Política
Vítimas das grandes tragédias se aliam na busca por reparação
Afetados pela mineração da Braskem participaram de encontro nacional e aderiram ao movimento
Lideranças de associações que representam as vítimas da Braskem e de grandes tragédias no Brasil criaram, em Brumadinho (MG), o movimento “Unidas por Justiça” e divulgaram uma carta ao Judiciário e à população brasileira, no final da semana passada. No documento, integrantes dessas associações e movimentos deixam claro que as maiores tragédias do Brasil estão unidas em busca de Justiça.
O encontro foi realizado na última sexta-feira (23/1) e integrou a agenda dos 7 anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Entre os representantes das vítimas da Braskem em Maceió estava a bióloga Neirevane Nunes, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM). Segundo ela, o evento reuniu entidades ligadas a diferentes desastres socioambientais no país.
“Foi um encontro altamente positivo e importante, realizado com o objetivo de fortalecer a articulação nacional e unificar estratégias para cobrar avanços nos processos judiciais, referentes às grandes tragédias”, comentou Neirevane. Segundo ela, essa união visa fortalecer a luta por justiça, por reparação e pela responsabilização. Afinal, o que marca todas essas tragédias-crimes é a impunidade.
“Na verdade, o que a gente busca, numa frente como essa, é combater a impunidade. Afinal, enquanto não houver justiça, não pode haver paz para as vítimas, para suas famílias, para os atingidos. É a impunidade que nos causa, em todos esses casos no Brasil, revolta e indignação”, declarou Neirevane, que atua no MAM em Alagoas e foi uma das fundadoras do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).
Neirevane disse ainda que as entidades participantes do encontro tinham um sentimento em comum: a sede de Justiça. Esse sentimento foi expresso durante o encontro que demarcou a Semana de Mobilização pelos 7 anos do crime da Vale. O evento foi realizado na última semana, em memória às 272 vítimas do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, ocorrido em 25 de janeiro de 2019.
MEMÓRIA E JUSTIÇA
De acordo com Neirevane, a comitiva alagoana integrou o Painel com o tema “Memória, Justiça e caminhos para 2026”, um espaço de diálogo e de articulação entre vítimas dos crimes da Vale (Brumadinho e Mariana), da Boate Kiss, do Ninho do Urubu do Flamengo e da mineração da Braskem em Maceió.
Além de Neirevane Nunes, também estiveram presentes por Alagoas Rikartiany Cardoso, que também representou o MAM-AL, além de Cássio Araújo e Maurício Sarmento, ambos representando a Associação do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB). Ao avaliar o evento, o grupo reforçou uma série de situações em comum.
“Apesar das especificidades de cada caso, há um padrão recorrente de violações de direitos, da inércia do sistema de justiça, de reparações que não correspondem à extensão dos danos e da ausência de responsabilização criminal dos culpados dessas tragédias-crime”, declarou Neirevane.
Ela disse também que, durante o painel, as entidades reafirmaram o conteúdo e o sentido político da Carta à Justiça e ao Brasil, documento construído coletivamente pela União das Associações e apresentado no contexto dos 7 anos do crime da Vale. “Essa carta denuncia a morosidade dos processos judiciais, o tratamento desigual às vítimas e cobra do Judiciário brasileiro julgamentos céleres, responsabilização criminal dos culpados e garantia de reparação integral às populações atingidas”, comentou Neirevane.
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