Política

Credores pedem a falência da TV Gazeta

Pedido foi feito pelo advogado dos trabalhadores demitidos, que alega o descumprimento das obrigações legais

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 28/01/2026 08h23 - Atualizado em 28/01/2026 09h13
Credores pedem a falência da TV Gazeta
Segundo advogado dos trabalhadores, TV Gazeta não deposita o FGTS dos funcionários desde outubro de 2024 - Foto: Reprodução

O imbróglio envolvendo o processo de recuperação judicial da TV Gazeta de Alagoas e demais veículos da Organização Arnon de Mello ganhou um novo capítulo, esta semana. O advogado Marcos Rolemberg, que representa um grupo de credores trabalhistas, impetrou no último sábado (24) pedido de falência da TV Gazeta. Na petição, ele alega descumprimento reiterado de obrigações legais e ausência de viabilidade econômica da empresa.

Segundo Rolemberg, a empresa do ex-presidente Fernando Collor deixou de recolher de forma contumaz e sistemática o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de seus trabalhadores, inclusive em períodos posteriores ao pedido da recuperação judicial que se arrasta desde 2019. Pela legislação em vigor, o FGTS é uma obrigação legal de natureza extraconcursal, devendo ser recolhido regularmente, independentemente do andamento da recuperação.

“Atualmente, todos os funcionários da empresa estão sem receber os depósitos de FGTS há mais de um ano, desde outubro de 2024”, afirmou Rolemberg, que, além de advogado, é jornalista e ex-funcionário da TV Gazeta. Segundo ele, a inadimplência atinge a totalidade do quadro de empregados e se prolonga por período significativo, em afronta direta à legislação trabalhista.

A situação financeira da empresa, que já não era boa, agravou-se depois que a Rede Globo encerrou o contrato de 50 anos com a TV Gazeta. No entanto, Rolemberg contesta a versão apresentada pela empresa de que a saída da Rede Globo teria inviabilizado o cumprimento do plano de recuperação judicial.

De acordo com o advogado, o contrato com a emissora, ressalta, permaneceu vigente até 27 de setembro de 2025. Assim, a falta de recolhimento do FGTS teve início ainda antes do rompimento contratual, o que, na avaliação dos credores, demonstra que a empresa já se encontrava sem viabilidade econômica naquele momento.

Rolemberg comentou ainda que a ausência dos depósitos do FGTS provocou uma série de pedidos de rescisão indireta ajuizados por funcionários na Justiça do Trabalho, sob o argumento de falta grave cometida pela empregadora. Ele explica que esses créditos não se submetem ao plano de recuperação judicial e devem ser pagos com prioridade, por se tratar de verbas extraconcursais.

O pedido de falência – para Rolemberg – reflete um quadro de insolvência consolidado, agravado pelo acúmulo de dívidas trabalhistas e obrigações sociais que não podem ser postergadas. “A TV Gazeta já não cumpria obrigações básicas muito antes da saída da Globo, e a situação apenas se deteriorou com o aumento das ações trabalhistas e das dívidas que não se sujeitam ao plano”, concluiu.

OUTRO LADO

A reportagem da Tribuna Independente procurou ouvir a defesa da TV Gazeta e demais veículos da Organização Arnon de Mello, mas não foi possível. No entanto, o espaço continua facultado para os devidos esclarecimentos e as devidas explicações.