Política

Xukuru-Kariri pedem intervenção de Lula para homologação de território em Alagoas

Comunidade indígena solicita ação federal para garantir direitos territoriais e reduzir conflitos em Palmeira dos Índios

Por Tribuna Hoje com agências 26/01/2026 15h03
Xukuru-Kariri pedem intervenção de Lula para homologação de território em Alagoas
Xukuru-Kariri, no município de Palmeira dos Índios - Foto: Assessoria Cimi

O povo indígena Xukuru-Kariri enviou, na última sexta-feira (23), uma carta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a intervenção direta do governo federal para a homologação definitiva de seu território tradicional, localizado em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas.

Na correspondência, os Xukuru-Kariri relatam que, há gerações, enfrentam dificuldades para viver plenamente em sua terra ancestral, devido a disputas fundiárias, conflitos territoriais e episódios de violência relacionados à identificação e delimitação do território. Segundo o documento, a ausência de homologação compromete não apenas o direito à terra, mas também a sobrevivência física, cultural e espiritual da comunidade.

A carta ressalta que a homologação é essencial para pacificar a região, reduzir tensões e assegurar dignidade às famílias indígenas. Apesar dos avanços no processo de demarcação, a conclusão ainda não ocorreu, mantendo a insegurança jurídica e social tanto para indígenas quanto para não indígenas que ocupam parte da área.

Os Xukuru-Kariri afirmam ter apoiado a eleição de Lula confiando no compromisso histórico do presidente com a causa indígena e cobram o cumprimento da promessa de homologação assumida desde o período de transição de governo. Para a comunidade, efetivar essa medida representa um ato de justiça histórica e respeito à Constituição Federal de 1988.

Atualmente, parte do território reivindicado é ocupada por famílias não indígenas, que, em alguns momentos, reagiram às ações de levantamento fundiário realizadas pelo processo de demarcação. Muitos alegam herança das terras e não reconhecem a área como tradicionalmente indígena.

A comunidade destaca ainda que eventuais desocupações devem ser conduzidas pelo Estado com diálogo, responsabilidade institucional e respeito à dignidade humana, a fim de evitar novos conflitos e o agravamento das tensões sociais.