias sociais.
Quem é o deputado Paulão
Segundo informação da Câmara dos deputados, Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, é o primeiro parlamentar do PT de Alagoas eleito para a Câmara dos Deputados. Paulão é formado em direito pela Faculdade de Maceió (FAMA), com pós-graduação em Direito Ambiental e Urbanístico pela Uniderp.
Aos 25 anos, assumiu a vice-presidência da Associação dos Técnicos Industriais de Alagoas – ATIAL. Em 1984, tornou-se Diretor de Esportes da Associação dos Técnicos Industriais de Alagoas e, em seguida, foi eleito presidente da ATIAL. No ano seguinte, filiou-se ao PT.
Em 1987 até 1993, assume a presidência do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas, com mandato que duraria sete anos.
De 1994 até 1995, torna-se Secretário de Imprensa da Central única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT/AL).
Nos dois anos seguintes, é eleito presidente da Central Única dos Trabalhadores de Alagoas – CUT/AL.
Aos 40 anos, candidata-se a vereador e inicia seu primeiro mandato da Câmara Legislativa de Maceió pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Aos 42 anos, ganha as eleições para Deputado Estadual na cidade de Maceió/AL. É reeleito mais duas vezes para o cargo, em 2003 e 2007, encerrando o mandato em 2010.Em 2003, com 46 anos, torna-se Presidente do Partido dos Trabalhadores de Alagoas (PT/AL).
Assume, enquanto suplente, o mandato de Deputado Federal. Ganha destaque nos dois anos de legislatura, sendo relator do Plano Safra 2013-2014 para a agricultura familiar.
É eleito como Deputado Federal e permanece no Congresso representando o estado de Alagoas.
Em 2019 ganha novamente as eleições e permanece atualmente ocupando o cargo em Brasília. Nesse ano, foi escolhido como titular na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) e presidiu a comissão mista que trata da MP 888/2019, que visa a reestruturação e organização do quadro de servidores da DPU.
Foi reeleito em 2022 com 65.814 votos.
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